domingo, 27 de abril de 2008

Proibição da leitura da Bíblia no catolicismo romano

Em meus estudos sobre o catolicismo romano aprendi muitas, mas muitas coisas mesmo sobre a poderosa Igreja de Roma. Foram mais de uma centena de artigos e estudos lidos sobre a Igreja Romana, tanto do ponto de vista histórico, político e teológico. Dentre todos os textos que li há um em especial, que nada mais é do que o registro de uma obra do Vaticano sobre a Bíblia Sagrada.

O italiano Giovanni Maria del Monte fora eleito Papa no ano de 1550, reinando sobre o trono papal com o nome de Júlio III até o ano de 1555, sucedendo o Papa Paulo III. O conclave que o elegeu demorou mais de dois meses e fora marcado por uma disputa política muito grande entre os cardeais italianos e o grupo dos simpatizantes do inglês Pole, o qual acabou derrotado.

Em seu papado, Júlio III ordenou a reabertura do clássico e famoso Concílio de Trento em 01/05/1551, instalando assim novos bispos alemães, com o intuito de instalar uma reforma na Igreja Católica antes do protestantismo tomar conta de toda a Europa. Fora neste Concílio que se criara o dogma da Eucaristia, com a definição de transubstanciação. Outro ato interessante do Papa Júlio III fora o de consagrar a cardeal o filho adotivo de seu irmão, um garoto cheio de vícios e com menos de 15 anos de idade.

Muitos poderão dizer que o principal legado de Júlio III fora Trento, e realmente esse fora o seu mais expoente ato. Agora o Papa deixou também uma produção muito valiosa para compreendermos bem melhor a verdadeira cara da Igreja Católica Romana; na verdade o referido papa convocou os três mais famosos e reconhecidos mais sábios bispos da sua igreja, lhes entregando a missão de analisarem a Bíblia, apresentado-lhe soluções para o “problema da Bíblia”, que em muito prejudicava e incomodava a igreja católica naquele tempo da reforma protestante.

Ao concluir os seus estudos, os bispos apresentaram a Júlio III um documento intitulado de “Direções concernentes aos métodos adequados para fortificar a Igreja de Roma”,o qual se encontra arquivado na Biblioteca Imperial de Paris, fólio B, número 1088, vol. 2, ps. 641 a 650. Destacaremos somente a parte final da referida obra:

“Finalmente (de todos os conselhos que bem nos pareceu dar a Vossa Santidade, deixamos para o fim o mais necessário), nisto Vossa Santidade deve pôr toda a atenção e cuidado de permitir o menos possível a leitura do Evangelho, especialmente na língua vulgar, em todos os países sob vossa jurisdição. O pouco dele que se costuma ler na Missa, deve ser o suficiente; mais do que isso não devia ser permitido a ninguém. Enquanto os homens estiverem satisfeitos com esse pouco, os interesses de Vossa Santidade prosperarão, mas quando eles desejarem mais, tais interesses declinarão. Em suma, esse livro (a Bíblia) mais do que qualquer outro tem levantado contra nós esses torvelinhos e tempestades, dos quais meramente escapamos de ser totalmente destruídos. De fato, se alguém o examinar cuidadosamente, logo descobrirá o desacordo, e verá que a nossa doutrina é muitas vezes diferente da doutrina dele, e em outras até contrária a ele; o que se o povo souber, não deixará de clamar contra nós, e seremos objetos de escárnio e ódio geral. Portanto, é necessário tirar esse livro das vistas do povo, mas tende muito cuidado, para não provocar tumultos. Bolonie, 20 Octobis 1553, Vicentius De Durtantibus, Egidus Falceta, Gerardus Busdragus”.

Realmente os bispos estavam mais do que certos. A Bíblia é um perigo para a Igreja Católica Romana, a qual não sustém suas doutrinas e práticas quando comparadas a Palavra de Deus.

Todo este medo que o grande povo católico tenha conhecimento e esclarecimento bíblico é justamente movido pelo medo de perder seus fiéis (os quais estão cada vez mais raros).

A Bíblia nos diz que a Palavra é a verdade, conforme asseverou Jesus em Jo 17:17 que diz: “Santifica-os na tua verdade; a tua palavra é a verdade”. Em outra passagem Jesus disse: “E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” Jo 8:32. Como podemos aprender nesta rápida hermenêutica, a Palavra de Deus é a Verdade que liberta o homem da ignorância e da escravidão do pecado, dando a luz do caminho e expulsando as trevas, cf. Salmo 119:105 que diz: “Lâmpada para os meus pés é tua palavra, e luz para o meu caminho”.

Por fim, o próprio Cristo nos alertou para que examinássemos (ler e estudar, esmiuçar) as Escrituras, cf. Jo 5:39 que diz: “Examinais as Escrituras, porque vós cuidais ter nelas a vida eterna, e são elas que de mim testificam”.

E hoje, mudou? Uma conversa rápida com um católico mostra que não. Infelizmente.

Anchieta Campos

2 comentários:

cincosolas disse...

Anchieta,

Bastante úteis suas informações. Você saberia nos informar o porque do nome Aparecida? Pois sugere uma aparição de Maria, porém nada li a respeito.

Em cristo,

Clóvis

Anchieta Campos disse...

Caro Clóvis, a paz do Senhor.

Apesar do nome realmente sugerir uma aparição de "Maria", por tudo que já li a respeito, é de veras que não se origina disto.

O mais provável é que este nome "Aparecida" tenha se predominado de um modo progressivo, em virtude não de um aparecimento da "Virgem Maria" (como no caso de Lourdes), mas sim do aparecimento da imagem mesmo, no rio Paraíba do Sul.

Forte abraço!

Anchieta Campos