domingo, 28 de outubro de 2007

E a Reforma passou em branco

Hoje, dia 28 de outubro de 2007, foi o culto mensal de Santa Ceia da Assembléia de Deus em Pau dos Ferros-RN, aonde me congrego. O culto foi uma bênção, como todos os outros são, mas temos que admitir que o culto de Santa Ceia é realmente uma oportunidade especial, não apenas pela parte espiritual, que diga-se é a mais importante, mas também pela igreja estar cheia, lotada com os irmãos de toda a parte da cidade, aonde muitos só vem até o templo sede justamente nessa ocasião; é sem dúvida um momento de festa e de grande alegria para a Assembléia de Deus em Pau dos Ferros.

Contudo, me veio apenas uma frustração no meio deste tão abençoado trabalho, que foi justamente se deixar passar essa tão valiosa oportunidade de pelo menos lembrar a igreja uma data que poucos sabem, e o pior, ensinar o que essa data comemora! A três dias do aniversário da Reforma Protestante um culto como esse se mostrou ideal para pelo menos uma rápida nota explicativa sobre o que foi e o que representou a Reforma do século XVI. É evidente que o foco do culto de Santa Ceia não seria (e nem poderia ser) desvirtuado; o centro do culto e da mensagem, como sempre é, continuaria a ser o Senhor Jesus, quanto mais em um culto dedicado à lembrança de seu sacrifício! Mas sejamos sinceros, deixar passar totalmente em branco esse fato de tão grande importância para a vida da Igreja é sem sombra de dúvidas um ultraje à memória de homens fundamentais para o desenvolvimento da mesma.

Não exagero, podem perguntar hoje aos irmãos denominacionais quem foram Lutero, Calvino, Huss, Wycliffe e outros muitos, que uma grande parte não saberão responder! Ao menos eles sabem quem foi Jesus, e é realmente isso que importa! Mas que é uma vergonha, isso é!

“Em verdade vos digo que, em todas as partes do mundo onde este evangelho for pregado, TAMBÉM O QUE ELA FEZ SERÁ CONTADO PARA SUA MEMÓRIA” Marcos 14:9.

“A memória do justo é abençoada, mas o nome dos perversos apodrecerá” Provérbios 10:7.

Anchieta Campos

Um comentário:

Paulo Silvano disse...

Caro Anchieta Campos,

Lí o seu post "Faraó, predestinação e livre arbítrio". Concordo com a sua defesa, mas, como veterano assembleiano e também defensor do arminianismo, percebo que lamentávelmente a doutrina do livre arbítrio começa a perdem as suas defesas no ambiente do pentecostalismo clássico. À medida que o pentecostalismo vai encerrando o seu ciclo como movimento e, com isso, tendendo par uma (des)polarização, percebe-se a ocorrência de um fenômeno interessante.
Esse acontecimento indica que uma parte minoritária e mais conservadora, composta principalmente de pastores e teólogos, lentamente se alinhará ao protestantismo histórico, de orientação calvinista, com o detrimento dos postulados arminianos, seguindo o exemplo daquilo que já acontece há muito tempo com a AD nos EUA.
No Brasil os presbiterianos, antipentecostais e árduos defensores da doutrina da predestinação, já festejam a guinada da ala "pensante" assembleiana em direção a soteriologia calvinista (basta prestar atenção sobre o quanto teólogos pentecostais clássicos do Brasil falam e escrevem sobre Calvino e o quão pouco falam e escrevem sobre livre arbítrio).
A outra parte, a maioria dos crentes assembleianos, incluindo pastores e líderes não resistirão a oferta da graça barata proposta pelo neo(pós)pentecostalismo, cuja sintomatologia há muito se percebe no meio pentecostal em espetáculos deprimentes, como os de Camboriú - SC, eivados das idiossincrasias alheias a Teologia Pentecostal, animados por pregadores “fogo de palha” no estilo marco-feliciano.
Tentar revitalizar o pentecostalismo nesse cenário, sem entender que Deus é dinâmico, como disse Jesus: “Meu Pai trabalha até agora, e Eu também”, será assistir o seu fim, homogeneizado em parte no protestantismo histórico compatibilista, que defende a doutrina da predestinação e em parte engolido pelo paganismo do deus utilitário do neopentecostalismo, com os seus cultos de libertação e prosperidade financeira.
Não sei se vale a pena levantar bandeira em defesa da teologia marcadamente arminiana ou se devemos, pelo menos por enquanto, esperar para ver como fica. Vamos orar.

Um abraço,
Pr Paulo Silvano
http://sinergismo-sinergismo.blogspot.com