domingo, 31 de agosto de 2008

Não toqueis nos meus ungidos?

Atendendo ao pedido formulado pelo irmão Daniel nos comentários do artigo Voz da Verdade, Marco Feliciano e heresias S.A., publico algo em meu blog referente à célebre frase dita por muitos pregadores, pastores e cantores dos nossos tempos: “Não toqueis nos meus ungidos”.

Esta frase está sendo usada, realmente, de um modo abusivo e deturpativo por muitas pessoas que querem implantar na cabeça de quem os escuta um sentido que a Palavra de Deus não os autoriza a ensinar. Querem fixar na cabeça da membresia da igreja que certas pessoas são intocáveis, inquestionáveis, estão sob uma autoridade singular e acima em todos os sentidos dos membros que são hierarquicamente inferiores. Quanta prepotência! Como diria o pastor presbiteriano de origem grega, Alexandros Meimaridis, tudo isto não passa de um abuso espiritual.

Esclareço apenas aos leitores, em especial ao irmão Daniel que me pediu esta postagem, que não irei aqui, neste momento, usar palavras minhas neste artigo. O motivo é que tenho sido alvo de comentários anônimos (que sei de onde provém e o fato motivador dos mesmos) de pessoas que tem me acusado de ser jovem, ser novo convertido, não ser ninguém apto e qualificado para ensinar, ser um jovem que não conhece a doutrina assembleiana e muito menos a doutrina bíblica, além de muitas outras acusações; tudo isto por eu apenas ter escrito sobre assuntos não tão diretos como este (não toqueis nos meus ungidos), imagine se eu usasse palavras minhas para esclarecer o erro de certas pessoas que usam a frase “não toqueis nos meus ungidos!” no errôneo sentido em que é usada pela maioria das pessoas que falam nos púlpitos. Seria simplesmente excomungado!

Sendo assim, e em virtude de já existirem alguns ótimos estudos sobre este tema circulando pela internet, faço uso de um artigo do meu amigo e irmão em Cristo, o pastor e escritor assembleiano Ciro Sanches Zibordi (editor do http://cirozibordi.blogspot.com), artigo este que tem o mesmo título deste meu. Ciro Sanches é pastor na Assembléia de Deus em Cordovil, Rio de Janeiro-RJ, ministério que tem como vice-presidente o mestre Antônio Gilberto. Ministrou Hermenêutica, Exegese, Homilética, Teologia Sistemática e várias outras matérias durante dez anos na FAESP (cujo diretor-executivo é o pastor José Wellington Bezerra da Costa), em São Paulo-SP. Atuou na CPAD (Rio de Janeiro-RJ) como gerente de informática e editor de obras nacionais. É também autor dos livros “Perguntas Intrigantes que os Jovens Costumam Fazer” (2003), “Adolescentes S/A” (2004), “Erros que os Pregadores Devem Evitar” (2005), “Evangelhos que Paulo Jamais Pregaria” (2006), “MAIS Erros que os Pregadores Devem Evitar” (2007), todos editados pela CPAD, sendo as três últimas obras citadas campeãs de venda na CPAD. Além disso, é co-autor e editor-assistente da obra “Teologia Sistemática Pentecostal”, a ser lançada pela CPAD. Ciro fora separado para o santo ministério em 1997, pela Assembléia de Deus do Belenzinho, em São Paulo-SP, por indicação do saudoso pastor Valdir Nunes Bícego.

Fiz questão de detalhar quem é o pastor Ciro Sanches, para que certas pessoas (que julgam serem intocáveis e donas da igreja que lideram), antes de virem me acusar de ser neófito, jovem, ignorante quanto à doutrina da Assembléia de Deus e principalmente da doutrina bíblica, vejam realmente os fatos como são. Talvez assim certas pessoas se toquem e reconheçam seus erros ante a autoridade suprema da Palavra de Deus. Amém.

Eis o artigo:

“A frase bíblica “Não toqueis nos meus ungidos” (Sl 105.15) tem sido empregada para os mais variados fins. Maus obreiros e falsos profetas se valem dela para ameaçar seus críticos; crentes mal-orientados usam-na para defender certos “ungidos”; e outros ainda a empregam para reforçar a idéia de que não cabe aos servos de Deus julgar ou criticar heresias e práticas antibíblicas.

Quando examinamos o contexto da frase acima, vemos que ela está longe de ser uma regra geral. Uma leitura atenta do Salmo 105 não nos deixa em dúvida: os ungidos mencionados são os patriarcas Abraão, Isaque, Jacó (Israel) e José (vv.9-17). Ademais, o título “ungido do Senhor” refere-se tipicamente, no Antigo Testamento, aos reis de Israel (1 Rs 12.3-5; 24.6-10; 26.9-23; Sl 20.6; Lm 4.20) e aos patriarcas, em geral (1 Cr 16.15-22).

Conquanto a frase não encerre um princípio geral, podemos, por analogia, afirmar que Deus, na atualidade, protege os seus ungidos assim como cuidou dos seus servos mencionados no Salmo 105. Mesmo assim, não devemos presumir que todas as pessoas que se dizem ungidas de fato o sejam. Lembre-se do que o Senhor Jesus disse acerca dos “ungidos”: “Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! Entrará no Reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus” (Mt 7.21).

É claro que a Bíblia apóia e esposa o pensamento de que o Senhor cuida dos seus servos e os protege (1 Pe 5.7; Sl 34.7). Mas isso se aplica aos que verdadeiramente são ungidos, e não aos que parecem, pensam ou dizem sê-lo (Mt 23.25-28; Ap 3.1; 2.20-22). Afinal, “O Senhor conhece os que são seus, e qualquer que profere o nome de Cristo aparte-se da iniqüidade” (2 Tm 2.19).

Quando Paulo andou na terra, havia muitos “ungidos” ou que aparentavam ter a unção de Deus (2 Co 11.1-15; Tt 1.1-16). O imitador de Cristo nunca se impressionou com a aparência deles (Cl 2.18,23). Por isso, afirmou: “E, quanto àqueles que pareciam ser alguma coisa (quais tenham sido noutro tempo, não se me dá; Deus não aceita a aparência do homem), esses, digo, que pareciam ser alguma coisa, nada me comunicaram” (Gl 2.6).

Aparência, popularidade, eloqüência, títulos, status, anos de ministério... Nada disso denota que alguém esteja sob a unção de Deus e imune à contestação à luz da Palavra de Deus. Muitos enganadores, ao serem questionados quanto às suas pregações e práticas antibíblicas, têm citado a frase em análise, além do episódio em que Davi não quis tocar no desviado rei Saul, que fora ungido pelo Senhor (1 Sm 24.1-6). Mas a atitude de Davi não denota que ele tenha aprovado as más obras daquele monarca.

Se alguém, à semelhança de Saul, foi um dia ungido por Deus, não cabe a nós matá-lo espiritualmente, condená-lo ao Inferno. Entretanto, isso não significa que devamos silenciar ou concordar com todos os seus desvios do evangelho (Fp 1.16; Tt 1.10,11). O próprio Jônatas reconheceu que seu pai turbara a terra; e, por essa razão, descumpriu, acertadamente, as suas ordens (1 Sm 14.24-29).

O texto de Salmos 105.15 em nenhum sentido proíbe o juízo de valor, o questionamento, o exame, a crítica, a análise bíblica de ensinamentos e práticas de líderes, pregadores, milagreiros, cantores, etc. Até porque o sentido de “toqueis” e “maltrateis” é exclusivamente quanto à inflição de dano físico.

É curioso como certos “ungidos”, ao mesmo tempo que citam o aludido bordão em sua defesa — quando as suas práticas e pregações são questionadas —, partem para o ataque, fazendo todo tipo de ameaças. O show-man Benny Hinn, por exemplo, verberou: “Vocês estão me atacando no rádio todas as noites — vocês pagarão e suas crianças também. Ouçam isto dos lábios dum servo de Deus. Vocês estão em perigo. Arrependam-se! Ou o Deus Altíssimo moverá sua mão. Não toqueis nos meus ungidos...” (citado em Cristianismo em Crise, CPAD, p.376).

Quem são os verdadeiros ungidos, os quais, mesmo não se valendo da frase citada, têm de fato a proteção divina, até que cumpram a sua vontade? São os representantes de Deus que, tendo recebido a unção do Santo (1 Jo 2.20-27), preservam a pureza de caráter e a sã doutrina (Tt 1.7-9; 2.7,8; 2 Co 4.2; 1 Tm 6.3,4). Quem não passa no teste bíblico do caráter e da doutrina está, sim, sujeito a críticas e questionamentos (1 Tm 4.12,16).

Infelizmente, muitos líderes, pregadores, cantores e crentes em geral, considerando-se ungidos ou profetas, escondem-se atrás do bordão em análise e cometem todo tipo de pecado, além de torcerem a Palavra de Deus. Caso não se arrependam, serão réus naquele grande Dia! Os seus fabulosos currículos — “profetizamos”, “expulsamos”, “fizemos” — não os livrarão do juízo (Mt 7.21-23).

Portanto, que jamais aceitemos passivamente as heresias de perdição propagadas por pseudo-ungidos, que insistem em permanecer no erro (At 20.29; 2 Pe 2.1; 1 Tm 1.3,4; 4.16; 2 Tm 1.13,14; Tt 1.9; 2.1). Mas respeitemos os verdadeiros ungidos (Hb 13.17), que amam o Senhor e sua Santa Palavra, os quais são dádivas à sua Igreja (Ef 4.11-16).

Quanto aos que, diante do exposto, preferirem continuar dizendo — presunçosamente e sem nenhuma reflexão — “Não toqueis nos meus ungidos”, dedico-lhes outro enunciado bíblico: “Não ultrapasseis o que está escrito” (1 Co 4.6, ARA). Caso queiram aplicar a si mesmos a primeira frase, que cumpram antes a segunda!

Ciro Sanches Zibordi”.

Artigo perfeito em seu objetivo, qual seja, esclarecer o sentido bíblico da frase “não toqueis nos meus ungidos”, mostrando o que caracteriza os verdadeiros ungidos, quais sejam, aqueles que escolhem honrar e guardar a Palavra de Deus acima de tudo e de todos, estes são os ungidos, os escolhidos e guardados pelo Senhor.

Portanto, quem se sentir tocado pelo o que fora publicado aqui, não se queixem comigo, mas com o pastor e escritor Ciro Sanches Zibordi. Creio que não terão coragem de peitá-lo.

Quem quiser saber mais sobre o assunto ler também o artigo ABUSO ESPIRITUAL - Não Toqueis nos Meus Ungidos, de autoria do já citado pastor presbiteriano Alexandros Meimaridis.

Sola Scriptura!

No amor de Cristo, com temor e zelo pela Igreja do Senhor,

Anchieta Campos

8 comentários:

james disse...

Graça e paz vos sejam multiplicadas, pelo conhecimento de Deus, e de Jesus nosso Senhor, amado irmão Anchieta!

Uma palavra capciosa que tem circulado nos últimos anos é ‘ungido’, a qual geralmente é usada junto com frases assim: “não toqueis nos meus ungidos”, ‘Estou sentindo a unção!’, ‘Ele/ela é ungido para pregar a Palavra’, ou então ‘Sou um apóstolo, um profeta ungido’ e outros termos igualmente melosos.

O que não falta nos dias de hoje é encontramos profetas e apóstolos, auto-nomeados, usando este verso, num esforço de auto-exaltação, de pertencer a uma classe especial de ‘ungidos de Deus’, dizendo que ninguém ouse questionar o que eles estão ensinando, sabendo que em geral eles pregam o falso Evangelho, em vez do verdadeiro, e temem ser desafiados em suas falsidades.

O que falta é humildade bastante para entender a depravação humana.

Observem como Deus é maravilhoso, quando declara que todos os nossos pecados são lavados no sangue do Cordeiro e que todos nós somos iguais diante dEle. “Nisto não há judeu nem grego; não há servo nem livre; não há macho nem fêmea; porque todos vós sois um em Cristo Jesus” (Gálatas 3:28).

Fraternalmente.
James.
www.jesusmaioramor.blogspot.com

Anchieta Campos disse...

Caro amigo e irmão em Cristo, James, a paz do Senhor!

Seu comentário fora uma ótima intervenção.

Como bem disse o amado, se esses "ungidos" entendessem a doutrina da depravação universal do homem, eles não ousariam se auto-colocar como superiores aos demais. No final, todos nós somos pecadores carentes da graça de Deus, e isto já era para ser motivo suficiente para ninguém querer ser mais especial que outros.

Que Deus ilumine a mente destes falsos ungidos, que como bem disse o irmão, que eles possam reconhecer seus erros e perceber que os verdadeiros ungidos são aqueles que servem e honram a Deus e a Sua Palavra.

Abraços fraternos meu caro irmão. Obrigado pela sua excelente e honrosa participação.

Soli Deo Gloria!

Anchieta Campos

Daniel disse...

Post sublime. Estratégia perfeita. O que os surtados que deturpam a Palavra dirão agora? Às vezes percebo que a maioria dos crentes não percebe sobre o quê o Evangelho realmente é: além de ser mensagem de salvação, de cura, de uma nova vida, é também um espelho colocado à nossa frente para mostrar quem realmente somos. Sim, o Evangelho é confrontação. E como a maioria esmagadora dos seres humanos (incluindo aí os crentes) não gostam de serem confrontados consigo mesmos, fogem do Evangelho, como o vampiro foge da cruz. Porém como percebem que precisam de Jesus, mas recusam a confrontação, bolam suas teorias mirabolantes, inovando no Evangelho e criando o sincretismo religioso NOJENTO que se vê na maioria das igrejas evangélicas. É uma pena. Enquanto isso, mais almas incrédulas graças ao nosso testemunho inadequado caminham para o inferno...

Anchieta Campos disse...

Caro irmão Daniel, a paz do Senhor.

É bom ver que o amado já leu o post cujo "pai" fora o irmão.

Suas palavras foram bem colocadas, mostrando realmente o espírito da coisa, qual seja, que o Evangelho não apenas mostra quem poderemos ser futura e eternamente no céu por graça do nosso Deus, mas mostra-nos também quem somos enquanto homens viventes nesta vida.

A Palavra não nos ensina que quando aceitamos Jesus como salvador de nossas vidas deixaremos de sermos homens pecadores e falhos (ou atingindo um nível de superioridade em relação a demais pessoas), mas Ela nos ensina que existem doutrinas, fundamentos de fé, princípios de vida, os quais não podem ser negados por aquela pessoa que se julga como crente em Cristo e na Bíblia, pois estaria-se incorrendo em deturpar o próprio Deus, O qual fala para com o homem por intermédio de sua Santa Palavra escrita.

E qual o resultado de toda esta bagunça doutrinária (o verdadeiro sincretismo citado pelo irmão)? Escândalos, ímpios descendo a "ripa" nas igrejas evangélicas, enfim, almas que caminham, infelizmente, a passos largos para a perdião eterna, por causa de uma falta de apego à Palavra de Deus. Isto é muito, mas muito triste mesmo.

Obrigado pela sua rica participação caro irmão Daniel. Sinta-se sempre bem para participar. Deus o abençoe cada vez mais.

Abraços fraternos.

Anchieta Campos

Marcelo Oliveira disse...

Paz do Senhor! irmão Anchieta Campos!

Se tomarmos como exemplo o rei Davi que foi ungido verdadeiramente três vezes(I Samuel 16.1,12-13, II Samuel 2.4 e II Samuel 5.1-5) um homem segundo o coração de Deus (I Samuel 13.14) o SENHOR que ama a justição e não tolera a iniquidade usou a Natã o profeta para o repreendê-lo pelo
pecado com Bate-Seba (II Samuel 11.2-4). Davi sendo ungido três vezes não ficou isento de crítica quando estava em pecado. O SENHOR nos nossos dias NÃO MUDOU (Sl 90.2 ,Hb 13.8) e não deixara os seus ungidos ou "ungidos" sem a devida correção (Hb 12.6).

Que Deus te abençõe mais e mais (Nm 6.24-26)

http://blogdomarcelooliveira.blogspot.com/

Anchieta Campos disse...

Caro irmão Marcelo Oliveira, a paz do Senhor.

Obrigado pela sua participação e rica colaboração. Sinta-se sempre bem para colaborar.

Realmente Deus é um amante da justiça. Na verdade Ele é a essência da justiça. Esta verdade já faz desmoronar qualquer pretensão destes "ungidos" quererem ser intocáveis ou irrepreensíveis.

Abraços fraternos! Deus o abençoe e use grandemente!

Anchieta Campos

Jesser Medeiros disse...

Olá
Graça e paz
Revirando a rede dei de cara com seu post sobre "O Ungido do Senhor". É muito salutar que questões como essa sejam levantadas, para que se abram os olhos daqueles que iludidos ou não, defendem essa funesta teologia canhestra.Postei no meu site um artigo de minh autoria onde abordo essa temática e que me custou a cabeça. Mas isso são coisas pequenas se conssideramos que o nosso lucro não está aqui.( http://www.oatalaia.com/estudos/pastor.htm)
Grande a braço e siga em frente

Anchieta Campos disse...

Caro irmão Jesser Medeiros, a paz do Senhor.

Muito me honra e motivas sua visita e palavras.

Parabéns pela coragem em escrever sobre um tema tão espinhoso como este. Com certeza a nossa recompensa e alvo não estão nesta terra, ou seja, o homem (pastor corrompido) não pode roubá-la de nós.

Forte abraço e que Deus o abençoe e use grandemente!

Anchieta Campos