quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Ortodoxia e os tempos trabalhosos

Vivemos em uma época reconhecidamente conturbada para o cristianismo protestante. São tantos modismos, mas tantos mesmos, que hoje em dia às vezes pensamos que estamos em uma festa e não dentro de um culto; é um tal de “levante a mão!”, “bata palmas!”, “extravasa na adoração!”, “adore ao Senhor!”, “olhe pro irmão que está do seu lado e diga é hoje!”, “quem ta feliz diga aleluia!”, além de muitas outras frases apelativas, emotivas e animadoras de auditório que estão sendo usadas em nossos púlpitos; junte-se a isto os hinos cantados em ritmos que mais mexem com a carne do que com o espírito, além de alguns irmãos e irmãs que para completar acabam “dançando no espírito” quando se encontram “cheios”, outros acabam “caindo no poder”, dando mais uma conotação de loucura do que de manifestação do Espírito Santo.

E alguém pode relutar: “isso é exagero seu Anchieta, você apenas atacou estas ações e não refutou”. Oras, sinceramente, para refutar tais práticas em um culto formal a Deus não preciso elaborar um artigo bíblico imenso, mas apenas perguntar onde estas práticas encontram respaldo no Novo Testamento e na igreja neo-testamentária. Onde mesmo? Já a favor do meu entendimento bíblico, dentre muitas referências, deixo apenas o capítulo 14 de 1 Coríntios.

Mas não para apenas por aí. O que falar das inúmeras denominações evangélicas existentes? O que existe de proveito neste absurdo de igrejas que é o fruto do egoísmo e da ambição de pessoas que mais visam o material do que o espiritual? Quem já viu algum ímpio glorificando a Deus pelas milhares de denominações evangélicas espalhadas Brasil afora? É realmente propósito de Deus ver o seio protestante esfacelado? São tantas e tantas doutrinas e modismos, algumas absurdas ao extremo, que nem dá para classificar muitas igrejas como de protestantes. Onde está a unidade doutrinária e bíblica do Corpo?

Falar de doutrina? Aí é que o “negócio fica feio!”, logo no ponto que o cristianismo tem de mais importante, que é a sua fé expressa em suas doutrinas fundamentais e basilares explanadas pela Bíblia Sagrada. Chegue para um jovem evangélico hoje e tente explicar que o grupo que diz ter “a voz da verdade” é unicista e nega a Trindade; primeiramente o jovem dificilmente saberá o que é ser unicista, bem como não saberá definir ou distinguir a importância da doutrina da Trindade para a fé cristã, e no final o jovem ainda ficará com raiva de você por ter “tocado” nos seus queridinhos “ungidos” unicistas do famoso grupo gospel manipulador da massa jovem ignorante. Peguei pesado? Se você pensou assim é um candidato em potencial para ser mais um relativista doutrinário/bíblico. Ver meus artigos Isaías, Ciro e a inerrância da Bíblia e Por um correto uso das Sagradas Escrituras.

E como solucionar,ou pelo menos não ser engodado por estes atrativos pratos da heresia e dos modismos nada bíblicos? Existem várias respostas, dentre elas poderíamos citar as duas principais, que são uma vida de oração e uma leitura/estudo bíblico regular e sistemático. A primeira não requer muito detalhamento, e nem será esse o momento; a segunda nada mais é do que o estudo teológico da Bíblia. O estudo teológico tem que forçosamente produzir uma característica em seus alunos para que se torne algo válido e eficaz, qual seja: a ortodoxia.

Mas o que é ortodoxia? O que é uma pessoa ortodoxa?

Pegando carona na definição do pastor Claudionor Corrêa de Andrade, em seu Dicionário Teológico (CPAD), lemos a seguinte definição:

Ortodoxia [Do gr. Orthodoxos] Conjunto de doutrinas oriundas da Bíblia, e tidas como verdadeiras, de conformidade com os cânones e concílios da Igreja.

Ortodoxo Verdadeiro, certo. O que se acha de acordo com a Palavra de Deus e com os cânones e concílios estabelecidos pela igreja.

A palavra é o resultado da fusão de orthos “certo”, e doxa “opinião”, significando basicamente uma crença acertada, correta, se opondo assim a heresia e a heterodoxia (opinião divergente, contrária). O seu significado prático é de que certas declarações expressam com fidelidade e coerência as doutrinas e verdades contidas na Bíblia, as qualificando assim como normativas para a Igreja.

A importância da qualidade de ortodoxo se projeta de forma grandiosa quando do surgimento de heresias, modismos e ventos de doutrinas, os quais sempre vem com força para bater contra a fé cristã. Aquela pessoa ortodoxa está consciente da sua fé e de suas doutrinas, não sendo abalado nem seduzido a se desviar dos fundamentos e verdades da fé cristã expressas na Bíblia e condensadas/organizadas nas expressões/declarações de fé.

Portanto, precisamos de crentes ortodoxos, e não relativistas que se deixam levar por tudo que é modismo e novo. A ortodoxia é uma qualidade necessária para o crente fiel, e o verdadeiro ortodoxo é aquele que não rejeita tudo que é novo e nem se apega a tudo que é velho, mas sim analisa tudo que é antigo e tudo que é novo sob a ótica de uma doutrina bíblica pura e imparcial, sempre com o norte das Sagradas Escrituras.

“Não vos movais facilmente do vosso entendimento” 2 Ts 2:2.

“Tu, porém, permanece naquilo que aprendeste, e de que foste inteirado, sabendo de quem o tens aprendido” 2 Tm 3:14.

“E rogo-vos, irmãos, que noteis os que promovem dissensões e escândalos contra a doutrina que aprendestes; desviai-vos deles” Rm 16:17.

Anchieta Campos

4 comentários:

cincosolas disse...

Anchieta,

Estou contigo nessa! Infelizmente, nosso cristianismo está em frangalhos. Mas com certeza tem "sete mil" em algum lugar.

Em Cristo,

Clóvis

Anchieta Campos disse...

Caro irmão Clóvis, a paz do Senhor.

Seu apoio é uma honra!

Com certeza Deus tem os seus "sete mil" espalhados pelo mundo, os quais ainda entendem o ensino do sola scriptura.

Oremos pelo movimento protestante e pelas igrejas cristãs, para que Deus abençoe, ilumine e guarde.

Forte abraço.

Anchieta Campos

Juber Donizete Gonçalves disse...

Anchieta,

São muitos os ventos de doutrina, em nosssos dias. É necessário mais tempo exposição da Palavra, parar com Shows evangélicos, avisos e cânticos em excessos nos cultos. O ensino da Palavra tem que ser feito com dedição, pois em muitos lugares não se tem pregação do Evangelho e sim só apologia a usos e costumes, politicagens, teologia da prosperidade, entre outras coisas. Parabéns pela postagem.

Abraço.

Anchieta Campos disse...

Prezado pastor Juber, a paz do Senhor.

Sua participação em meu humilde blog muito me honra e motiva.

Palavras sábias, as quais são um excelente complemento para esta postagem. A exposição da Palavra perdeu o espaço que jamais era para ter perdido, e as conseqüências estamos a ver em nosso meio cristão.

Forte abraço.

Anchieta Campos