domingo, 8 de julho de 2012

O cristão e o vinho – O que a bíblia ensina sobre a bebida alcoólica?

O meio protestante (ou evangélico, como queiram) é notadamente o seguimento da cristandade mais voltado para o estudo e a observância da Bíblia Sagrada. Desde a época da Reforma Protestante que o próprio conhecimento em si (em suas mais variadas vertentes científicas e filosóficas) ganhou força e desenvolvimento no mundo, sendo a Reforma – com seus teólogos reformadores – uma das principais responsáveis pelo desenvolvimento da literatura alemã, inglesa, francesa, e etc., por intermédio da tradução da Bíblia para essas e outras línguas.

A cada ano que se passa o conhecimento teológico só vem sendo cada vez mais lapidado e aperfeiçoado no segmento reformado da cristandade, com uma expansão de produções teológicas e de um acervo de literatura bíblica sempre ascendente. Hoje são inúmeras as editoras evangélicas espalhadas pelo Brasil e pelo mundo, dotadas de uma boa safra de teólogos altamente gabaritados e preparados na Sagrada Escritura.

Porém, ainda que o mais raso estudioso da teologia tenha conhecimento do fundamento bíblico do princípio da Sola Scriptura, ainda não raro encontramos certos temas relativamente “complicados” de serem tratados e abordados de um modo puro e imparcial em nosso meio. Um deles (e um dos principais) é o do relacionamento entre o crente e a bebida com conteúdo alcoólico.

O fato é que até mesmo nas igrejas ditas mais “liberais” o assunto bebida alcoólica é difícil (principalmente nas correntes pentecostais clássicas e no Brasil). Verdadeiramente será raro achar um crente em Jesus com o qual você consiga prosear biblicamente sobre o assunto, pois a mente da maioria esmagadora dos evangélicos está, digamos, “formada” para condenar imediatamente o uso (mesmo que moderado) de qualquer bebida alcoólica.

Mas afinal de contas, o que a história judia e cristã, e principalmente a Bíblia (nossa regra maior de fé e conduta humana) têm a dizer a respeito deste assunto?

Vamos descobrir!


UMA ABORDAGEM HISTÓRICA

Fazendo empréstimo das palavras do irmão Danilo Fernandes (editor do Portal Genizah), temos o valioso registro da história da Igreja Cristã sobre o tema bebida alcoólica, em artigo de sua autoria publicado na festejada revista cristã “Cristianismo Hoje” (Leia o artigo completo aqui http://www.genizahvirtual.com/2012/07/o-evangelico-e-o-alcool.html):

“O que a maioria dos evangélicos brasileiros desconhece é que esta visão estigmatizada acerca do álcool é coisa muito recente na história da Igreja. Ao longo de quase 2 mil anos de cristandade, prevaleceu a noção de que a bebida, em si, é neutra, uma dádiva do Senhor que traz alegria – sendo o seu consumo excessivo, ou embriaguez, esta sim, pecaminosa. De fato, muitos crentes se escandalizariam ao descobrir que, na galeria dos heróis da fé protestante, homens e mulheres de Deus consumiam bebida alcoólica (...) O produto da uva era parte fundamental da cultura, da religiosidade e da economia do povo hebreu, desde sua origem”.

Realmente a questão do uso (moderado) da bebida alcoólica sempre foi – na história da cristandade – tratado com normalidade. Aprendemos ainda que tal assunto foi abordado já no primeiro catecismo cristão de que se tem registro, a famosa Didaquê (também conhecida como Instrução dos Doze Apóstolos), datada do século I, ou seja, elaborada na Era Apostólica da Igreja. Em referido catecismo ficou cristalino a liberdade do livre uso do vinho, tanto na celebração da Ceia do Senhor, bem como no consumo cotidiano dos irmãos primitivos, onde inclusive havia uma instrução determinando a existência de uma reserva de vinho da comunidade, para ser servida aos profetas visitantes e, quando na ausência destes, fornecido aos pobres.

Continua o irmão Danilo: Clemente de Alexandria (que viveu aproximadamente entre os anos 150 e 215 da Era Cristã) julgava absolutamente justo ao homem consumir a bebida para o seu relaxamento e defendeu fortemente a presença obrigatória do vinho na Ceia do Senhor, contra as tentativas de gnósticos de substituir o vinho por água (...) O fim do Império Romano, no século 5, fez surgir o modelo econômico feudal, no qual os mosteiros, abadias e outras estruturas religiosas passaram a produzir os seus víveres – e o vinho era item fundamental, não apenas na dieta, mas para as celebrações religiosas. A cerveja também era produzida e largamente consumida pelos religiosos. Os monges foram responsáveis pela maior parte da produção de vinho e cerveja na idade média e também pelo aprimoramento dos processos de fabricação.

O irmão Danilo Fernandes prossegue com a descrição histórica até chegar à época da Reforma Protestante: “A Reforma Protestante é marcada pelo retorno às Escrituras, mas também pelo esforço dos reformadores em romper com as tradições católicas o quanto fosse possível, estabelecendo uma distância não apenas teológica, mas também cultural. Contudo, a visão dos reformadores quanto ao consumo da bebida não recebeu novo escrutínio, ao contrário: eles doutrinaram a Igreja a receber a bebida como uma bênção de Deus e a usufruir dela com moderação, não se deixando dominar por ela. Lutero consumia vinho e era conhecido como um grande bebedor de cerveja, produzida por sua esposa, Catharina. Já João Calvino recebia como parte de seu salário anual da Igreja Reformada suíça sete tonéis de vinho.

Inquestionavelmente a Reforma Protestante foi uma grande obra levantada por Deus para reavivar a Igreja Cristã da Idade Média, a qual havia sido feita refém dos abusos e desvios doutrinários e teológicos da Igreja Católica Romana. Mas não vemos nenhum reformador combatendo o recorrente uso da bebida alcoólica no meio da cristandade. Como bem já citado acima, a esposa de Lutero fabricava a sua própria cerveja, a qual o reformador alemão consumia com regularidade; bem como João Calvino recebia tonéis de vinho como porção do seu pagamento por parte da Igreja Reformada Suíça. Poderia também (e tranquilamente) discorrer linhas e mais linhas sobre a relação (bem próxima) entre o reformador escocês John Knox com o whisky. As palavras de Martinho Lutero refletem bem a naturalidade com a qual a bebida alcoólica era tratada no meio religioso cristão do século XVI: “E enquanto eu dormia ou bebia a cerveja de Wittenberg junto de meus amigos Philipe e Amsdorf, a Palavra enfraquecia o papado de forma tão grandiosa que nenhum príncipe ou imperador conseguiu infligir-lhes tantas derrotas. Eu nada fiz: a Palavra fez tudo” (Martinho Lutero, LW 51.77).

Por fim, só vemos a contemplar a primeira objeção à bebida alcoólica no século 18, com o movimento metodista emplacado pelo célebre inglês John Wesley. A partir daí a tese da abstenção total da bebida alcoólica veio ganhando força no meio evangélico, com reflexos mais fortes no meio pentecostal brasileiro.


UMA ABORDAGEM BÍBLICA-TEOLÓGICA

A Bíblia é um livro que contém mais princípios que mandamentos isolados. A bem da verdade, todo mandamento bíblico (objetivo) é o reflexo de um princípio geral-norteador maior (de caráter essencialmente subjetivo). Devemos ter a consciência de que assim como no Direito o subjetivo pesa tanto quanto o objetivo, na justiça divina também não é diferente. Deus consegue não ser um intransigente total e ainda assim cumprir a justiça de sua Palavra. Provérbios 12:22 diz que “O homem de bem alcançará o favor do SENHOR, mas ao homem de intenções perversas ele condenará”, ver ainda Hb 4:12 com atenção e Lc 10:13,14; 1 Sm 16:7; Pv 6:16-19; Mt 22:35-40; Rm 13:8; Gl 5:22,23. Devemos ainda compreender que mais importante é a intenção motivadora do coração em praticar determinado feito, do que o próprio e mero ato cumpridor e observador da lei (mandamento objetivo); é o que podemos perceber claramente em Mt 19:16-24. Portanto, devemos ter a consciência de que na questão bíblica da bebida alcoólica (notadamente do vinho) não é diferente.

De todo modo, percebemos de pronto que não há simplesmente nenhuma norma bíblica proibindo o consumo moderado de bebida alcoólica (a partir de agora podendo ser tratada neste artigo somente como vinho). A palavra de Deus censura o consumo imoderado do vinho (cf. Pv 23:29,30; Is 5:11; Dt 21:20; Rm 13:13; Gl 5:21; 1 Pe 4:3; Ef 5:18; 1 Tm 3:8; Tito 2:3; 1 Co 5:11; Lc 21:34), mas não o consumo moderado do mesmo.

Destarte, em Provérbios 23:20 está escrito: “Não estejas entre os beberrões de vinho, nem entre os comilões de carne”. O vocábulo hebraico para “beberrões de vinho” é sâbhâh, que significa “beber fartamente”, “ficar embriagado”, sendo também sinônimo de “bêbado”. Tal significado fica ainda mais evidente ao se analisar que tal palavra está posta justamente ao lado de “comilões de carne”, ou seja, o que se censura em Provérbios 23:20 é o exagero, tanto no vinho como na ingestão de alimentos (cf. Lc 21:34: ‘E olhai por vós, não aconteça que os vossos corações se carreguem de glutonaria, de embriaguez’).

Destaque-se ainda que toda vez que a bíblia trás no Novo Testamento a reprovação a “bebedice” e “bebedeiras”, cita tais vocábulos imediatamente ao lado do vocábulo “glutonarias” (cf. Rm 13:13; Gl 5:21; 1 Pe 4:3), em uma clara alusão que a reprovação repousa sobre o excesso, tanto na bebida como na comida do banquete.

O vinho tem uma representatividade tão grande em toda a Bíblia que foi instituído como elemento dos sacrifícios nas cerimônias de consagração da Antiga Aliança (Êx 29:40; Esdras 6:9), cf. Lv 23:13: “E a sua oferta de alimentos, será de duas dízimas de flor de farinha, amassada com azeite, para oferta queimada em cheiro suave ao SENHOR, e a sua libação será de vinho, um quarto de him”. Ver ainda Nm 15:5-10 e 28:14. Ainda no Antigo Testamento vemos a seguinte sentença: “E aquele dinheiro darás por tudo o que deseja a tua alma, por vacas, e por ovelhas, e por vinho, e por bebida forte, e por tudo o que te pedir a tua alma; come-o ali perante o SENHOR teu Deus, e alegra-te, tu e a tua casa” Dt 14:26.

Analisemos ainda as palavras de Isaías: “Ó VÓS, todos os que tendes sede, vinde às águas, e os que não tendes dinheiro, vinde, comprai, e comei; sim, vinde, comprai, sem dinheiro e sem preço, vinho e leite. Por que gastais o dinheiro naquilo que não é pão? E o produto do vosso trabalho naquilo que não pode satisfazer? Ouvi-me atentamente, e comei o que é bom, e a vossa alma se deleite com a gordura” Is 55:1,2. Oras, há aqui um convite divino para comprar vinho. Percebe-se mais uma vez que o consumo moderado de vinho não é censurado, mas sim chega a ser incentivado! Neste exemplo o vinho é citado ao lado do leite, notadamente como sendo também um alimento, um alimento bom e que satisfaz (versículo 2).

O salmista afirma que é Deus quem faz o vinho, o qual alegra o coração do homem: “E o vinho que alegra o coração do homem, e o azeite que faz reluzir o seu rosto, e o pão que fortalece o coração do homem” Salmos 104:15. Oras, qual vinho será esse senão o vinho alcoólico? Pode, porventura, o suco de uva não alcoólico alegrar o coração do homem? Este versículo é uma clara alusão ao vinho fermentado, alcoólico. Destarte, o prensado natural da uva é o mosto (não alcoólico), o qual evolui rapidamente para um produto alcoólico em função da fermentação natural.

No Novo Testamento, conforme já citado, o ensino é a censura ao exagero, e não ao vinho em si. Oras, porventura o primeiro sinal e milagre de Jesus não fora justamente transformar água em vinho?! Destarte, Jesus transformou a água em vinho, e o termo original usado em Jo 2:9 (grego oinos) é o mesmo usado em Ef 5:18, onde Paulo fala do vinho alcoólico capaz de embriagar. Ademais, a palavra grega para “embriagueis” em Ef 5:18 é methyskô (E não vos embriagueis (methyskô) com vinho (oinos), em que há contenda, mas enchei-vos do Espírito), que significa “intoxicar”, “estar embriagado”, palavra correlacionada com methysos, que significa “bêbado”, “beberrão”, e sendo methyskô ainda a forma prolongada transitiva de methyô, que significa “beber até a intoxicação”, “ficar embriagado”, “beber muito”. Portanto, Jesus transformou água em vinho alcoólico, capaz de embriagar, tanto que os participantes da festa de casamento em Caná não perceberam nenhuma diferença entre o vinho transformado por Jesus e os vinhos que eles costumavam beber e já tinham bebido na festa.

Mas não fica só nisso, ao ponto de vermos recomendações de consumo moderado de vinho no Novo Testamento. “Não bebas mais água só, mas usa de um pouco de vinho (oinos), por causa do teu estômago e das tuas freqüentes enfermidades” 1 Timóteo 5:23. O vinho que o Apóstolo Paulo fala para Timóteo é o mesmo vinho (oinos) tratado em Ef 5:18, ou seja, vinho alcoólico.


CONCLUSÃO

É inegável que o vinho faz parte de toda a Bíblia e de toda a história de Israel e de toda a história da Igreja, inclusive desde os dias da Igreja Apostólica. Seu uso se fez presente nos patriarcas do Antigo Testamento, nos sacrifícios e cerimônias da Antiga Aliança, na dieta de reis, sacerdotes, judeus, dos apóstolos, etc. Igualmente seu uso se fez presente e sem objeções no seio da Reforma Protestante. Seu simbolismo e importância são incontestáveis em toda a Bíblia (inclusive na Ceia do Senhor). O vinho, naturalmente, é uma dádiva de Deus, que o criou, assim como criou naturalmente o álcool e o processo de fermentação. Relegar ao vinho ou ao álcool um status de pecado é o mesmo que atribuir a Deus a criação de algo pecaminoso, a criação do próprio pecado.

O pecado não repousa no vinho em si, pois o mesmo é neutro, incapaz de carregar o mal em si mesmo. Se assim fosse deveríamos nos abster de comer carne e de nos alimentar, pois haveria a possibilidade de se exagerar na comida da carne e se findar por entrar na gula e na glutonaria, o que é condenável por Deus. Logo a culpa seria da carne ou do alimento? De modo nenhum! Do mesmo modo a culpa pela embriaguez não é do vinho ou da bebida alcoólica, mas de quem fez uso imoderado do mesmo.

A questão de beber ou não, moderadamente, é algo da liberdade cristã, não sendo pecado, como acima se demonstrou exaustivamente; portanto não cabe ao cristão ser julgado por beber moderadamente (‘Portanto, ninguém vos julgue pelo comer, ou pelo beber’ Colossenses 2:16). O fato de um irmão achar que beber vinho é pecado não torna tal prática pecado, pois quem legislou foi Deus e não nos é dado legislar (Ap 22:18,19); sobre isso fica apenas o cuidado da recomendação de Paulo em Romanos 14:20-23, bem como a sentença: “Portanto, quer comais quer bebais, ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para glória de Deus” 1 Co 10:31.

Como bem falou o Apóstolo Paulo, “tudo é limpo” (Rm 14:20) e “Todas as coisas são puras para os puros” Tito 1:15. Devemos ter o cuidado descrito em Cl 2:20-23: “Se, pois, estais mortos com Cristo quanto aos rudimentos do mundo, por que vos carregam ainda de ordenanças, como se vivêsseis no mundo, tais como: Não toques, não proves, não manuseies? As quais coisas todas perecem pelo uso, segundo os preceitos e doutrinas dos homens; as quais têm, na verdade, alguma aparência de sabedoria, em devoção voluntária, humildade, e em disciplina do corpo, mas não são de valor algum senão para a satisfação da carne”. Amém!

“Vai, pois, come com alegria o teu pão e bebe com coração contente o teu vinho, pois já Deus se agrada das tuas obras” Eclesiastes 9:7.



“E aquele dinheiro darás por tudo o que deseja a tua alma, por vacas, e por ovelhas, e por vinho, e por bebida forte, e por tudo o que te pedir a tua alma; come-o ali perante o SENHOR teu Deus, e alegra-te, tu e a tua casa” Dt 14:26.

Com amor e temor,

Anchieta Campos

domingo, 24 de junho de 2012

Adventistas apontam para uma mudança de entendimento sobre a Lei Mosaica

Houve mais um lampejo de Sola Scriptura no seio adventista em relação à questão doutrinária-teológica da Lei Mosaica. Tradicionalmente os adventistas do sétimo dia sempre fizeram confusão hermenêutica entre os aspectos cerimonial e moral da lei (o que é de conhecimento de todos), o que findava por ter implicações sérias no campo soteriológico adventista (notadamente com um apelo muito grande pra observância da lei para fins de salvação).

Na Revista Adventista do mês de maio, em um artigo sobre o Livro de Gálatas de autoria de Wilson Paroschi, encontramos a seguinte assertiva:

“Uma importante questão hermenêutica (ou interpretativa) suscitada por Gálatas diz respeito à natureza da lei de que se fala o apóstolo. Espera-se que, depois dessas lições, tenhamos sepultado para sempre aquela velha distinção entre lei moral e lei cerimonial como a chave para se entender a epístola. Não que não houvesse leis morais e cerimoniais na vida do antigo Israel, mas o ponto é que tal distinção não é de forma alguma a solução para se interpretar Gálatas ou quaisquer outras passagens em que Paulo parece falar da lei de uma perspectiva negativa. Introduzido pelos nossos pioneiros em meados do século dezenove e no contexto das discussões quanto à validade do sábado, o argumento – de que quando Paulo parecia falar mal da lei ou enfatizar sua temporariedade (como em Gl 3:24-25), ele tinha em mente a lei cerimonial, e de que, quando falou bem da lei (como em Rm 7:10-14), ele se referiu à lei moral – não está correto, apesar de sua praticidade e eficiência evangelísticas. A lei em Gálatas não é a lei cerimonial, mas principalmente a lei moral, pois é a lei moral que revela o pecado, condena o pecador e o conduz a Cristo. É disso que Paulo falou nessa carta. Em Hebreus, sim, o ponto é a transitoriedade da lei cerimonial e, com ela, de todo o sistema sacrificial levítico (Hb 8:7-13; 9:9-10; 10:1-10). Mas, em Gálatas, como em Colossenses 2.14 e 2 Coríntios 3:7-11, o apóstolo se referiu sobretudo à lei moral. (Wilson Paroschi – Lições de Gálatas - Revista Adventista, maio de 2012, p.18 – destaque nosso). Fonte: http://www.cacp.org.br/adventismo/artigo.aspx?lng=pt-br&article=2848&menu=1&submenu=8

Inegável que este texto representa mais uma sincera (e ousada) amostra de que há uma tendência (e anseio) no meio adventista pela correta interpretação das Escrituras. Admitir um erro histórico (de mais de século) não é algo tão simples quanto se parece.

Em relação a esta temática sobre o paralelo entre a Observância da Lei x Salvação, conforme já explanado neste blog, o mero fato de observar os mandamentos da lei mosaica não garante a vida eterna (cf. Mt 19:17-24). Destaque-se ainda, de pronto, que conforme a referência supra citada, a guarda do sábado, a observância da circuncisão, a observância das festas judaicas, os holocaustos, e outros caracteres da lei mosaica, não foram citados por Jesus como requisitos para a salvação (ver At 15:25; 1 Co 7:18-20; Cl 2:16,17).

A bem da verdade, é inconteste que a observância da lei e seus mandamentos não tem o poder de tornar o homem justo perante Deus, mas tão somente o sacrifício de Cristo é que detém tal eficácia (cf. Rm 3:19-28; 8:3; Gl 2:16,21; 3:10,11; Ef 2:8,9,13-16; 2 Tm 1:9; Hb 9:19-28; 10:1-4), tendo a lei sido revogada como meio divino para se chegar à Deus (cf. Gl 3:24,25; Hb 7:18,19).

Uma passagem bastante pertinente sobre o tema é Mt 5:19, que diz: “Qualquer, pois, que violar um destes mandamentos, por menor que seja, e assim ensinar aos homens, será chamado o menor no reino dos céus; aquele, porém, que os cumprir e ensinar será chamado grande no reino dos céus”. Aqui Jesus está se referindo justamente à lei mosaica (v. 18), e percebemos que a ênfase soteriológica repousa no correto ensino bíblico, e não necessariamente na irrestrita e perfeita observância dos mandamentos ensinados. Vemos que mesmo que um crente chegue a violar algum mandamento, ainda assim o mesmo poderá herdar o reino dos céus, pois na verdade não há pessoa alguma que esteja isenta de pecar (Ec 7:20; 1 Jo 1:8-10). Lembremos ainda, como eu já disse aqui no blog em outra oportunidade, que por mais que o exterior possa ser um reflexo do interior de uma pessoa, o mesmo é enganoso em ambos os sentidos, sendo que o que define realmente uma pessoa para com Deus é o seu interior (1 Sm 16:7; 2 Co 5:12; Gl 2:6; Cl 2:23; 3:22; 2 Tm 3:5). Por isso que o julgamento de uma pessoa deve se iniciar sempre pela doutrina que a mesma professa (Rm 16:17; Ef 4:14; 1 Tm 1:3,10; 4:1,6; 6:3-5; 2 Tm 4:3,4; Tt 1:9; Hb 13:9; 2 Jo 1:9,10; Ap 2:14,15), sendo que os atos condenáveis (Gl 5:19-21; Ap 21:8; 22:15) não são necessariamente o estado permanente e imutável de uma pessoa, cf. 1 Co 6:9-11; Ef 2:2,3; 5:8; Cl 1:21; 3:5-8; Tt 3:1-5.

Os mandamentos maiores da fé cristã não estão relacionados diretamente com a observância dos regramentos da lei, mas sim em relação a termos fé em Jesus e a amarmos uns aos outros (1 Jo 3:23; 4:21; Jo 13:34,35; 15:12). Ver Mt 22:36-40.

Portanto, a observância dos mandamentos da lei mosaica não é requisito para a salvação. Pontos como a guarda do sábado, circuncisão, festas judaicas e holocaustos, não fazem parte do quadro de mandamentos que devem ser observados na Nova Aliança. A observância perfeita dos mandamentos confirmados pela Nova Aliança, bem como os surgidos na mesma, conquanto sirvam de padrão para a vida cristã, não vem a ser requisito primário e indispensável para a salvação, visto que, conquanto o crente sempre busque levar uma vida santa aqui na terra, o mesmo jamais conseguirá ter uma vida imaculada; devendo, quando pecar (o que deve ser exceção na vida do crente), buscar em Cristo (e não na inútil observância dos mandamentos) o perdão pelos pecados (cf. 1 Jo 2:1,2).

Que os queridos adventistas (que reconhecidamente é um grupo detido na prática da leitura bíblica e complementar) possam -  de uma vez por todas – se firmar na maravilhosa graça de Deus, que é o único meio que detemos para alcançar a remissão dos nossos pecados e da nossa culpa perante Deus, e possam confiar unicamente nela (na graça) para alcançarem a vida eterna, e não em observâncias de preceitos legalistas, os quais nunca serão capazes de justificar nenhum pecador. Amém!

Com amor,

Anchieta Campos

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Pesa mais o pecado contra a doutrina que o pecado contra a disciplina cristã

“Por doutrina falsa se deteriora a fonte da vida da igreja e da disciplina eclesiástica. Por isso, pesa mais o pecado contra a doutrina que o pecado contra a disciplina cristã. Quem rouba da igreja o Evangelho merece condenação irrestrita; quem, porém, peca em sua conduta, para esse existe o Evangelho. Disciplina doutrinária refere-se, em primeiro lugar, aos ministros encarregados de ensinar o Evangelho na igreja. (...) É dever do ministro propagar, na igreja, a reta doutrina e combater qualquer perversão. Onde se instalam heresias evidentes, o ministro ordenará que ‘não ensinem outra doutrina’ (1Tm 1.3), pois ele é portador do ministério da doutrina e tem direito de ordenar. Além disso, deverá evitar contendas de palavras (2Tm 2.14). Se for comprovada a heresia, admoeste-se o herege primeira e segunda vez; se não ouvir, rompa-se a comunhão com ele (Tt 3.10; 1Tm 6.4s.), pois ele seduz a igreja (2Tm 3.6s.)”.

Dietrich Bonhoeffer*, Discipulado, p. 193-194.

Como discordar deste nobre teólogo e pastor luterano? Não há como!

*Dietrich Bonhoeffer (Breslau, 4 de fevereiro de 1906 – Berlim, 9 de abril de 1945) foi um teólogo, pastor luterano, membro da resistência alemã anti-nazista e membro fundador da Igreja Confessante, ala da igreja evangélica contrária à política nazista. Fonte: Wikipédia.

Anchieta Campos

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Não murmureis

“Fazei todas as coisas sem murmurações” Filipenses 2:14


Esta vida terrena realmente não é nada fácil. O próprio Cristo nos alertou que teríamos aflições neste mundo (Jo 16:33). Ao contrário do que apregoam os apologistas da famigerada teologia da prosperidade e da doutrina da confissão positiva, as enfermidades e as dificuldades (em seus mais variados aspectos terrenos) podem vir a fazer parte da vida de algum crente fiel (Fl 2:25-27; 2 Tm 4:20; Tg 5:14,15; Fp 4:12; Rm 12:13; 2 Co 6:4).

Como seres humanos, super limitados em nossa própria essência e natureza, passaremos por inúmeros momentos nesta vida onde a nossa paciência (e fé) será testada, sendo tentados a nos queixarmos de algumas dessas situações desagradáveis, e, no caso de nós cristãos, a nos queixarmos com Deus.

Primeiramente cabe destacar que Deus não é o culpado por nenhum dos males e problemas que eventualmente venham a afligir os crentes em Jesus, haja vista ser o Deus de Israel um Deus justo (Salmo 7:11; 119:137; 145:17; Ap 16:7), onde toda murmuração e queixa do homem é conseqüência de seus pecados (Lm 3:39), em reflexo da lei da semeadura (Gl 6:7); bem como também pode ser conseqüência de próprias falhas e erros na administração e/ou execução secular de determinados atos e/ou projetos. Portanto, já vemos que não cabe ao crente em Jesus (e nem ao ímpio, evidentemente) reclamar de Deus por alguma adversidade.

A murmuração tratada na Bíblia, notadamente no Novo Testamento, em seu sentido exegético, está relacionada com a idéia de sussurro. A palavra traduzida por “murmuradores” em Rm 1:30 é psithyristes, e significa alguém que sussurra, murmura. Logo a murmuração é uma queixa que se exterioriza de modo contrito, mas que pode carregar consigo uma queixa-reclamação forte. Ademais, não importa o modo como se exterioriza o sentimento queixoso, mas sim a real motivação subjetiva (i.e., do coração) do murmurador (cf. Mt 12:34; 15:18,19).

Os sussurros da murmuração nem sempre serão queixas ou reclamações, mas podem ser também conversas de cunho reservado sobre temas que desagradam, causam escândalo, ou não são aceitos pelo público em geral que se está ao redor (cf. Mt 20:11; Lc 5:30; 15:2; Jo 6:41-43,61; 7:12,32); mas também podem se referir a queixas e/ou reclamações propriamente ditas (cf. 1 Co 10:10; Jd 1:16; Nm 14:1-3,27; Dt 1:27). De todo modo, a murmuração é reprovável pela Bíblia (Fp 2:14; 1 Pe 2:1; 4:9), notadamente esta última espécie de murmuração (a queixosa, reclamante), a qual é a tratada neste artigo.

Por fim, a murmuração queixosa revela a falta de paciência do crente, a qual é a origem da nossa esperança (Rm 5:3,4), e se reveste ainda de suma importância para a vida do cristão (Cl 1:11; 1 Tm 6:11); além de revelar também uma falta de confiança na providência e no cuidado do nosso Pai Celestial para conosco (Mt 6:25-34).

Que possamos ser, a cada dia mais, crentes afastados da prática da murmuração, pacientes para com as adversidades desta vida, sempre confiantes no amor e no cuidado de Cristo por nós (1 Pe 5:7); sabendo que, se alguma adversidade nos atinge, com certeza não é Deus o culpado, mas sim o agente capaz de nos fazer superar a mesma. Amém!

Anchieta Campos

sábado, 16 de junho de 2012

De volta ao ministério escrito

“TUDO tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu” Eclesiastes 3:1

Após mais de dois anos sem fazer aquilo que sempre me deu prazer, que é escrever sobre a Bíblia e a fé cristã, estou de volta a este tão importante ministério cristão.

Nos primeiros anos de blog (2007-2009) aprendi bastante sobre a Palavra de Deus, cultivei relações de amizades que até hoje se mantém firmes e sinceras, inclusive com nomes ilustres da Assembléia de Deus do Brasil e da CPAD, e pude, mesmo com as limitações de um novo convertido, produzir mais de 200 artigos teológicos e ganhar uma notoriedade no meio evangélico que jamais pensei que fosse alcançar. Toda honra e toda glória seja para o nome de Jesus!

Por motivos seculares, parei por dois anos (2010-2011) de escrever e atualizar este blog. Final de faculdade, monografia, estudos para exames da OAB e concursos, e uma estranha (e nunca assimilada) oposição de uma pessoa que nunca pensei que iria se sentir ofendido com os meus escritos me levaram a fraquejar na produção de artigos, até findar na paralisação total das atualizações.

Durante este período de inércia sempre senti em meu espírito o desejo ardente de voltar a escrever sobre a Bíblia e sobre a fé cristã, desejo este sempre mantido vivo pelo Espírito Santo de Deus, o qual é a origem de toda boa dádiva e capacidade que recebemos nesta vida. Amém!

A cada atentado (novo ou já velho conhecido) contra a sã doutrina das Sagradas Escrituras, meu coração sentia uma dor enorme no peito, e minha consciência era acusada pelo Espírito do SENHOR de negligência ao ministério que o Eterno Deus havia me confiado e capacitado a realizar.

Boa surpresa sempre vinha quando eu acessava a página de administração do blog, onde contemplava muitos comentários elogiosos e de incentivo para eu voltar a escrever. Observava também que o número de acessos ao meu blog nunca diminuiu (até hoje, como constatei), sempre se mantendo em um patamar considerável de acessos diários. Glória a Deus por isso!

Aprendi e amadureci bastante nestes dois anos de inércia no ministério. Certas coisas só se aprendem com o tempo e com o convívio na igreja. Oremos pela Igreja do Senhor e pela igreja evangélica em todo o Brasil e no Mundo. Isso é algo mais que necessário!

Eu sabia que não podia renegar a este ministério que o Senhor Jesus me entregou. Sabia que a volta era questão de tempo!

Nos últimos meses o cenário foi tomando forma para uma volta a este tão nobre ministério. A posse do Pr. Martim Alves da Silva como o novo Presidente da Igreja Evangélica Assembléia de Deus no Rio Grande do Norte, sucedendo o nobre e ilustre Pr. Raimundo João de Santana, e a posse do também ilustre e nobre Pr. Israel Caldas Sobrinho na Presidência da Assembléia de Deus em Pau dos Ferros-RN (minha igreja local), apontavam para um cenário de renovação e recomeço de obras inerentes ao Reino dos Céus, o que acabou influenciando em meu ministério.

Consegui minha formatura em Direito, passei no Exame da OAB, passei em dois concursos públicos e estou aguardando a nomeação no que vou assumir; nunca me afastei da Casa do Senhor e da comunhão com o Eterno Deus; nunca reneguei a graça do Senhor Jesus, a qual todos os seres humanos são necessitados.

Hoje estou aqui, mais do que nunca dependente da graça e do amor do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Sou um vaso pequeno, que tem muito a aprender, mas que se põe (assim como em setembro de 2007, quando iniciei este blog) nas mãos do Oleiro, para ser usado em defesa da Palavra de Deus, refutando as heresias e os modismos contrários a Sã Doutrina Bíblica, a qual é sem misturas e sem interesses.

Realizei algumas mudanças no blog, tanto na aparência quanto no conteúdo, onde houve alterações na estrutura de links da lateral direita, com a inclusão e remoção de alguns itens, bem como com a atualização de outros. O padrão para a aceitação dos comentários continua o mesmo, onde serão evitados comentários anônimos e de pessoas que procuram apenas causar contendas, sem interesse real e sincero em debater sobre a Palavra de Deus e assuntos pertinentes com a fé cristã.

Rogo as orações de todos os santos que lêem este humilde espaço. O único objetivo deste blog é honrar a Sagrada Escritura e o nome de Jesus, anunciando-o como o único e suficiente Salvador de nossas almas, e proclamando a Bíblia Sagrada de modo puro e sem misturas, anunciando-a como a perfeita, inerrante, infalível, perfeita e suficiente Palavra de Deus aos homens.

Hoje se cumpre em minha vida a palavra do Apóstolo Paulo em Romanos 11:29, que diz: “Porque os dons e a vocação de Deus são sem arrependimento”, para que assim eu possa cumprir com a missão delegada em Judas 1:3: “Amados, procurando eu escrever-vos com toda a diligência acerca da salvação comum, tive por necessidade escrever-vos, e exortar-vos a batalhar pela fé que uma vez foi dada aos santos”. Amém!

Em Cristo,

Anchieta Campos

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

O retorno de um apologista










“Eu disse no meu coração: Deus julgará o justo e o ímpio; porque há um tempo para todo o propósito e para toda a obra” Ec 3:17


Passei um considerável tempo sem produzir artigos para o blog, bem como sem responder aos comentários aqui postados.


Sem entrar em maiores detalhes no momento sobre as causas desse período de inércia na administração deste meu humilde espaço, apenas venho informar nesta postagem que o meu retorno a normalidade na administração deste blog cristão é iminente.

Poucos comentários faltam ser publicados e respondidos, onde julgo que logo após cumprir essa minha obrigação, novas produções serão elaboradas e publicadas.

Por fim, desejo um 2010 marcado pela rica e poderosa graça de Deus para todos os leitores deste espaço.

Anchieta Campos

sábado, 26 de setembro de 2009

Blog do Anchieta: 02 anos marcantes



“Este é o dia que fez o SENHOR; regozijemo-nos, e alegremo-nos nele” Sl 118:24.

Há exatamente dois anos atrás, depois de muito e muito pensar, criei coragem e dei início a este ministério. A postagem onde publiquei a minha Declaração de Fé marcou o início de uma obra que viria a mudar significativamente a minha vida.

O Blog do Anchieta é representado nestes dois anos por 282 publicações, o que dá uma média de uma postagem a cada dois dias e meio. São artigos que tratam dos mais variados temas bíblicos e teológicos, sempre com o filtro da relevância para a cristandade.

Nestes dois anos sempre busquei escrever com uma mente e coração cativos com a Palavra de Deus. Aprendi (corretamente) que a Bíblia Sagrada deve reinar absoluta na vida de uma pessoa que se propõe a seguir a Cristo. Quem se dispõe a abraçar este vital ministério, que é o de escrever sobre a Palavra de Deus, deve ter a plena consciência da responsabilidade que pesa sobre os seus ombros, pois está a tratar do que há de mais precioso na vida de qualquer ser humano, que é a sua relação com Deus. Deve, portanto, o escritor cristão sempre priorizar agradar a Deus ao invés de agradar ao homem.

Nunca imaginei que o tímido e pequeno projeto de dois anos atrás fosse ganhar a repercussão que ganhou. A internet é, verdadeiramente, um poderoso meio de comunicação. Cada vez mais comentários surgiam, dos mais diversos estados do Brasil; cada vez mais a rede de escritores cristãos amigos ia crescendo. Nestes dois anos tive o prazer de conhecer e interagir com sábios irmãos, tanto pentecostais como calvinistas, diáconos, presbíteros, pastores, professores de Escola Dominical, além de escritores renomados da CPAD. Ser citado e referenciado por nomes de destaque da literatura evangélica nacional é algo notavelmente gratificante. Enfim, este trabalho chegou onde nunca imaginei que poderia chegar, sendo o que hoje é pela infinita graça e misericórdia de Deus, O qual merece toda a honra e toda a glória pelos frutos deste trabalho.

Frutos? Sim, frutos! Gozo maior que ser reconhecido por pessoas gabaritadas era o de receber palavras de pessoas simples, crentes sem destaque algum, que gratificados vinham externar, voluntariamente, que tiveram algo acrescentado em suas vidas através dos escritos deste blog. Foi a partir daí que tive uma noção mais real da nossa responsabilidade como blogueiros evangélicos. Por mais que pensamos que não, somos sim vistos, somos sim lidos, somos sim formadores de opinião, e formadores de opinião de pessoas humildes, que querem verdadeiramente servir de um modo melhor a Deus, as quais merecem sim serem bem orientadas.

Mas nem tudo são flores. Oposições vieram, e eram até esperadas. Eu já sabia que a sã doutrina e a verdade bíblica incomodam as seitas e os propagadores de heresias, mas nunca imaginei que determinadas pessoas fossem ser incomodadas pelos meus escritos. Receber oposição da pessoa que, ao menos teoricamente, deveria me dar mais apoio, é algo que nunca esperei passar.

O trabalho continua. Rogo a Deus que sempre me mantenha fiel a sua Palavra, me dando sabedoria para que possa ser um fidedigno defensor e divulgador do Evangelho da Salvação. Que eu nunca venha a me corromper pelas seduções deste mundo, para que assim quando eu escrever seja sempre uma representação da boa e agradável vontade de Deus, a qual já se encontra eternizada e suficientemente posta em sua Palavra. Amém.

Com gratidão,

Anchieta Campos

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Como surgem as heresias

“Porque as obras da carne são manifestas, as quais são: adultério, prostituição, impureza, lascívia, idolatria, feitiçaria, inimizades, porfias, emulações, iras, pelejas, dissensões, heresias Gl 5:19,20.

Como já defini em outro artigo neste blog, a palavra grega para heresia é hairesis, que significa “escolha, partido tomado, corrente de pensamento, divisão, escola, etc.”, mas que com o passar do tempo adquiriu um sentido pejorativo, ainda no Novo Testamento (1 Co 11:19; Gl 5:20; 1 Pe 1:1-2), passando a expressar a idéia de “introduzir ensinos cismáticos na congregação sem qualquer respaldo na Palavra de Deus”.

As heresias representam um dos principais males que atingem a igreja evangélica atual. O meio protestante, que se iniciou justamente através da luta contra os ensinos sem respaldo bíblico, hoje se vê afogado nos mais diversos modismos e heresias destes tempos trabalhosos, onde são muitas as denominações que fogem dos princípios bíblicos, e poucas, que mesmo com suas falhas, ainda mantém um considerável respeito à ortodoxia bíblica. Do mesmo modo são muitos os super-pregadores e ídolos do mundo gospel-music que propagam heresias e mais heresias, que na sua grande maioria passam despercebidas pela grande massa evangélica.

Trata-se, com efeito, de um erro não simples e tolerável, mas, como bem frisou o apóstolo Paulo, de uma das infelizes e destruidoras obras da carne, a qual jamais poderá ser esquecida e tolerada por aqueles que verdadeiramente amam a Palavra de Deus.

Mas, como surgem as heresias? Quais os motivos que as fazem nascer? O que se passa na cabeça de uma pessoa que adere e ensina uma heresia? Como sempre, a Bíblia com a resposta.

Interesses pessoais

“E rogo-vos, irmãos, que noteis os que promovem dissensões e escândalos contra a doutrina que aprendestes; desviai-vos deles. Porque os tais não servem a nosso Senhor Jesus Cristo, mas ao seu ventre; e com suaves palavras e lisonjas enganam os corações dos simples” Rm 16:17,18.

Há um paralelo cristão bem conhecido: o homem com seus prazeres e interesses desta vida (dinheiro, poder, status, prazeres da carne, etc.), e o homem com Jesus e fitado na salvação eterna da alma. Não há como estar nos dois pólos. Ou se é um homem carnal/secular, ou um homem espiritual. E um dos motivos para que as heresias surjam é exatamente este. Como bem disse Paulo, existem homens que por interesses pessoais e terrenos (“ao seu ventre”) acabam enganando seus próximos e deturpando a doutrina bíblica, servindo aos seus próprios interesses escusos.

Os tais não servem a Cristo, não são espirituais, mas servem a si mesmos, aos seus interesses materiais e ilícitos, mesmo que para isso tenham que promover escândalos contra a doutrina bíblica (i.e., disseminar ensinos contrários a ortodoxia reconhecida pela comunidade verdadeiramente cristã). Tal rebelião contra a sã doutrina é, por sua natureza e definição bíblica, voluntária e consciente, a qual vem contrariar na prática os ensinos de termos um cuidado verdadeiro uns para com os outros, principalmente para com os mais necessitados (cf. Rm 15:26,27; 1 Co 12:25,26 e Gl 2:10), e de não fraudar a Palavra e os símplices por causa de interesses pessoais.

Ganância/Avareza

“Aos quais convém tapar a boca; homens que transtornam casas inteiras ensinando o que não convém, por torpe ganância Tt 1:11 (cf. 1 Pe 5:2).

“E TAMBÉM houve entre o povo falsos profetas, como entre vós haverá também falsos doutores, que introduzirão encobertamente heresias de perdição, e negarão o Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina perdição. E muitos seguirão as suas dissoluções, pelos quais será blasfemado o caminho da verdade. E por avareza farão de vós negócio com palavras fingidas; sobre os quais já de largo tempo não será tardia a sentença, e a sua perdição não dormita” 2 Pe 2:1-3 (cf. Lc 12:15; 1 Ts 2:5; Hb 13:5).

Ganância, segundo a Wikipédia, “é um sentimento humano negativo que se caracteriza pela vontade de possuir somente para si próprio tudo o que existe. É um egoísmo excessivo direcionado principalmente à riqueza material, nos dias de hoje pelo dinheiro. Contudo é associada também a outras formas de poder, tal qual influencia às pessoas de tal maneira que seus praticantes chegam ao cúmulo de corromper terceiros e se deixar corromper, manipular e enganar chegando ao extremo de tirar a vida de seus desafetos”.

A avareza, do grego pleonexia, significa a sede de se possuir mais. Essa palavra grega também é costumeiramente traduzida por ganância.

Esse sentimento nada cristão, representado por estas duas palavras, é mais um dos motivos que levam ao surgimento de falsos ensinos, e que também foi desqualificado e censurado pelo apóstolo Paulo (cf. 1 Tm 6:7-10). Na verdade é um sentimento que é englobado pelo grupo/gênero dos interesses pessoais.

É realmente comum vermos nas igrejas da atualidade pregadores e líderes que deturpam a simplicidade e pureza da Palavra, onde, movidos pela mais definida avareza/ganância, realizam sermões em que defendem suas comodidades e interesses pessoais, mesmo que para isso venham a blasfemar o caminho da verdade (deturpar a Palavra, i.e., propagar heresias) e fazer negócio pessoal através dos membros.

O pior é que, como bem a Palavra já predisse, uma grande porção dos que se dizem cristãos estão seguindo tais falsos profetas, dando crédito as suas heresias, rejeitando assim a Palavra de Deus.

Tal rebelião é também, por sua natureza e definição bíblica, voluntária e consciente, a qual também vem a contrariar os ensinos anteriormente elencados.

Falta de maturidade doutrinária

“Para que não sejamos mais meninos inconstantes, levados em roda por todo o vento de doutrina, pelo engano dos homens que com astúcia enganam fraudulosamente” Ef 4:14 (cf. At 17:11; Ap 2:2).

Notadamente um cristão que tem um conhecimento teológico mais apurado, e assim uma conseqüente estabilidade doutrinária, estará mais protegido de todo vento de doutrina que possa surgir através dos homens astutos que espalham o engodo. Uma igreja madura doutrinariamente nunca irá abraçar uma heresia, mesmo que exista quem a espalhe; e em não havendo aceitação de determinado ensino herético, o mesmo tende a ser extinto, ou ao menos se perder da memória do povo.

Tal rebelião não vem a ser estritamente voluntária e consciente, mas deve-se destacar que é responsabilidade do cristão buscar conhecimento na Palavra de Deus.

Afirmar o que não se entende
“Do que, desviando-se alguns, se entregaram a vãs contendas; querendo ser mestres da lei, e não entendendo nem o que dizem nem o que afirmam” 1 Tm 1:6,7 (cf. 1 Tm 6:4).

Ao se querer entender algo sem estar preparado para tanto, e conseqüentemente querer ensinar algo que não se tem um domínio pleno da matéria, resulta, por conseqüência lógica, em desvios doutrinários.

Tal mutação bíblica não é voluntária e consciente em sua essência, ou seja, não há dolo em quem a pratica, mas sim culpa, pois resulta de uma abordagem e explanação realizada sem propriedade do tema, movida pela arrogância de quem quis ser algo além de sua real capacidade. Não deixa, evidentemente, de ser um fato reprovado por Deus.

Conclusão

As heresias podem surgir das mais diversas formas; estas aqui expostas são apenas as principais, as quais acabam tendo uma relação bem abrangente com quase todas as heresias da cristandade.

Pelo exposto aufere-se que as heresias, para surgirem e ganharem força, dependem tanto da negligência da liderança, bem como da imperícia da grande massa dos membros. É patente que a responsabilidade dos líderes é bem maior e mais decisiva para se evitar o nascimento e difusão de heresias, mas uma igreja bem preparada biblicamente pode fugir da regra de que a mesma é o reflexo de sua liderança (mesmo sabendo que isso é bem raro).

Não existe outro remédio a não ser disseminar cada vez mais uma cultura teológica no meio evangélico, tanto de capacitação dos líderes como dos liderados. Todo o corpo eclesiástico precisa estar bem teologicamente para se evitar a alimentação das heresias no meio reformado.

Com essa qualificação, mesmo com a presença dos corrompidos de coração e mente, os quais tentarão distorcer a Palavra em proveito próprio, teremos a tranqüilidade em saber que a sã doutrina sempre será vencedora. Amém.

“Mas temo que, assim como a serpente enganou Eva com a sua astúcia, assim também sejam de alguma sorte corrompidos os vossos sentidos, e se apartem da simplicidade que há em Cristo” 2 Co 11:3.

Em Cristo,

Anchieta Campos

sábado, 19 de setembro de 2009

Jesus: o único caminho de volta para Deus


“Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim” Jo 14:6.

“E em nenhum outro há salvação, porque também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos” At 4:12
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Solus Christus
Anchieta Campos

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Tradições assembleianas que devem acabar

Transcrevo abaixo um artigo do nobre teólogo e irmão em Cristo, Gutierres Siqueira, editor do blog Teologia Pentecostal. Referido artigo expõe algumas tradições que contemplamos principalmente nas Assembléias de Deus do nosso Brasil, as quais carecem totalmente de respaldo bíblico.

Como estava pensando em fazer uma publicação com abordagem semelhante, deliberei por honrar meu nobre amigo Gutierres e sua produção, transcrevendo na íntegra suas palavras.

Hora de revisar as tradições

Há muitas tradições nas Assembléias de Deus que já passaram de hora para acabar.

Qual a funcionalidade daquele monte de homens engravatados sentados em uma plataforma? Pergunto isso, pois muitas vezes presenciei cenas desagradáveis, como visitantes e idosos de pé, enquanto os “engravatados” esticavam as pernas em cima da plataforma. Quantas vezes enquanto o pastor prega, os cooperadores e diáconos conversam, assim chamando à atenção de todos?

Por que pastores precisam ter a cadeira mais bonita da plataforma? Os pastores são uma categoria especial de pessoas? O líder cristão primeiramente não tem que servir? O serviçal terá a cadeira de um rei? Aliás, já vi em uma igreja vagas no estacionamento separadas exclusivamente para os pastores. Meu Deus! Que segregação é essa?

Por qual motivo homens e mulheres sentam em bancos separados? Por acaso os irmãos são tão perigosos que podem atacar as irmãs durante o culto? Que malícia é essa? Por que um casal tem que passar duas horas separados um do outro? Será que ninguém pensa nas mulheres com crianças? Elas precisam da ajuda do esposo para cuidar do pentelho. Ou não?

Por que alguém nas Assembléias de Deus para ser ordenado pastor precisa passar pelas escalas de cooperador, diácono, presbítero e evangelista? Será que a vocação pastoral é o último estágio de alguém que apresenta todas as vocações possíveis? Será que alguém que tem um chamado pastoral terá necessariamente um chamado para evangelista? Que escala é essa? Parece mais um plano de carreira, mas sem sustentação bíblica para a sua justificativa.

Ora, são essas algumas das inúmeras tradições ultrapassadas, que mais atrapalham do que ajudam e ainda por cima saem muitas vezes acima das Escrituras. Colocar uma tradição acima da Bíblia é um pecado eclesiástico gravíssimo!”
.

Gutierres Siqueira tem 20 anos, é bacharelando em Comunicação Social/Jornalismo, bem como é professor de Escola Dominical na Assembléia de Deus em São Paulo-SP, Congregação do Jardim das Pedras.

Em Cristo,

Anchieta Campos

sábado, 5 de setembro de 2009

Dízimo, graça e maldição

É comum vermos em nosso meio frases do tipo: “Irmão, se você não der o dízimo você vai ser amaldiçoado!”, “Se quiser ser abençoado e repreender o devorador, dê o dízimo!”, e alguns vão mais além e colocam o dízimo como um fator indispensável para a salvação. Mas, afinal de contas, qual a posição do dízimo para a Igreja do Senhor Jesus? É ele um meio objetivo de se conseguir as bênçãos de Deus? A sua não observância resulta em maldição para o cristão? O que a Bíblia, principalmente o Novo Testamento, ensina a respeito do dízimo? Vamos procurar de forma sucinta e objetiva responder a estas perguntas.

O dízimo é uma obrigação para a Igreja?

Não, o dízimo não é uma obrigação para o cristão. Diferentemente da Antiga Aliança, onde fora determinado que Israel entregasse o dízimo (Lv 27:30-32; Nm 18:21-28; Dt 12:6,11,17; 14:22; Ml 3:10), não vemos no Novo Testamento nenhum ensino em relação ao dízimo com o mesmo tom imperativo da Antiga Aliança.

A passagem de Mt 23:23 (cf. Lc 11:42) é destinada aos judeus, e não aos cristãos. Já em relação ao dízimo de Abraão (Hb 7:2-9), tem-se que o mesmo, bem como o de Jacó, não passaram de atos de gratidão meramente voluntários (Gn 14:20; 28:20-22), sem nenhuma imposição escrita da parte de Deus, haja vista estas ofertas terem sido realizadas bem antes da instituição da lei.

Simplesmente não vemos em todo o Novo Testamento nenhum registro do exercício do dízimo na Igreja! Vemos que toda e qualquer espécie de contribuição financeira era realizada sob os moldes da voluntariedade (2 Co 8:3,11,12; 9:1,2,7) e da proporcionalidade das rendas de cada um (1 Co 16:2; 2 Co 8:12), mas nunca sob o crivo matemático dos 10%. Lembremo-nos do clássico caso de Ananias e Safira (At 5:1-10), onde percebemos no versículo 4 que Ananias detinha o total poder sobre o preço da herdade, não se reservando a décima parte para oferta. Ele poderia dar algum valor em oferta ou não; poderia dar a metade (Lc 19:8), tudo (Lc 21:2-4), uma terça parte, ou poderia, como bem disse Pedro, não dar nada.

É claro que nós, como cristãos, temos a responsabilidade bíblica de contribuir financeiramente para diversos fins. Valiosa é a observação do memorável teólogo Donald C. Stamps, em sua Bíblia de Estudo Pentecostal (CPAD), no estudo “Dízimos e Ofertas”:

“Nossas contribuições devem ser para a promoção do reino de Deus, especialmente para a obra da igreja local e a disseminação do evangelho pelo mundo (1 Co 9.4-14; Fp 4.15-18; 1Tm 5.17,18), para ajudar aos necessitados (Pv 19.17; Gl 2.10; 2 Co 8.14; 9.2), para acumular tesouros no céu (Mt 6.20; Lc 6.32-35) e para aprender a temer ao Senhor (Dt 14.22,23)”.

Destaque-se que o próprio Stamps, no citado estudo, em nenhum momento afirma que o dízimo é uma prática obrigatória para a Igreja. E olha que estamos falando de uma das obras teológicas mais clássicas e difundidas do meio assembleiano, notavelmente respeitada em nosso meio.

A prática de dizimar garante a bênção de Deus?
Não, o mero ato do crente dizimar não garante, em hipótese alguma, as bênçãos de Deus sobre sua vida. Até mesmo na Antiga Aliança, onde os judeus tinham a promessa de Deus da bênção em decorrência do dízimo (Ml 3:10-12), podemos contemplar exortações como as constantes em Am 4:1-12, onde percebemos que o dízimo não era fator objetivo da proteção divina contra o justo juízo do próprio Deus. Como bem observou Donald Stamps, na já citada Bíblia de Estudo Pentecostal: “De nada valiam, pois, seus sacrifícios e dízimos”.

Semelhantemente de nada aproveitou, para a justificação perante Deus, os dízimos que o fariseu dava (Lc 18:9-14).

Lembremo-nos que não estamos, em hipótese alguma, em condições de barganhar com Deus as suas bênçãos (Mc 8:37; At 8:17-20; Rm 4:4).

Quem não observa o dízimo está sob maldição divina?

Outra vez, não. Como já exposto acima, o dízimo não é uma obrigação para o cristão, e em não sendo uma obrigação, tem-se por lógico que não há maldição para o cristão que não entrega o dízimo.

Conclusão

Podemos concluir que a prática de dizimar em si não detém valor fundamental na sistemática cristã, sendo a sua prática ou não mero fator secundário, coberto pela liberalidade da graça (cf. 2 Co 9:13). Quem pratica o dízimo com voluntariedade e alegria, com o intuito de ajudar a obra do Senhor, com certeza faz algo que agrada a Deus. Igualmente o cristão que contribui de modo racional com ofertas não delimitadas a 10%, seja para a manutenção da igreja local, de obras missionárias, ou até mesmo para ajudar aos pobres e necessitados, com certeza também estará agradando a Deus.

Lembremos, por fim, que as ofertas e dízimos devem ser para cobrir as necessidades de quem faz jus (cf. At 4:34,35; Rm 12:13; 2 Co 9:12; Ef 4:28; Fl 2:25), e nunca para enricar ninguém, seja pastor ou irmão em Cristo. O cristão é responsável pelo modo como “gasta” seu dinheiro (cf. Is 55:2), devendo fazer justiça sempre, até mesmo na hora de contribuir financeiramente para o Reino. Destinar ofertas e/ou dízimos para uma igreja mais necessitada não é errado, sendo inclusive bíblica tal prática (cf. Rm 15:26; 1 Co 16:1-3). Enfim: há muitas maneiras sadias de se contribuir financeiramente para a promoção do Reino de Deus.

Com amor,

Anchieta Campos

sábado, 29 de agosto de 2009

5.000 blogueiros evangélicos

Não faz muito tempo que postei o selo comemorativo em alusão a marca de 4.000 escritores cadastrados na União de Blogueiros Evangélicos do Brasil (UBE). Pois é, em cumprimento as palavras do Mestre Jesus contidas em Mc 4:30-32, essa união de escritores/comentadores da Palavra de Deus acaba de atingir mais uma marca histórica: agora já somos 5.000 pensadores cristãos espalhados por todo o Brasil, divulgando e defendendo a Palavra de Deus e seus ensinos doutrinários, morais e éticos.

São pastores, presbíteros, diáconos, evangelistas, jovens, mulheres, escritores renomados (inclusive da nossa querida CPAD), enfim, são crentes que tem em sua mente o eterno pensamento da soberania absoluta da Bíblia Sagrada, sendo ela a nossa autoridade máxima em matéria de fé e vida cristã, a nossa única fonte para toda e qualquer análise que se faz da sistemática doutrinária cristã.

Verdadeiramente, repito, a UBE é um braço estendido do Senhor sobre o Brasil, a qual já é reconhecida e respeitada pelas principais denominações protestantes e pela grande mídia nacional, se fortalecendo e cultivando cada vez mais um poder de influência (para o bem da ortodoxia cristã) de notória nobreza. Destaque-se que são apenas dois anos de UBE, tendo a mesma nascido em 30 de agosto de 2007.

“Neste biênio, o blog UBE foi citado pelo portal Terra, Jornal O Dia, Rede Record de Televisão, revista Enfoque Gospel e Agência Senado. Mas, o que nos motiva a dar continuidade neste projeto não é a mera conquista da notoriedade, tudo neste mundo passa, queremos propagar o cristianismo virtualmente. Com os pés no chão, sem fanatismos, sem alienação.

Neste processo de evangelismo virtual, como blogueiros cristãos, evangélicos, membros do organismo espiritual que é a Igreja invisível, o Corpo de Cristo, é sui generis manter acesa a nossa união. É através da unidade que Deus ordena a bênção e a vida para sempre (Salmo 133)”
Eliseu Antônio Gomes.

Parabéns aos 5.000 atalaias da sã doutrina, da boa moral e da justiça social. Que o nosso bondoso e poderoso Deus nos abençoe cada dia mais com a sua graciosa sabedoria, para que assim nunca venhamos a aprender algo de forma errada, nos qualificando para que sejamos sempre propagadores da boa, agradável, perfeita e imutável vontade de Deus, externada em sua suficiente Palavra.

Triste mesmo é vermos, e isso tem que ser aqui registrado, na contra mão deste belo desenvolvimento do saber cristão, certos pastores e líderes locais que se levantam contra este nobre ministério, censurando os membros de suas igrejas que publicam conteúdo cristão na internet. Qual o temor? Algo de errado nas publicações de suas ovelhas? Se sim, então mostrem onde está a incoerência bíblico/teológica, e assim ajudem suas ovelhas a se desenvolverem melhor no conhecimento da graça do nosso Senhor Jesus Cristo. Caso contrário, peço-lhes apenas para reconhecerem a realidade, se despindo das roupas da ditadura e da ignorância.

O desenvolvimento ortodoxo da mente de um cristão é algo tão belo e importante que nunca deve ser censurado, mas sim sempre incentivado.

Viva a UBE! Viva ao conhecimento! Viva a liberdade de expressão! Viva a Palavra de Deus! Viva ao bendito nome de JESUS!

Sola Scriptura!

Com amor,

Anchieta Campos

Dedada nasal “santa”

Fiquei sabendo de uma ontem que tinha que ser registrada neste espaço. Em uma congregação assembleiana de uma cidade que, digamos, eu conheço bem, uma irmã se levantou em “profecia” para outra irmã, e a dita “profecia” não era nada “agradável”, motivo pelo qual a irmã alvo da “profecia” se levantou e disse que não recebia tais palavras.

E o que a “profetisa” fez? Ainda tomada pelo “mistério”, ela simplesmente empurrou o dedo indicador no nariz da irmã dizendo: “Você receeeeeba!!!”.

A “profecia” a irmã não quis receber, mas uma dedada no nariz ela não teve muita escolha!

É triste.

“Faça-se tudo decentemente e com ordem” 1 Co 14:40.

Sola Gratia!
Com amor,

Anchieta Campos

sábado, 22 de agosto de 2009

Bênção apostólica?

A chamada “bênção apostólica” não é nenhuma novidade no meio evangélico. Ela é tão comum e conhecida como a tradicional leitura feita nos cultos de Santa Ceia (1 Co 11:23-34). Mas, assim como os católicos se prostram diante das imagens sem saber o fundamento de tal prática, do mesmo modo os evangélicos curvam as suas cabeças e abrem suas mãos estendidas em direção ao céu para receberem a dita bênção.

A bênção apostólica é proclamada sempre ao final de cada culto, sendo que somente o pastor local é quem tem a “competência espiritual” para “impetrá-la”. A mesma nada mais é do que o versículo final da segunda carta de Paulo aos coríntios “A graça do Senhor Jesus Cristo, e o amor de Deus, e a comunhão do Espírito Santo seja com todos vós. Amém” 2 Co 13:13; palavras estas que são simplesmente uma oração de Paulo clamando em favor dos mesmos.

No que pese o seu valor espiritual, por se tratar de uma oração proferida em nome da Trindade, a qual ainda engloba em sua petição três fatores fundamentais na vida de qualquer cristão (graça divina, amor divino, e comunhão divina), a referida “bênção”, nos moldes como vemos ela hoje sendo praticada nos cultos evangélicos, não passa de uma prática sem o menor respaldo neo-testamentário.

Não quero aqui ser contencioso, nem mesmo ser o causador de uma mudança de prática eclesiástica, mas tão somente fazer um esclarecimento bíblico, para que assim cada crente possa conhecer melhor uma prática tão comum em nosso meio.

Essa “bênção apostólica” (ou oração) nada mais é do que uma herança do catolicismo romano, a qual remonta em sua origem para a bênção aarônica (ou araônica, também conhecida entre os judeus como Nesiat Kapayim, i.e., estender as mãos), assim chamada a bênção descrita em Nm 6:23-27. Assim se expressou o Papa Leão XIII em sua Carta Encíclica Inscrutabili Dei Consilio:

“A graça de Nosso Senhor Jesus Cristo, a caridade de Deus e a comunicação do Espírito Santo sejam com todos vós (2 Cor 13, 13), Veneráveis Irmãos, e é de todo coração que, a Vós e a cada um em particular, bem como aos Nossos caros filhos o clero e os fiéis de vossas Igrejas, concedemos a bênção apostólica como penhor da Nossa especial benevolência e como presságio da proteção celeste”.

Na verdade todos os cristãos estão autorizados a abençoar e a orar por quem quer que seja (At 12:5; Rm 12:14; Ef 6:18; Cl 4:2,3), diferentemente da Antiga Aliança, onde havia a figura do sacerdote como o principal responsável pelo ministério da oração e da ministração da bênção (cf. Lv 9:22; Dt 21:5; Js 8:33; 1 Cr 23:13; 2 Cr 30:27). Destaque-se que na Nova Aliança todos os crentes são como sacerdotes (Ap 1:6, cf. 5:10), o que implica dizer que todos tem a competência para exercer o ofício da oração e da ministração da bênção.

Esclareça-se, ainda, que não somos nós em si que abençoamos, mas, como já exposto, apenas oramos pedindo uma bênção sobre alguém (podendo Deus conceder a mesma ou não), haja vista que “Toda a boa dádiva e todo o dom perfeito vem do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não há mudança nem sombra de variação” Tg 1:17, cf. Nm 6:24 e Rt 2:4. Portanto, nenhum crente, independentemente do cargo eclesiástico que ocupa, é detentor de uma unção especial para conceder determinada bênção em detrimento da incapacidade espiritual dos demais. Crer que somente o pastor de uma igreja local é quem tem autoridade para conceder determinada bênção é o mesmo que estar colocando nele a origem da mesma, dando a ele a posição de detentor e distribuidor da bênção, o que contraria o acima exposto.

As palavras de 2 Co 13:13 recitadas ao final de cada culto não podem ser tidas como palavras milagrosas ou mágicas. Lembremos que Deus condena a repetição de palavras na oração (Mt 6:7), bem como que Paulo não repetiu no encerramento de nenhuma outra carta a oração de 2 Co 13:13. Além do mais, antes das palavras em si que são usadas para se pedir algo, a fé é bem mais importante em uma oração (Hb 10:22, Tg 1:6,7).

A referida “bênção apostólica” não é uma bênção especial, mais nobre do que as demais orações abençoadoras, mas tão somente é um apego literal a uma passagem do Novo Testamento. Sua prática e observação não vem a ser um pecado em si, pois, como já dito, a ordem bíblica é para sempre “abençoarmos” (i.e., pedirmos a bênção sobre alguém), e creio que a fé e a boa intenção das pessoas envoltas na “bênção apostólica” acabam-na tornando eficaz em alguns casos.

Então a mesma deve acabar? Não digo que sim, e nem digo que não. Digo que cada igreja deve ter ciência da verdade bíblica aqui exposta, e assim decidir o que achar melhor, ou simplesmente deixar que o tempo e o costume digam o que deverá acontecer com a “bênção apostólica”.

Mas que a referida “bênção”, como a vemos hoje no final de cada culto, foge da sistemática bíblica, isso é um fato inconteste!

Anchieta Campos

sábado, 15 de agosto de 2009

Apenas cinco anos de uma nova vida

Os cuidados desta vida fizeram com que a data passasse despercebida, mas hoje me lembrei que dia 13 de agosto (última quinta-feira) fez cinco anos que entreguei minha vida ao Senhor Jesus, confessando-o como meu único e suficiente Salvador. Sem sombra de dúvidas foi a melhor escolha que eu tomei em toda a minha vida.

Estou aprendendo, caminhando, crescendo e se desenvolvendo na fé cristã. Sou uma criança de cinco anos a qual pouco tem a ensinar, mas muito tem a aprender. Minha oração é que Deus nunca permita que eu aprenda algo errado, para que assim eu nunca venha a ensinar algo que não se deve.

“Entrega o teu caminho ao SENHOR; confia nele, e ele o fará” Salmo 37:5.

Anchieta Campos

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Globo, Record e o escândalo universal

Ontem pela noite contemplei um duelo de gigantes nacionais. Nunca tinha visto duas redes nacionais de televisão tão diretas e dedicadas em defesa de seus interesses, se enfrentando com o melhor que tem. E sabe quem ganhou a batalha de ontem? Claro que foi a Globo.

Vídeos são provas fortes demais. Bispos da Universal pedindo carros, casas, ofertas de 100 mil reais, dízimos no piso de mil reais, culminando com o cúmulo do absurdo que foi pedir o sustento da família como oferta, e encerrando com chave de ouro com um certificado “assinado” por “Jesus Cristo”, são fatos fortes demais para ignorar. Isso sem falar no vídeo onde passa Edir Macedo feliz que nem pinto em areia ao ver os seus “pouquinhos” dólares norte-americanos.

E a Record? Fez seu dever de casa em defender o patrão. Mas não tinha como. O apoio testemunhal é o mais fraco que ela poderia usar, e quem estuda Direito sabe que a prova testemunhal é a prostituta das provas. O argumento de que a Universal aumenta grandemente em números de fiéis (o que seria um atestado de qualidade e satisfação dos membros) é pífio e frágil por excelência. Esse grande número de adeptos se justifica tranquilamente com o uso maciço da grande mídia, sua reconhecida marca de ser uma igreja liberal na moral e bons costumes, bem como pelo fato da teologia da prosperidade ser bem atrativa para os indoutos. E as ações sociais? Para tanta riqueza é pouco.

Não é nem preciso dizer que todas as práticas da Universal para arrancar dinheiro dos seus fiéis são totalmente anti-bíblicas, anti-morais, anti-éticas, anti-sociais e anti-lógicas. Nenhuma igreja evangélica é perfeita (na verdade nenhuma instituição humana é), nem a minha Assembléia de Deus, mas certas práticas fogem de todo limite da ética e moral.

Destaque-se ainda que a Universal é hoje a igreja mais rica da América Latina, sendo que tem apenas 32 anos de existência. Apenas para se ter uma noção, a Igreja Presbiteriana do Brasil tem 147 anos, a Igreja Batista no Brasil tem 138 anos, a Luterana tem 105 anos, e a Assembléia de Deus fará seu centenário em 2011. Agora junte o patrimônio dessas quatro igrejas e compare com o da Universal para ver se chega pelo menos perto.

Por essas e outras que eu digo, pelo bem do seguimento genuinamente protestante: chega de escândalos no Reino Universal! Amém.

“Porque muitos há, dos quais muitas vezes vos disse, e agora também digo, chorando, que são inimigos da cruz de Cristo, cujo fim é a perdição; cujo Deus é o ventre, e cuja glória é para confusão deles, que só pensam nas coisas terrenas. Mas a nossa cidade está nos céus, de onde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo” Fl 3:18-20.

Ver ainda meus artigos: “A Bíblia apóia o comunismo?” e “Uma pequena exegese de Fl 4:13”.

Com amor,

Anchieta Campos