segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Uma breve palavra sobre o carnaval

O carnaval já passou, e na verdade eu nem iria tecer comentário algum sobre o tema, mas ao ouvir um vizinho meu dizer neste domingo: “os ‘crente’ fizeram um culto perto de casa, e ‘tavam’ acabando com o carnaval, dizendo que é coisa do diabo. O carnaval é do povo! Eles só querem ser os ‘certo’, só querem ser santos”, não me segurei e fui tentado a escrever algo (antes tarde do que nunca!).

Pois bem, irei tecer aqui um breve comentário sobre esta festa, o carnaval.

O carnaval como o conhecemos hoje é uma festa religiosa, mais precisamente da Igreja Católica Romana (oficializada em 590 pelo Papa Gregório I), iniciando na sexta e se encerrando na terça que precede a quarta-feira de cinzas, que marca o início da Quaresma (que será objeto de uma análise mais adiante, em outro post). A data é marcada por festas promíscuas, incentivando as bebedices, glutonarias, libertinagem sexual, enfim, uma verdadeira festa da carne, com total apoio e respaldo da Igreja Romana, sendo inclusive por causa dela, a “toda-poderosa”, que essa festa ainda é feriado em nosso país, que se diz laico, mas na prática é romanista, pelos muitos feriados religiosos do Vaticano que fazem morada em nosso calendário civil anual.

O sentido da palavra “carnaval”, provavelmente derivada do latin “carnelevarium” (eliminação da carne), ou “carne vale” (adeus carne), aonde o objetivo central era realmente “eliminar a carne”, usando-a ao extremo em seus prazeres e deleites, para depois entrar no período triste da quaresma com a quarta-feira de cinzas. Ou seja, caía-se no pecado, nos prazeres carnais, para depois se santificar no período da Quaresma, para terem os seus pecados perdoados dos erros que cometeram no carnaval. É aquela coisa: vamos pecar bem muito e depois nos purificamos na Quaresma. Isso é demais mesmo! Uma verdadeira piada!

O carnaval provavelmente tem suas raízes mais antigas dos “Ritos da Fertilidade da Primavera Pagã”, na Festa de Osíris no Egito, há aproximadamente seis mil anos atrás, aonde o evento marcava o recuo das águas do Nilo, regrada com danças, festas e pessoas mascaradas. Existem registros que apontam para a prática entre os gregos, entre os anos de 625 e 507 a.C., com festas em dedicação ao deus Dionísio, por ocasião da volta da primavera, regradas com muita bebida e sexo. Os Carnavais vieram a alcançar o auge de distúrbio, desordem, excesso, libertinagem e desperdícios, junto com a Bacchanalia Romana e a Saturnalia, festas em homenagem aos deuses romanos Baco e Saturno. Estes festejos eram de tamanha importância que até mesmo tribunais e escolas paralisavam suas funções durante o evento, além de escravos serem alforriados. As pessoas saíam às ruas para dançar, aonde a euforia era geral, com os escravos e a classe menos favorecida da cidade saindo pelas ruas em clima de badernagem e rebeldia contra o Estado e a sociedade. Na abertura dessas festas ao deus Saturno, carros buscando semelhança a navios saíam na “avenida”, com homens e mulheres nus como “enfeites”. Estes eram chamados de “carrum navalis”, aonde muitos dizem que daí saiu a expressão “carnevale”, vindo a surgir a expressão carnaval, mas esta explicação quanto a origem do nome carnaval não é muito forte. O fato dentre todos estes registros históricos é que as origens do carnaval sempre estiveram ligadas a festas relacionadas a eventos da natureza, astronômicos e a cultos a deuses pagãos.

Durante a Idade Média a Igreja tentou controlar as comemorações, chegando inclusive a ter papas algumas vezes como patronos, como por exemplo, no século XV, aonde o Papa Paulo II contribuiu para a ‘evolução’ do carnaval, imprimindo uma mudança estética ao introduzir o baile de máscaras, quando o mesmo permitiu que em frente ao seu palácio, na Via Lata, se realizasse o carnaval romano. Como a Igreja proibira as manifestações sexuais no festejo, novas manifestações adquiriram forma, como as corridas, desfiles, fantasias, deboches e morbidez. Estava então reduzido o carnaval à celebração ordeira, de caráter artístico, com bailes e desfiles alegóricos. Mas existiram também os que bateram de frente com a celebração da festa, como o Papa Inocêncio II. Mas lá no fundo, as manifestações nada santas nunca deixaram de existir e nunca na prática foram condenadas pela Igreja Romana medieval e principalmente a atual, como bem prova o carnaval nacional brasileiro, com total apoio da Igreja Romana aqui no Brasil. Na idade medieval a Igreja Romana não iria arriscar perder muitos fiéis por causa da proibição da festa do carnaval, herdada pela Roma-pagã; então, fizera-se como o Natal, misturou-se cristianismo e paganismo, e “cristianizou-se” o carnaval. No ano de 1091, a data da Quaresma foi definitivamente estabelecida pela Igreja Católica, tendo como conseqüência indireta disso o estabelecimento do período do Carnaval na sociedade ocidental.

Os demais detalhes do carnaval, características regionais e outras, foram evoluindo com o tempo em suas respectivas regiões, cada qual com sua peculiaridade, mas todas as festas com algo em comum: o apoio da Igreja Católica Romana, o espírito de rebeldia, libertinagem, bebedices e glutonarias, enfim, uma verdadeira festa da carne e do pecado.

Um fato interessante é que a Igreja Católica apóia o carnaval, e oficialmente, pelo menos em tese, não vê mal algum na celebração do mesmo, mas todavia os Carismáticos Católicos se afugentam do período em retiros Brasil afora. Que contradição dentro da “unida” Igreja Católica!

No demais, lembremo-nos das palavras de Paulo, aonde ele diz em Rm 14:17 que “o reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo”, além de condenar a perdição eterna os participantes de bebedices e glutonarias (Gl 5:21). Quanto as impurezas sexuais do período do carnaval, a Bíblia é bem clara, podendo se aprofundarem mais no assunto ao lerem meu post O cristão e a sexualidade.

Por fim, encerro com as palavras do Apóstolo João em 1 Jo 2:15,16 “Não ameis o mundo, nem o que no mundo há. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele. Porque tudo o que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não é do Pai, mas do mundo”.

Portanto, como bem disse o meu vizinho, o carnaval é do povo sim, mas do povo que está sem Deus e afundado no pecado e na ignorância, verdadeiros escravos de Satanás, precisando os mesmos urgentemente se voltarem para Cristo com um coração arrependido, deixando os seus pecados, para poderem gozar do refrigério da salvação (At 3:19).

Anchieta Campos

2 comentários:

Anônimo disse...

A paz do Senhor,
deixo só um versículo para meditação:

Gal.6:8-Porque o que semeia na sua carne, da carne ceifará a corrupção; mas o que semeia no Espírito, do Espírito ceifará a vida eterna.

Vitor Hugo da Silva disse...

A paz do Senhor irmão Anchieta!

Belo artigo!

Estava lendo o seu perfil, e reparei que você é colunista de um portal chamado NUNE, em São Francisco do Sul, aqui em Santa Catarina. Esta cidade litorânea fica a 45 km da minha cidade, Joinville. Você conhece alguém aqui em Santa Catarina?

Meu e-mail para contato: vitorhugo@fcj.com.br

Deus o abençoe!
Vitor Hugo.