O meu blog já conta com dezenas de postagens, onde o primeiro post fora publicado no dia 26 de setembro de 2007, portanto, já estou caminhando para os sete meses de blogosfera evangélica, onde tive o prazer de conhecer pessoas sábias nas Escrituras Sagradas, granjeando verdadeiros amigos de grande nobreza e destaque no meio evangélico nacional, tendo assim uma seleta oportunidade de crescer no conhecimento bíblico com os artigos dos mesmos. Tudo para honra e glória do nome de Jesus.
Dentre todos os meus posts a maioria são artigos, estudos teológicos, contendo também alguns poucos avisos e notícias inerentes ao tema cristão.
Por ter ciência que alguns (bons e essenciais) artigos, mais velhinhos, muitas vezes passam desapercebidos por leitores que não tem o conhecimento dos links do “Arquivo do Blog”, localizados na barra lateral direita do blog, posto aqui uma coletânea de links dos principais estudos publicados até o momento, os quais recomendo a leitura por parte daqueles que ainda não leram, bem como a releitura dos que já leram. Tem de “quase-tudo” um pouco!
Basta clicar sobre o nome do estudo desejado que o mesmo será aberto.
Declaração de Fé
Em Defesa da Doutrina Bíblica da Trindade (Parte 1)
Em Defesa da Doutrina Bíblica da Trindade (Parte 2)
Em Defesa da Doutrina Bíblica da Trindade (Parte 3 - Conclusão)
A realidade bíblica do castigo eterno (inferno)
A verdadeira adoração
Maria é a Mãe de Deus?
Vergonha Universal - Bispo Edir Macedo defende o aborto
Faraó, predestinação e livre arbítrio
490 anos da Reforma Protestante
A Ressurreição FÍSICA e REAL de Cristo
Jeová e o nome de Deus. A importância do nome Jesus.
O apelo da Igreja Católica Romana à tradição
O Cristão e a lei secular - A questão da cópia de mídias digitais
Lucas 1:28 e a Imaculada Conceição de Maria
Pérolas de uma " pastora ". A liderança pastoral feminina é bíblica?
Uma palavra sobre salvação, sobre o amor de Deus para com o homem
A Bíblia e o seu Dia
Resposta a um apologista católico-romano
O crente e o pecado
Em defesa do livre-arbítrio. Uma pequena exegese de Efésios 1:4,5 e 4:30.
Uma análise do Natal. O verdadeiro Natal bíblico-cristão.
Os Dons espirituais estão disponíveis nos dias de hoje como em Pentecostes? - Parte 01
Os Dons espirituais estão disponíveis nos dias de hoje como em Pentecostes? - Parte 02 - Conclusão
Uma palavra sobre a existência de Deus
A volta FÍSICA e REAL de Cristo
II Tessalonicenses 2:15 e a Tradição Oral Católica
II Pe 1:20 – É a Igreja Católica a detentora da verdadeira interpretação bíblica?
A realidade do Céu de glória para todos os salvos em Jesus
Os 144.000 do Apocalipse
A Tradução do Novo Mundo das Testemunhas de Jeová
Uma (pequena) exegese de Atos 16:31
Os "tímidos" de Apocalipse 21:8
Uma (não tão curta) resposta a um apologista jeovista
O cristão e a sexualidade
Disco arranhado na Renovação Carismática Católica (RCC)
Arqueologia mais uma vez em favor da Bíblia
Uma breve palavra sobre o carnaval
Uma pequena exegese de Fl 4:13
Voz da Verdade, Marco Feliciano e heresias S.A.
Desmascarando os OVNIs
O escapulário – Um novo evangelho e uma blasfêmia contra o sangue de Cristo
Uma sucinta análise bíblica do homossexualismo
Batismo apenas em nome de Jesus?
Uma pequena exegese de Gênesis 3:15
A verdadeira Páscoa bíblica
Devemos usar pães asmos na Ceia das igrejas?
Anchieta Campos
terça-feira, 1 de abril de 2008
domingo, 30 de março de 2008
Frase quase divina – 04
Nesta quarta edição do quadro trago uma frase do memorável batista britânico, Charles Haddon Spurgeon (1834-1892), lembrado até os dias atuais pelas suas inesquecíveis pregações, sendo inclusive lhe atribuído o título de “Príncipe dos pregadores”.
“A graça de Deus não deve ser apresentada enquanto o individuo não sentir o peso da Lei”.
Anchieta Campos
“A graça de Deus não deve ser apresentada enquanto o individuo não sentir o peso da Lei”.
Anchieta Campos
sábado, 29 de março de 2008
É errado usarmos o termo “presidente” para pastores?
É de pleno conhecimento dos assembléianos (pelo menos penso que seja) que a nossa denominação costuma usar o termo “presidente” para designar os pastores das nossas igrejas, principalmente os das grandes igrejas, localizadas em cidades importantes de determinada região de um estado. Particularmente em minha igreja, a Assembléia de Deus em Pau dos Ferros-RN, a qual é a sede do respectivo campo (com 10 cidades ao todo), usamos o termo pastor-presidente para o nosso pastor (o qual é supervisor do já citado campo), tanto em nível local como no sentido de nível regional (campo). Usamos do mesmo modo o termo para o pastor-presidente do estado do Rio Grande do Norte (IEADERN), bem como para o nosso pastor-presidente a nível nacional (CGADB).
Agora fica a pergunta: é errado usarmos estes termos (presidente, supervisor) para os pastores que se encontram em uma situação de maior destaque em questão de liderança? Estaria ocorrendo uma inversão de valores? O espírito de humildade e servidão do verdadeiro cristão (especialmente dos líderes) estaria sendo afetado? Enfim, contraria-se a Bíblia Sagrada o uso destes termos?
Sinceramente, não vejo mal algum no uso destes termos nas situações supracitadas. A Bíblia é cheia de referências onde se aparece o uso do termo “presidente” (1 Sm 19:20; 2 Cr 8:10; 19:11; Ne 11:16,21; 13:4; Jr 20:1); o próprio Deus designou a Davi como presidente (1 Re 8:16). Presidente é aquele que preside, que rege, que governa; o próprio Deus colocou a lua para presidir a noite e o sol para presidir o dia (Sl 136:9).
No Novo Testamento nós vemos recomendações de Paulo em Rm 12:8 “Ou o que exorta, use esse dom em exortar; o que reparte, faça-o com liberalidade; o que preside, com cuidado; o que exercita misericórdia, com alegria” e em 1 Ts 5:12,13 “E rogamo-vos, irmãos, que reconheçais os que trabalham entre vós e que presidem sobre vós no Senhor, e vos admoestam; e que os tenhais em grande estima e amor, por causa da sua obra. Tende paz entre vós”. A Bíblia ainda nos recomenda a obedecermos aos nossos pastores (Hb 13:17), além de nos ensinar a dar honra duplicada aos que governam bem “Os presbíteros que governam bem sejam estimados por dignos de duplicada honra, principalmente os que trabalham na palavra e na doutrina” 1 Tm 5:17, e darmos honra a quem se deve honra (Rm 13:7). Não é errado o homem receber honra, o próprio Deus honra aos seus (Jo 5:44; 12:26); o próprio Paulo recebeu honras (At 28:10).
Lembremo-nos de Jesus, que mesmo sendo o maior exemplo de humildade e bom trato para com os seus que o mundo já viu, se autodenominou de Senhor e Mestre (Jo 13:13,14), bem como Paulo se reconheceu como Apóstolo que era (Rm 1:1; 11:13; 1 Co 1:1; 9:1,2; 2 Co 1:1; 11:5; Gl 1:1; Ef 1:1; Cl 1:1; 1 Tm 1:1; 2:7; 2 Tm 1:1,11; Tt 1:1), assim como Pedro (1 Pe 1:1; 2 Pe 1:1; 3:2), que também se reconheceu como presbítero (1 Pe 5:1), como também João se reconheceu como presbítero (2 Jo 1:1; 3 Jo 1:1). Por fim, é claro que a recomendação de 1 Pe 5:2,3 (bem como outras) deve ser observada por estes homens que ocupam cargos eclesiásticos de maior destaque.
Portanto, não é errado, algo carnal, ou muito menos pecado o uso de termos como presidente e supervisor para pastores que estão verdadeiramente nestas situações.
Anchieta Campos
Agora fica a pergunta: é errado usarmos estes termos (presidente, supervisor) para os pastores que se encontram em uma situação de maior destaque em questão de liderança? Estaria ocorrendo uma inversão de valores? O espírito de humildade e servidão do verdadeiro cristão (especialmente dos líderes) estaria sendo afetado? Enfim, contraria-se a Bíblia Sagrada o uso destes termos?
Sinceramente, não vejo mal algum no uso destes termos nas situações supracitadas. A Bíblia é cheia de referências onde se aparece o uso do termo “presidente” (1 Sm 19:20; 2 Cr 8:10; 19:11; Ne 11:16,21; 13:4; Jr 20:1); o próprio Deus designou a Davi como presidente (1 Re 8:16). Presidente é aquele que preside, que rege, que governa; o próprio Deus colocou a lua para presidir a noite e o sol para presidir o dia (Sl 136:9).
No Novo Testamento nós vemos recomendações de Paulo em Rm 12:8 “Ou o que exorta, use esse dom em exortar; o que reparte, faça-o com liberalidade; o que preside, com cuidado; o que exercita misericórdia, com alegria” e em 1 Ts 5:12,13 “E rogamo-vos, irmãos, que reconheçais os que trabalham entre vós e que presidem sobre vós no Senhor, e vos admoestam; e que os tenhais em grande estima e amor, por causa da sua obra. Tende paz entre vós”. A Bíblia ainda nos recomenda a obedecermos aos nossos pastores (Hb 13:17), além de nos ensinar a dar honra duplicada aos que governam bem “Os presbíteros que governam bem sejam estimados por dignos de duplicada honra, principalmente os que trabalham na palavra e na doutrina” 1 Tm 5:17, e darmos honra a quem se deve honra (Rm 13:7). Não é errado o homem receber honra, o próprio Deus honra aos seus (Jo 5:44; 12:26); o próprio Paulo recebeu honras (At 28:10).
Lembremo-nos de Jesus, que mesmo sendo o maior exemplo de humildade e bom trato para com os seus que o mundo já viu, se autodenominou de Senhor e Mestre (Jo 13:13,14), bem como Paulo se reconheceu como Apóstolo que era (Rm 1:1; 11:13; 1 Co 1:1; 9:1,2; 2 Co 1:1; 11:5; Gl 1:1; Ef 1:1; Cl 1:1; 1 Tm 1:1; 2:7; 2 Tm 1:1,11; Tt 1:1), assim como Pedro (1 Pe 1:1; 2 Pe 1:1; 3:2), que também se reconheceu como presbítero (1 Pe 5:1), como também João se reconheceu como presbítero (2 Jo 1:1; 3 Jo 1:1). Por fim, é claro que a recomendação de 1 Pe 5:2,3 (bem como outras) deve ser observada por estes homens que ocupam cargos eclesiásticos de maior destaque.
Portanto, não é errado, algo carnal, ou muito menos pecado o uso de termos como presidente e supervisor para pastores que estão verdadeiramente nestas situações.
Anchieta Campos
quinta-feira, 27 de março de 2008
Devemos usar pães asmos na Ceia das igrejas?
Atualmente tenho visto internet adentro artigos evangélicos que tratam do tipo de pão que deve ser usado na atual Ceia da Igreja. Tenho visto opiniões no sentido de se defender (até o ponto de dizer que é o único modo correto e aceito) o uso de pães asmos (sem fermento) em nossas ceias, que são a Páscoa cristã (ver meu post A verdadeira Páscoa bíblica). Creio que na grande maioria das igrejas evangélicas no Brasil, especialmente nas Assembléias de Deus (falo de onde conheço), o pão usado na Santa Ceia é o pão normal, com fermento; pelo menos aqui em minha igreja é assim.
Neste sucinto artigo mostrarei (biblicamente, óbvio) se a Igreja neo-testamentária está debaixo da obrigação de realizar a Santa Ceia com o pão asmo, conforme o é determinado para Israel na celebração de sua Páscoa.
É bem verdade que os pães asmos (ou ázimos) eram os usados pelos judeus em suas celebrações da Páscoa e dos pães asmos (como o próprio nome já diz). Agora temos que considerar o seguinte: a festa (celebração) com os pães ázimos foi algo estabelecido estritamente para com Israel, como memória da libertação do Egito (cf. Êx 12:14-18); lembre-se também que Jesus e os apóstolos eram judeus (a graça ainda não estava estabelecida), portanto, estavam debaixo da lei para a cumprir, como bem Cristo a cumpriu (Mt 5:17; Lc 2:22,39).
Devemos perceber também que na Páscoa original não havia o vinho, Deus não estabeleceu o vinho na Páscoa original hebraica, e nós bem sabemos que na nossa Ceia (a Ceia da Eclésia) o vinho já é um ingrediente, e ingrediente de suma importância e indispensável para sua celebração e significado; perceba-se que o vinho não fazia parte da celebração pascoal dos judeus no tempo de Jesus, ele estava apenas como um acompanhante, mas não fazia parte da liturgia bíblica original, não fazia parte da memória do êxodo, diferentemente para a Igreja, onde o vinho não é um acompanhante, mas parte essencial da liturgia da Igreja na Ceia, como bem determinou Jesus, onde o vinho relembra categoricamente o Seu sangue puro, que compõe a nossa Páscoa.
Logo, podemos concluir que há sim uma diferença de celebração (litúrgica inclusive) entre a Páscoa judia e a Páscoa cristã. Nos lembremos por fim que Paulo põe para a Igreja um significado bem espiritual e simbólico para o fermento e os ázimos, onde ele diz “Por isso façamos a festa, não com o fermento velho, nem com o fermento da maldade e da malícia, mas com os ázimos da sinceridade e da verdade” 1 Co 5:8; Paulo diz claramente que o que importa não é o fermento em si e os ázimos em si, mas sim o que eles simbolizam, ou seja, devemos tirar o homem velho e pecador de nós, tirar a maldade e a malícia de nós, para nos revestirmos da sinceridade e da verdade; somente assim a festa (a Páscoa) será verdadeira e válida para com Deus.
Quanto à referência de Malaquias 1:7, freqüentemente usada pelos defensores do uso do pão asmo na Ceia da Igreja, onde eles afirmam que aquele contexto fala de uma profecia referente à Igreja e sua ceia, podemos perceber claramente em uma análise imparcial e sistemática que ali não se trata, em hipótese alguma, de uma palavra profética direcionada para os nossos dias. Vejam bem: “Peso da palavra do Senhor contra Israel” (v. 01); nos versos 2 ao 5 o Senhor realiza um paralelo claro entre Israel e Edom (ou Esaú = palestinos); a partir do verso 6 o Senhor começa a exortação contra Israel, mas especificamente contra os sacerdotes, como em que um pai exorta um filho rebelde; esta exortação é clara no sentido de Deus reprovar os sacrifícios que eram ofertados, onde eram ofertados animais aleijados ou doentes (v. 08), o que contraria a Lei de Deus (Lv 22:20-22); no verso 9 quem fala é Malaquias, e ele usa a expressão “suplicai o favor de Deus, e ele terá piedade de nós”; Malaquias se refere claramente ao povo de seu tempo. O pão do verso 7 simboliza um alimento para o Senhor (claro que nós sabemos que Deus não precisa se alimentar, é simbólico), com bem fica claro no verso 12, onde se diz “Mas vós o profanais, quando dizeis: A mesa do Senhor é impura, e o seu produto, a sua comida, é desprezível”, o pão do verso 7 se refere, neste caso, aos sacrifícios. Nós bem sabemos que na nossa Ceia, como está devidamente estabelecida para a Igreja, o pão e o vinho é alimento para nós, os crentes, e não um ato de oferecimento para com Deus, senão relembrarmos o Cristo que fora oferecido ao Pai, o qual o seu sangue e corpo (simbolizados no vinho e no pão) são alimentos para nós, Igreja, que nos dá vida (Jo 6:31-58). Malaquias encerra dizendo no verso 14 “Pois maldito seja o enganador, que, tendo animal no seu rebanho, promete e oferece ao Senhor uma coisa vil”.
Nós aprendemos na hermenêutica que é o Novo Testamente que dá a correta interpretação do Velho. É lógico que todas as passagens do VT podem ser levadas em conta pela igreja para edificação espiritual, quando analisadas com os olhos espirituais, tentando tirar o que determinada passagem nos ensina. Agora, uma passagem ou profecia bíblica vero-testamentária só é dirigida e se aplica integralmente em nossos dias quando a mesma expressamente assim o diz (e.g. Is 2:2; 53:11; Dn 12:4; Joel 2:28-32; Mq 4:1; Ml 3:1-4). É preciso cuidado no paralelo entre as alianças.
Portanto, a Igreja não tem a obrigação bíblica de realizar a sua Ceia com pães asmos. A Bíblia não ordena assim, nem dá margens para assim se entender. Agora, quem quiser realizar com pães asmos não estará pecando, senão quando condenar os que assim não procedem e no fato de fazer este modo como o correto e bíblico, pois não é assim.
Anchieta Campos
Neste sucinto artigo mostrarei (biblicamente, óbvio) se a Igreja neo-testamentária está debaixo da obrigação de realizar a Santa Ceia com o pão asmo, conforme o é determinado para Israel na celebração de sua Páscoa.
É bem verdade que os pães asmos (ou ázimos) eram os usados pelos judeus em suas celebrações da Páscoa e dos pães asmos (como o próprio nome já diz). Agora temos que considerar o seguinte: a festa (celebração) com os pães ázimos foi algo estabelecido estritamente para com Israel, como memória da libertação do Egito (cf. Êx 12:14-18); lembre-se também que Jesus e os apóstolos eram judeus (a graça ainda não estava estabelecida), portanto, estavam debaixo da lei para a cumprir, como bem Cristo a cumpriu (Mt 5:17; Lc 2:22,39).
Devemos perceber também que na Páscoa original não havia o vinho, Deus não estabeleceu o vinho na Páscoa original hebraica, e nós bem sabemos que na nossa Ceia (a Ceia da Eclésia) o vinho já é um ingrediente, e ingrediente de suma importância e indispensável para sua celebração e significado; perceba-se que o vinho não fazia parte da celebração pascoal dos judeus no tempo de Jesus, ele estava apenas como um acompanhante, mas não fazia parte da liturgia bíblica original, não fazia parte da memória do êxodo, diferentemente para a Igreja, onde o vinho não é um acompanhante, mas parte essencial da liturgia da Igreja na Ceia, como bem determinou Jesus, onde o vinho relembra categoricamente o Seu sangue puro, que compõe a nossa Páscoa.
Logo, podemos concluir que há sim uma diferença de celebração (litúrgica inclusive) entre a Páscoa judia e a Páscoa cristã. Nos lembremos por fim que Paulo põe para a Igreja um significado bem espiritual e simbólico para o fermento e os ázimos, onde ele diz “Por isso façamos a festa, não com o fermento velho, nem com o fermento da maldade e da malícia, mas com os ázimos da sinceridade e da verdade” 1 Co 5:8; Paulo diz claramente que o que importa não é o fermento em si e os ázimos em si, mas sim o que eles simbolizam, ou seja, devemos tirar o homem velho e pecador de nós, tirar a maldade e a malícia de nós, para nos revestirmos da sinceridade e da verdade; somente assim a festa (a Páscoa) será verdadeira e válida para com Deus.
Quanto à referência de Malaquias 1:7, freqüentemente usada pelos defensores do uso do pão asmo na Ceia da Igreja, onde eles afirmam que aquele contexto fala de uma profecia referente à Igreja e sua ceia, podemos perceber claramente em uma análise imparcial e sistemática que ali não se trata, em hipótese alguma, de uma palavra profética direcionada para os nossos dias. Vejam bem: “Peso da palavra do Senhor contra Israel” (v. 01); nos versos 2 ao 5 o Senhor realiza um paralelo claro entre Israel e Edom (ou Esaú = palestinos); a partir do verso 6 o Senhor começa a exortação contra Israel, mas especificamente contra os sacerdotes, como em que um pai exorta um filho rebelde; esta exortação é clara no sentido de Deus reprovar os sacrifícios que eram ofertados, onde eram ofertados animais aleijados ou doentes (v. 08), o que contraria a Lei de Deus (Lv 22:20-22); no verso 9 quem fala é Malaquias, e ele usa a expressão “suplicai o favor de Deus, e ele terá piedade de nós”; Malaquias se refere claramente ao povo de seu tempo. O pão do verso 7 simboliza um alimento para o Senhor (claro que nós sabemos que Deus não precisa se alimentar, é simbólico), com bem fica claro no verso 12, onde se diz “Mas vós o profanais, quando dizeis: A mesa do Senhor é impura, e o seu produto, a sua comida, é desprezível”, o pão do verso 7 se refere, neste caso, aos sacrifícios. Nós bem sabemos que na nossa Ceia, como está devidamente estabelecida para a Igreja, o pão e o vinho é alimento para nós, os crentes, e não um ato de oferecimento para com Deus, senão relembrarmos o Cristo que fora oferecido ao Pai, o qual o seu sangue e corpo (simbolizados no vinho e no pão) são alimentos para nós, Igreja, que nos dá vida (Jo 6:31-58). Malaquias encerra dizendo no verso 14 “Pois maldito seja o enganador, que, tendo animal no seu rebanho, promete e oferece ao Senhor uma coisa vil”.
Nós aprendemos na hermenêutica que é o Novo Testamente que dá a correta interpretação do Velho. É lógico que todas as passagens do VT podem ser levadas em conta pela igreja para edificação espiritual, quando analisadas com os olhos espirituais, tentando tirar o que determinada passagem nos ensina. Agora, uma passagem ou profecia bíblica vero-testamentária só é dirigida e se aplica integralmente em nossos dias quando a mesma expressamente assim o diz (e.g. Is 2:2; 53:11; Dn 12:4; Joel 2:28-32; Mq 4:1; Ml 3:1-4). É preciso cuidado no paralelo entre as alianças.
Portanto, a Igreja não tem a obrigação bíblica de realizar a sua Ceia com pães asmos. A Bíblia não ordena assim, nem dá margens para assim se entender. Agora, quem quiser realizar com pães asmos não estará pecando, senão quando condenar os que assim não procedem e no fato de fazer este modo como o correto e bíblico, pois não é assim.
Anchieta Campos
segunda-feira, 24 de março de 2008
Comentário deste blogueiro publicado no Blog do Ciro Sanches
Recentemente li no Blog do Pastor Ciro Sanches um artigo intitulado “$ão tanto$ e tanto$ mi$tério$ - parte 3”, para acessar este artigo clique aqui http://cirozibordi.blogspot.com/2008/03/o-tanto-e-tanto-mitrio-parte-3.html.
Ao ler este artigo que retrata a triste realidade que se passa na igreja evangélica no Brasil não resisti e tive que desabafar; deixei um comentário no referido post, apenas com o intuito de compartilhar com o Pastor Ciro os meus sentimentos e tristes fatos que tenho observado nas igrejas que conheço (inclusive a minha); ocorreu que, para a minha surpresa (surpresa boa, lógico), o meu comentário acabou sendo publicado como um post no Blog do Ciro, como sendo o décimo post “O internauta opina”, o que me deixou mui honrado e alegre, visto que o Blog do Pastor Ciro é um dos mais acessados na blogosfera evangélica, além do mesmo ser um reconhecido/renomado escritor e homem de Deus no meio teológico ortodoxo. Tudo para honra e para glória do nome de Jesus.
Para acessarem o post onde meu comentário fora publicado, basta clicar no link http://cirozibordi.blogspot.com/2008/03/o-internauta-opina-10.html.
Anchieta Campos
Ao ler este artigo que retrata a triste realidade que se passa na igreja evangélica no Brasil não resisti e tive que desabafar; deixei um comentário no referido post, apenas com o intuito de compartilhar com o Pastor Ciro os meus sentimentos e tristes fatos que tenho observado nas igrejas que conheço (inclusive a minha); ocorreu que, para a minha surpresa (surpresa boa, lógico), o meu comentário acabou sendo publicado como um post no Blog do Ciro, como sendo o décimo post “O internauta opina”, o que me deixou mui honrado e alegre, visto que o Blog do Pastor Ciro é um dos mais acessados na blogosfera evangélica, além do mesmo ser um reconhecido/renomado escritor e homem de Deus no meio teológico ortodoxo. Tudo para honra e para glória do nome de Jesus.
Para acessarem o post onde meu comentário fora publicado, basta clicar no link http://cirozibordi.blogspot.com/2008/03/o-internauta-opina-10.html.
Anchieta Campos
domingo, 23 de março de 2008
Frase quase divina - 03
Para esta terceira edição do quadro selecionei uma frase do maior expoente metodista, o inglês John Wesley (1703-1791), exemplo de fé, pureza e dedicação para com a obra do Senhor.
“Senhor, dá-me 100 homens que odeiem o pecado e não desejem mais nada além de Ti, então abalarei o mundo”.
Anchieta Campos
“Senhor, dá-me 100 homens que odeiem o pecado e não desejem mais nada além de Ti, então abalarei o mundo”.
Anchieta Campos
quinta-feira, 20 de março de 2008
A verdadeira Páscoa bíblica
A Páscoa (hb. Pesah; gr. Πάσχα -Páska-; lat. Pascha) é uma festa que biblicamente se reveste de uma suma importância e sinal comemorativo/memorativo, tanto para judeus quanto para os cristãos, aonde o seu modo de ser e prática atual (principalmente no meio católico romano) difere bastante de sua realização e significado bíblico, sendo recheada de figuras que realmente não tem nada há ver com o evento, como o “ovo da Páscoa” e “o coelho da Páscoa”, além de certas tradições sem pé nem cabeça, principalmente para a igreja neo-testamentária, como por exemplo a proibição de se comer carne e a malhação do Judas, aonde a figura deste acaba tomando mais destaque que a de Cristo. A data e o culto ao evento fora estabelecida no primeiro Concílio de Nicéia, no ano de 325.
A Páscoa é uma das três festas (conhecidas como ‘festas dos peregrinos’) em que todos os judeus estavam obrigados a participar, juntamente com a festa do Pentecostes e dos Tabernáculos, aonde após a construção do Templo o Senhor ordenou que a Páscoa fosse celebrada em Jerusalém (cf. Dt 16:1-6); antes do Templo os judeus celebravam a Páscoa em suas casas, aonde os pais relembravam e contavam aos seus filhos o milagroso evento da Páscoa, como o destruidor poupou aos hebreus (cf. Êx 12:23-27).
No ano (aproximado) de 1445 a.C., após mais de quatrocentos anos de escravidão no Egito, Deus, por sua infinita graça e amor, resolve libertar o seu povo dessa situação humilhante; para tanto o Senhor sucinta Moisés como líder e libertador do povo judeu e como um “porta-voz” Seu, tanto para os judeus quanto para Faraó. Moisés sob as ordens e autoridade de Deus conclama Faraó a libertar o povo judeu, aonde o mesmo nega-se a tal, seguindo-se assim sucessivas pragas, aonde sempre ao cessar de cada uma delas Faraó voltava atrás e não libertava o povo hebreu (ver o meu post Faraó, predestinação e livre arbítrio). Chegou então o momento da décima e derradeira praga se manifestar, que era a morte de todo o primogênito na terra do Egito, tanto de homens como de animais (cf. Êx 12:12). Mas Deus, para livrar os primogênitos de Israel, instituiu um sinal para o povo hebreu, que os livraria da praga da mortandade dos primogênitos: cada casa deveria tomar para si um cordeiro (se a família fosse pequena para um cordeiro, poderia juntar-se com o vizinho), aonde o cordeiro ou o cabrito deveria ser sem mácula, macho de um ano, sendo sacrificado ao decido quarto dia do primeiro mês, o mês de Abibe, também conhecido como Nisã, que corresponde no nosso calendário gregoriano entre 22 de março e 25 de abril (a data exata do décimo quarto dia de Abibe varia em razão do calendário judeu ser lunar, enquanto o cristão -gregoriano- ser solar); com o sacrifício do cordeiro os hebreus deveriam tomar do seu sangue e passá-lo sobre as ombreiras e na verga da porta de cada casa judia que havia comido do cordeiro; a carne deveria ser comida somente assada e com pães asmos (sem fermento) e ervas amargosas; a ordem era para ser comido todo o cordeiro, mas caso ficasse algo, deveria ser queimado no fogo; sendo assim, o sangue do cordeiro seria por sinal ao Senhor, que pouparia os primogênitos da casa aonde visse o sangue (todo esse cenário conforme Êx 12:1-13). Esta é a Páscoa do Senhor. É claro que o Senhor sabia qual casa era ou não de hebreus, mas todo este cenário serviria justamente para ensinar a obediência ao Senhor, além de ensinar e apontar sobre algo futuro. Por fim o Senhor estabelece a festa da Páscoa como memória, devendo ser realizada anualmente pelos judeus, perpetuamente, no dia quatorze do primeiro mês, na primavera judaica (cf. Êx 12:14; Lv 23:4,5; Nm 9:1-14; 28:16; Dt 16:1-6).
A Páscoa, portanto, fora o evento que marcou a libertação do povo hebreu do Egito e o dia em que foram poupados por Deus do seu justo juízo contra o pecado. E é justamente esse o sentido da palavra Páscoa, do hebraico pesah, que significa “pular além da marca”, “passar por cima”, “poupar”.
Agora, nós aprendemos com a Bíblia que o Novo Testamento, a Nova e Eterna Aliança, nos concede o perfeito entendimento das sombras e alegorias que se encontram no Antigo Testamento (cf. Jo 3:14; Gl 3:15-29; 4:21-31; Cl 2:17; Hb 8:5-13; 9:1-12; 10:1). Assim nós podemos perfeitamente realizar um paralelo entre a Páscoa judia e o sacrifício de Cristo, o qual é o Cordeiro de Deus, sem pecado e sem mácula (2 Co 5:21; Hb 4:15), que morreu pelos nossos pecados (Rm 5:6; Rm 8:34; 1 Co 15:3), aquele Cordeiro que tira o pecado do mundo (Jo 1:29,36), sendo o seu sangue puro e sem pecado a causa da nossa justiça e salvação, nos livrando do juízo que Deus realiza contra o pecado (1 Pe 1:18,19; 1 Jo 1:7; Ap 1:5; 5:9; 7:14; 12:11; Hb 9:12-26; 10:19; 13:12,20; Cl 1:14,20; Ef 1:7; Rm 3:25; 5:9).
Cristo, verdadeiramente, é a nossa Páscoa: “Alimpai-vos, pois, do fermento velho, para que sejais uma nova massa, assim como estais sem fermento. Porque Cristo, nossa páscoa, foi sacrificado por nós” 1 Co 5:7; o fato de Jesus ter sido crucificado na Páscoa (Mt 26:2; Mc 14:1) já nos mostra a relação simbólica e de efeito entre a Páscoa judia do Egito e o sacrifício de Cristo em nosso favor. Cristo é a nossa libertação do cativeiro do Egito, do cativeiro da escravidão do pecado! Seu sangue puro vertido em seu sacrifício nos garante o livramento da condenação do pecado! Sua morte e ressurreição nos garante uma nova vida cheia de esperança, liberdade e paz, e não mais uma vida de condenação e escravidão que tínhamos no Egito do pecado!
Jesus, como perfeito judeu que fora, realizou a Páscoa em sua vida (Jo 2:13,23). Jesus fora com seus pais a Jerusalém quando tinha seus 12 anos de idade, justamente para celebrar a Páscoa (Lc 2:41,42). A própria Ceia que Jesus realizou com os seus discípulos em Jerusalém, pouco antes de ser preso e crucificado, foi uma refeição da Páscoa (Mt 26:17-28; Mc 14:12-26; Lc 22:8-20).
A Ceia do Senhor é a nossa Páscoa, a Páscoa da Igreja, tendo sido instituída pelo próprio Cristo, com o mesmo intuito de relembrar, só que não relembrar a Páscoa do Egito (mesmo que esta venha à nossa mente, o que é bom), mas sim relembrarmos a sua morte vicária em nosso favor (Lc 22:19; 1 Co 11:23-26). Não necessitamos para se celebrar a Páscoa de fazer que nem fora instituído aos judeus, não precisamos sacrificar um cordeiro sem mácula no décimo quarto dia do mês judaico do Abibe, nem comermos dos pães asmos (sem fermento) e das ervas amargosas, muito menos devemos nos abster de carne como prega o catolicismo romano, até pela razão de a páscoa judia ter sido celebrada com carne assada, como bem ficou exposto até o momento, além de o próprio Deus ter ordenado que não sobrasse nada da carne do cordeiro (Êx 12:9,10); lembre-se ainda que o Rei Josias doou ao povo de Israel para o sacrifício da Páscoa 30 mil cabritos e cordeiros, além de 3 mil bois, também do Rei, sem falar (mas já falando) das ofertas dos príncipes do Rei, que ofertaram também 2.600 reses de gado miúdo, além das ofertas dos chefes dos levitas, que fora de 5 mil reses de gado e 500 bois (cf. 2 Cr 35:7-9)! E tome carne! A abstinência ou não de carne na Páscoa é irrelevante, o erro recai na proibição, como já fora exposto aqui (1 Tm 4:3). O jejum e consagração devem ser voluntários, não forçados e que não se torne conhecido do público, com o fim de ostentação pessoal (1 Co 7:5; Lc 2:37; 18:12; At 14:23; Mt 6:16-18).
A nossa Páscoa, como já fora dito, é Jesus. Celebramos a memória de Cristo toda vida que realizamos a Ceia do Senhor. Devemos celebrar a nossa Páscoa sobre o crivo de 1 Co 11:23-34, sendo bem sintetizado por Paulo em 1 Co 5:8: “Por isso façamos a festa, não com o fermento velho, nem com o fermento da maldade e da malícia, mas com os ázimos da sinceridade e da verdade”. Toda Ceia é Páscoa! Toda semana é santa, todo dia é santo “Em santidade e justiça perante ele, todos os dias da nossa vida” Lc 1:75 (cf. Lc 9:23; At 2:46; Hb 3:13). Devemos andar em santidade, retidão e temor todos os dias de nossas vidas. Celebrarmos a Páscoa de um modo especial na “semana santa” não é pecado nem errado; podemos usar desta data para relembrarmos (assim como fazemos em toda Santa Ceia) o sacrifício de Cristo em nosso favor, a nossa liberdade do cativeiro do pecado, a fidelidade de Deus para com os judeus, o poder com o qual Deus libertou o povo hebreu; agora, o que não vale mesmo é aderirmos a práticas e tradições humanas (oriundas de culturas não cristãs e judaicas) sem nenhum respaldo bíblico, como são o “ovo da Páscoa” e o “coelho da Páscoa” (frise-se que coelho não põe ovos!), que não passam de símbolos que só vem a roubar o espaço da Páscoa que é unicamente de Cristo, além de não passarem de objetos comerciais, apoiados pelas indústrias que lucram com a data da Páscoa.
Atualmente os judeus continuam a celebrar a Páscoa (chamada de Seder), mesmo com algumas alterações do modo vero-testamentário, aonde não se tem mais o Templo em Jerusalém para a celebração nacional da festa no mesmo (cf. Dt 16:1-6), além de não ser celebrada com o cordeiro assado (cf. Êx 12:9). Mesmo assim ainda ocorre a reunião familiar para a celebração da data, aonde os membros da família retiram-se cerimonialmente das casas e o pai da família narra toda a história do êxodo judeu, conforme os Santos Escritos.
Desejo a todos uma ótima Páscoa! Não somente nessa “semana santa”, mas por toda a nossa vida, adentrando no reino eterno do Cordeiro “Bem-aventurados aqueles que são chamados à ceia das bodas do Cordeiro” Ap 19:9.
Anchieta Campos
A Páscoa é uma das três festas (conhecidas como ‘festas dos peregrinos’) em que todos os judeus estavam obrigados a participar, juntamente com a festa do Pentecostes e dos Tabernáculos, aonde após a construção do Templo o Senhor ordenou que a Páscoa fosse celebrada em Jerusalém (cf. Dt 16:1-6); antes do Templo os judeus celebravam a Páscoa em suas casas, aonde os pais relembravam e contavam aos seus filhos o milagroso evento da Páscoa, como o destruidor poupou aos hebreus (cf. Êx 12:23-27).
No ano (aproximado) de 1445 a.C., após mais de quatrocentos anos de escravidão no Egito, Deus, por sua infinita graça e amor, resolve libertar o seu povo dessa situação humilhante; para tanto o Senhor sucinta Moisés como líder e libertador do povo judeu e como um “porta-voz” Seu, tanto para os judeus quanto para Faraó. Moisés sob as ordens e autoridade de Deus conclama Faraó a libertar o povo judeu, aonde o mesmo nega-se a tal, seguindo-se assim sucessivas pragas, aonde sempre ao cessar de cada uma delas Faraó voltava atrás e não libertava o povo hebreu (ver o meu post Faraó, predestinação e livre arbítrio). Chegou então o momento da décima e derradeira praga se manifestar, que era a morte de todo o primogênito na terra do Egito, tanto de homens como de animais (cf. Êx 12:12). Mas Deus, para livrar os primogênitos de Israel, instituiu um sinal para o povo hebreu, que os livraria da praga da mortandade dos primogênitos: cada casa deveria tomar para si um cordeiro (se a família fosse pequena para um cordeiro, poderia juntar-se com o vizinho), aonde o cordeiro ou o cabrito deveria ser sem mácula, macho de um ano, sendo sacrificado ao decido quarto dia do primeiro mês, o mês de Abibe, também conhecido como Nisã, que corresponde no nosso calendário gregoriano entre 22 de março e 25 de abril (a data exata do décimo quarto dia de Abibe varia em razão do calendário judeu ser lunar, enquanto o cristão -gregoriano- ser solar); com o sacrifício do cordeiro os hebreus deveriam tomar do seu sangue e passá-lo sobre as ombreiras e na verga da porta de cada casa judia que havia comido do cordeiro; a carne deveria ser comida somente assada e com pães asmos (sem fermento) e ervas amargosas; a ordem era para ser comido todo o cordeiro, mas caso ficasse algo, deveria ser queimado no fogo; sendo assim, o sangue do cordeiro seria por sinal ao Senhor, que pouparia os primogênitos da casa aonde visse o sangue (todo esse cenário conforme Êx 12:1-13). Esta é a Páscoa do Senhor. É claro que o Senhor sabia qual casa era ou não de hebreus, mas todo este cenário serviria justamente para ensinar a obediência ao Senhor, além de ensinar e apontar sobre algo futuro. Por fim o Senhor estabelece a festa da Páscoa como memória, devendo ser realizada anualmente pelos judeus, perpetuamente, no dia quatorze do primeiro mês, na primavera judaica (cf. Êx 12:14; Lv 23:4,5; Nm 9:1-14; 28:16; Dt 16:1-6).
A Páscoa, portanto, fora o evento que marcou a libertação do povo hebreu do Egito e o dia em que foram poupados por Deus do seu justo juízo contra o pecado. E é justamente esse o sentido da palavra Páscoa, do hebraico pesah, que significa “pular além da marca”, “passar por cima”, “poupar”.
Agora, nós aprendemos com a Bíblia que o Novo Testamento, a Nova e Eterna Aliança, nos concede o perfeito entendimento das sombras e alegorias que se encontram no Antigo Testamento (cf. Jo 3:14; Gl 3:15-29; 4:21-31; Cl 2:17; Hb 8:5-13; 9:1-12; 10:1). Assim nós podemos perfeitamente realizar um paralelo entre a Páscoa judia e o sacrifício de Cristo, o qual é o Cordeiro de Deus, sem pecado e sem mácula (2 Co 5:21; Hb 4:15), que morreu pelos nossos pecados (Rm 5:6; Rm 8:34; 1 Co 15:3), aquele Cordeiro que tira o pecado do mundo (Jo 1:29,36), sendo o seu sangue puro e sem pecado a causa da nossa justiça e salvação, nos livrando do juízo que Deus realiza contra o pecado (1 Pe 1:18,19; 1 Jo 1:7; Ap 1:5; 5:9; 7:14; 12:11; Hb 9:12-26; 10:19; 13:12,20; Cl 1:14,20; Ef 1:7; Rm 3:25; 5:9).
Cristo, verdadeiramente, é a nossa Páscoa: “Alimpai-vos, pois, do fermento velho, para que sejais uma nova massa, assim como estais sem fermento. Porque Cristo, nossa páscoa, foi sacrificado por nós” 1 Co 5:7; o fato de Jesus ter sido crucificado na Páscoa (Mt 26:2; Mc 14:1) já nos mostra a relação simbólica e de efeito entre a Páscoa judia do Egito e o sacrifício de Cristo em nosso favor. Cristo é a nossa libertação do cativeiro do Egito, do cativeiro da escravidão do pecado! Seu sangue puro vertido em seu sacrifício nos garante o livramento da condenação do pecado! Sua morte e ressurreição nos garante uma nova vida cheia de esperança, liberdade e paz, e não mais uma vida de condenação e escravidão que tínhamos no Egito do pecado!
Jesus, como perfeito judeu que fora, realizou a Páscoa em sua vida (Jo 2:13,23). Jesus fora com seus pais a Jerusalém quando tinha seus 12 anos de idade, justamente para celebrar a Páscoa (Lc 2:41,42). A própria Ceia que Jesus realizou com os seus discípulos em Jerusalém, pouco antes de ser preso e crucificado, foi uma refeição da Páscoa (Mt 26:17-28; Mc 14:12-26; Lc 22:8-20).
A Ceia do Senhor é a nossa Páscoa, a Páscoa da Igreja, tendo sido instituída pelo próprio Cristo, com o mesmo intuito de relembrar, só que não relembrar a Páscoa do Egito (mesmo que esta venha à nossa mente, o que é bom), mas sim relembrarmos a sua morte vicária em nosso favor (Lc 22:19; 1 Co 11:23-26). Não necessitamos para se celebrar a Páscoa de fazer que nem fora instituído aos judeus, não precisamos sacrificar um cordeiro sem mácula no décimo quarto dia do mês judaico do Abibe, nem comermos dos pães asmos (sem fermento) e das ervas amargosas, muito menos devemos nos abster de carne como prega o catolicismo romano, até pela razão de a páscoa judia ter sido celebrada com carne assada, como bem ficou exposto até o momento, além de o próprio Deus ter ordenado que não sobrasse nada da carne do cordeiro (Êx 12:9,10); lembre-se ainda que o Rei Josias doou ao povo de Israel para o sacrifício da Páscoa 30 mil cabritos e cordeiros, além de 3 mil bois, também do Rei, sem falar (mas já falando) das ofertas dos príncipes do Rei, que ofertaram também 2.600 reses de gado miúdo, além das ofertas dos chefes dos levitas, que fora de 5 mil reses de gado e 500 bois (cf. 2 Cr 35:7-9)! E tome carne! A abstinência ou não de carne na Páscoa é irrelevante, o erro recai na proibição, como já fora exposto aqui (1 Tm 4:3). O jejum e consagração devem ser voluntários, não forçados e que não se torne conhecido do público, com o fim de ostentação pessoal (1 Co 7:5; Lc 2:37; 18:12; At 14:23; Mt 6:16-18).
A nossa Páscoa, como já fora dito, é Jesus. Celebramos a memória de Cristo toda vida que realizamos a Ceia do Senhor. Devemos celebrar a nossa Páscoa sobre o crivo de 1 Co 11:23-34, sendo bem sintetizado por Paulo em 1 Co 5:8: “Por isso façamos a festa, não com o fermento velho, nem com o fermento da maldade e da malícia, mas com os ázimos da sinceridade e da verdade”. Toda Ceia é Páscoa! Toda semana é santa, todo dia é santo “Em santidade e justiça perante ele, todos os dias da nossa vida” Lc 1:75 (cf. Lc 9:23; At 2:46; Hb 3:13). Devemos andar em santidade, retidão e temor todos os dias de nossas vidas. Celebrarmos a Páscoa de um modo especial na “semana santa” não é pecado nem errado; podemos usar desta data para relembrarmos (assim como fazemos em toda Santa Ceia) o sacrifício de Cristo em nosso favor, a nossa liberdade do cativeiro do pecado, a fidelidade de Deus para com os judeus, o poder com o qual Deus libertou o povo hebreu; agora, o que não vale mesmo é aderirmos a práticas e tradições humanas (oriundas de culturas não cristãs e judaicas) sem nenhum respaldo bíblico, como são o “ovo da Páscoa” e o “coelho da Páscoa” (frise-se que coelho não põe ovos!), que não passam de símbolos que só vem a roubar o espaço da Páscoa que é unicamente de Cristo, além de não passarem de objetos comerciais, apoiados pelas indústrias que lucram com a data da Páscoa.
Atualmente os judeus continuam a celebrar a Páscoa (chamada de Seder), mesmo com algumas alterações do modo vero-testamentário, aonde não se tem mais o Templo em Jerusalém para a celebração nacional da festa no mesmo (cf. Dt 16:1-6), além de não ser celebrada com o cordeiro assado (cf. Êx 12:9). Mesmo assim ainda ocorre a reunião familiar para a celebração da data, aonde os membros da família retiram-se cerimonialmente das casas e o pai da família narra toda a história do êxodo judeu, conforme os Santos Escritos.
Desejo a todos uma ótima Páscoa! Não somente nessa “semana santa”, mas por toda a nossa vida, adentrando no reino eterno do Cordeiro “Bem-aventurados aqueles que são chamados à ceia das bodas do Cordeiro” Ap 19:9.
Anchieta Campos
Assinar:
Postagens (Atom)
