sábado, 28 de fevereiro de 2009

Em defesa da igreja local

“Não deixando a nossa congregação, como é costume de alguns, antes admoestando-nos uns aos outros; e tanto mais, quanto vedes que se vai aproximando aquele dia” Hb 10:25.

Percebo que a cada dia que se passa, um movimento nada saudável tem tomado mais e mais espaço no meio “protestante”. Falo do pensamento equivocado onde, através de um conceito deturpado do sentido da palavra igreja, acaba-se por criar em certas pessoas a falsa idéia de que as mesmas podem simplesmente abandonar as suas igrejas (congregações) locais, e passarem a viver uma vida sem reuniões (ou cultos) organizados/solenes, sem estarem ligadas a nenhuma denominação/instituição/organização eclesiástica. Isto, caro leitor, é um desvio considerável, pois atenta contra a composição eclesiástica básica estabelecida no Novo Testamento (At 6:2-4; Ef 4:11,12; Fl 1:1; Tt 1:5; Tg 5:14; 1 Pe 5:1), bem como arranca a figura dos líderes (1 Tm 3:1-5; 5:17; 1 Pe 5:1-3), acabando assim, por tabela, com os ensinos da submissão a liderança pastoral (Hb 13:17), da comunhão entre os membros do Corpo de Cristo, que é a igreja (1 Co 6:15,16; 10:16,17; 12:12-27), notadamente através da realização da Santa Ceia (ver meu artigo Compreendendo a Santa Ceia), dentre outros ensinos.

A palavra igreja (do grego ekklesia), significa, em seu sentido estrito e literalmente, uma reunião de um povo em determinado lugar, reunião esta dada através de um convocação (grego ekkaleo). Esta palavra, pode tanto se referir a igreja universal, a espiritual, que será arrebatada (Mt 16:18; At 20:28; 1 Co 10:32; 15:9; Ef 1:22; 5:23-25,27,29,32; Cl 1:18,24; Hb 12:23), bem como pode se referir a uma igreja local, a física, a instituição humana organizada (At 8:1; 9:31; 11:22,26; 14:23; Rm 16:1,16; 1 Co 1:2; 11:18; 14:19,23,28; 1 Tm 5:16; 3 Jo 1:9,10; Ap 2:1,7). Logo, depreendemos que a palavra igreja não se refere somente a igreja espiritual formada pelos salvos e remidos, a qual será arrebatada, mas também se refere as igrejas locais, organizadas em forma de instituições eclesiásticas denominacionais, as quais, por serem instituições humanas, acabam por ter em seu rol de membros falsos crentes (Ap 2:2,9,14,15,20-23; 3:4,9,18,19).

Oras, o único ponto “positivo” que eu vejo neste gigantesco esfacelamento do seio evangélico, é justamente não haver desculpas para que algum “crente caseiro” deixe de se congregar em alguma igreja, haja vista o bem farto “cardápio” de denominações evangélicas espalhadas pelo Brasil. Será possível que não há sequer uma denominação que seja “correta” ou “agradável” para estes irmãos caseiros/individualistas? O texto áureo deste sucinto artigo é claro em seu significado e ensino: “Não deixando a nossa congregação, como é costume de alguns, antes admoestando-nos uns aos outros; e tanto mais, quanto vedes que se vai aproximando aquele dia” Hb 10:25. Devemos sim ter uma congregação, em todos os moldes acima já elencados, ou seja, uma congregação onde se há pastor, presbíteros, diáconos, realização e celebração da Santa Ceia, como símbolo de comunhão entre os irmãos, onde se tenha pregação da palavra, doutrina, louvor, coletas de ofertas financeiras para o auxílio dos irmãos necessitados, etc, etc, etc. Como é possível se cumprir toda esta sistemática bíblica se não houver um grupo de cristãos que se reúnam de forma organizada e com periodicidade em uma igreja local? É no mínimo um tanto quanto complicado, bem como estranho, em uma clara tentativa de se remar contra uma regra sistemática estabelecida, praticada e aceita por toda a maioria do cristianismo.

É claro que a atual situação do protestantismo, em seu estado de total divisão e inúmeras denominações, não é o que Cristo planejou para o seu povo, mas existem sim igrejas que se apegam de forma majoritária aos preceitos bíblicos, assimilando-se bastante com a eclesiologia neo-testamentária.

Pessoas que insistem e teimam neste erro individualista, quase na totalidade, tem aversão a idéia de serem submissas, de terem um líder e uma organização a que devam respeito e honra; querem ser os donos dos seus próprios narizes, querem ser os presidentes, e não os presididos; pensam estar agradando a Deus e honrando a sua Palavra, mas acabam por desagradar ao Criador e infringir a sua Eterna Escritura.

Nossa submissão, em último caso, não é para com o homem, mas sim é sempre para com Deus (Gl 1:10; Ef 6:6; Cl 3:22; 1 Ts 2:4), através da sua Palavra (Jo 8:51; 12:48; 17:17; At 17:11; Tt 1:9; 2 Tm 3:16), e é a sua Palavra que nos mostra que devemos ter a nossa congregação, nos ditames e moldes acima já elencados.

Em defesa da igreja local, organizada e distinta como tal,

Anchieta Campos

23 comentários:

james disse...

Graça e paz vos sejam multiplicadas, amado irmão Anchieta Campos.

Vez por outra, encontro neste rico espaço, assuntos importantes acerca da Palavra do Senhor, e como não deixar de ser, este momento crucial por que passa a “igreja protestante brasileira”, tendo raras exceções honestas...

Permita-me, mas serei prolongado, ainda que, superficial!

Entendo que, nos reunir para louvor e adoração ao Senhor Jesus, com um coração sincero, é pela Palavra de Deus, saudável e leal ao Senhor, pois, Jesus nos diz que “... onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles” (Mateus 18.20)...

Outrossim, este, que o amado indica ser um “momento”, nada mais é que, um crescimento alarmante daqueles que, presenciam a cada dia mais, o que também fora exposto em seu blog, sobre um dos incontáveis escândalos pastorais ocorridos ao redor do mundo no presente século, somente para não sermos repetitivos quanto às notícias nada saudáveis da “figura de líderes”, lembremos do episódio da Renascer, como afirmado pelo amado: “Onde foram investidos os altos dízimos e ofertas desta nova, mas já rica e grande igreja? Acho que o casal “apostólico” fundador da mesma sabe esta resposta.”

Creio que aqui sim há um conceito deturpado: a “figura de líderes”...

Cristo nos chamou a liberdade, e não a sermos submissos a homens, bem como sua indicação, Hebreus 13.17, fazendo ênfase à “ submissão a liderança pastoral”, mas, vamos ler novamente: “Lembrai-vos dos vossos pastores, que vos falaram a palavra de Deus, a fé dos quais imitai, atentando para a sua maneira de viver”...

Amado irmão, onde encontramos neste versículo bíblico a indicação à submissão??? Encontro sim, que devemos imitar aqueles que são exemplo na fé, como Pedro, Timóteo, Tito, como tantos outros, porém, o que presenciamos hoje em cima dos púlpitos, como imitá-los?? Impossível é!

Note bem, quando afirmas, “Não deixando a nossa congregação...”, o amado bem me conhece, ainda que virtualmente, mas conhecedor és, do ocorrido com nossa pessoa, na qual, um pastor assembleiano, a “figura de líderes”, envolvendo os membros com intrigas, fez-se esfacelar o corpo, uma congregação por inteiro, e por final, vender o imóvel e se locupletar do arrecadado, como bem sabes que tento judicialmente reverter tal venda...

Pois bem, deixei a congregação, como é costume de alguns??

Ou fui advertido pelo Senhor a compreender que, igreja, significa em seu sentido estrito e literalmente, uma reunião de um povo em determinado lugar, reunião esta dada através de uma convocação. Certo! Contudo, quando convido (convoco) irmãos a se reunirem com minha família em nosso lar ou nos deles, questiono: onde estaremos descumprindo tal afirmação que o amado nos trouxe??

Interessante ainda, torna-se mencionar sobre a Santa Ceia, momento de reflexão que, conforme seu relato “Primeiramente cabe destacar que a própria pessoa é que é capaz de realizar este exame próprio/individual”, seria necessário um número grande de irmãos e somente dentro da igreja quatro paredes???

De forma alguma! Cabe-nos reunir em comunhão sem fingimento, em amor...

Além de que, a “figura de líderes”, querem ser eles a tomarem o lugar de Cristo na Ceia, somente por eles pode-se distribuir o pão e o vinho, enquanto que, no relato de 1Coríntios 11.17-34, em momento algum se mencionou na “figura de líderes”, mas Pedro (1Pedro 2) assim se refere aos que crêem em Jesus Cristo:

Vós também, como pedras vivas, sois edificados casa espiritual e sacerdócio santo, para oferecer sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por Jesus Cristo” – v.5

Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz” – v.9

Já presencie em determinada congregação a “figura de líderes” proibir irmãs de participarem da Ceia do Senhor, por terem participado de uma festa e dançado forró, mesmo elas estando arrependidas de tal feito... mas, não devemos ser nós mesmos a nos examinar?? Então, onde entra a “figura de líderes”?? Somente introduzem preceitos e doutrinas de homens...

Há que dizermos sobre mistura de doutrinas que hoje presenciamos nas denominações, vamos utilizar, por exemplo, da Assembléia de Deus, pois, é de onde sou oriundo:

- No estado de Goiás, Brasília, Belo Horizonte, encontramos AD, presididas por pastoras, uma delas divorciada... (lembro-me que também o amado por respaldo bíblico é contra a ordenação feminina ao pastorado, e a grande maioria da “figura de líderes” assembleiana mais famosa, é a favor).

- A propagação da teologia da prosperidade, com a criação de uma nova Bíblia, por uma famosa “figura de líderes”...

- Em algumas AD, ainda se mantém os usos e costumes, que nossos irmãos assembleianos de sessenta anos atrás, praticavam, entretanto, há uma nova(???) visão sobre estes mesmos usos e costumes, como assim dizer, não se é necessário praticar o que praticavam no passado... quer dizer que os irmãos estavam errados??

- A disputa acirrada à CGADB, onde a “figura de líderes”, chegam a se digladiar, “O que Eu penso sobre a Refutação do Pr:Geremias do Couto em seu blog,sobre o ocorrido na Igreja Mãe em Belém.”...

- Imposição ao membro que deseja ser obreiro, de obter curso ou seminário de teologia, sendo que somos conhecedores que, o verdadeiro obreiro tem um chamado divino e não com credencial...

Minha defesa se faz, na liberdade que Cristo Jesus nos traz em Seu sofrimento na cruz do Calvário, de cultuarmos a Deus em espírito e em verdade, livres de rituais, imposições ao uso de práticas da Lei para enriquecimento eclesiástico e pastoral (aliás, da “figura de líderes”), modismos, ganância, soberba, mentira, exibicionismo, fraude, fingimento, doutrinas avarentas, disciplinas humanas...

Por fim, como me conheces e o quanto sou admirador de vossa pessoa e da sabedoria com a qual manejas bem a palavra de Deus, senti neste seu relato, mais uma defesa a “figura de líderes” ao local onde se tenha pregação da palavra, doutrina, louvor, coletas de ofertas financeiras para o auxílio dos irmãos necessitados (espero sinceramente que ocorra este auxílio, não de sua parte, mas da “figura de líderes”)...

Fraternalmente.

Seu conservo.
James.

Jesus, o maior Amor
Comunidade "Adoradores em Casas"
...
..
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Gláuber disse...

Meu amigo Anchieta, vc parece bem convicto nesse aspecto. Eu ñ.
Algumas igrejas primitivas ñ tiveram pastores(como os de hj) estabelecidos sobre si, algumas tiveram líderes discretos, às vezes apenas administrativos. Outro ponto que me fundamenta seria o famigerado princípio da multiforma de agir de Deus. Não estou falando com relação a n congregar-se, é preciso sim congregar-se da mesma forma que é preciso ndeixar de congregar-se como fala a palavra, ponto esse no qual adimito ter falhado. Noentanto não é necessariamente preciso que exista um pastor(monarquia). Pode-se ter um conselho(oligarquia), ou decisões sempre tomadas por votação geral(democracia).
Às vantagens e desvantagens não irei me ater. Falo apenas que reconheço suas existencias em ambos, o que preciso falar é que não é "ERRADO" o fato de não haver "O" líder.

Um abraço.

Ass: Gláuber.

Anchieta Campos disse...

Caro amigo Gláuber, saudações fraternas.

Muito me honra sua visita e palavras em meu blog. Deus lhe abençoe por isto.

Basicamente sua discordância repousa no modo de governo eclesiástico (episcopal, presbiteriano, ou congregacional). Você demonstra uma aversão ao governo episcopal (e é compreensível), a bem da verdade não tenho uma opinião formada do qual seja o mais ideal, apesar de crer piamente que ambos tem seus pontos positivos e negativos.

Ademais, não se pode negar que o NT demonstra a existência da figura dos líderes (bispos, pastores), bem como que os mesmos devem ser honrados e respeitados como tais. É claro e notório que a Bíblia mostra que os mesmos tem seus deveres perante a igreja, e podem ser disciplinados e punidos, afinal de contas os mesmos não tem imunidade alguma perante Deus em relação aos seus erros.

Portato, pelo o que já fora exposto, a existência dos líderes locais (bispos, pastores) é bíblica, independentemente de como seja o governo eclesiástico adotado.

Forte abraço.

Anchieta Campos

Anchieta Campos disse...

Caro irmão James, a paz do Senhor.

Por ser seu comentário mais longo, irei me deter a ele mais tarde, quando regressar da igreja. Estou de saída.

Forte abraço, caro amigo.

Anchieta Campos

Gláuber disse...

Só quero deixar bem claro que a igreja existe idependente da figura de bispos, pastores, diáconos ou qualquer que seja "o" líder.
Não há nada de errado nas igrejas sem lideranças "individuais", como algumas igrejas primitivas que não possuiam líderes, existia apenas uma DISTRIBUIÇÃO DE FUNÇÕES.
A existência do pastor não é uma condição essencial para a caracterização da Igreja.
É isso que eu quero que você prove o contrário, se não achar correto.

Abraço caro colega!

Anchieta Campos disse...

Prezado amigo e irmão James, a paz do Senhor.

Primeiramente desculpas pelo atraso em lhe responder, é que somente agora tive tempo para elaborar esta missiva.

É sempre com muito prazer que recebo suas ricas e importantes intervenções neste meu espaço, mesmo que sejam para expor um pensamento divergente do meu. Destaque-se que a verdade é que somos muito parecidos em nossas convicções bíblicas/teológicas, com raríssimas exceções de discordância, notadamente em pontos que não são cardeais para a fé cristã.

Pois bem, irei me deter, também de forma sucinta (até porque com o amado tenho liberdade, bem como confiança de que és um servo de Deus, não precisando, portanto, me delongar em argumentos), ao seu comentário.

Permita-me, pois, o amado irmão, que eu explane os seguintes pensamentos:

Em relação a sua citação de Mt 18:20, a mesma não faz apologia a uma igreja familiar, restrita a um grupo pequeno de membros. Se analisarmos bem o capítulo 18 de Mateus, veremos que existe um "capítulo temático" compreendido entre os versos 15 ao 20, onde vemos que Jesus ensina sobre como tratar um irmão que cometera pecado. Vemos uma clara e nítida evolução, onde Jesus começa com "repreende-o entre ti e ele", depois usa "leva ainda contigo um ou dois, para que pela boca de duas ou três testemunhas toda a palavra seja confirmada", e, por fim, o Mestre por excelência encerra com a sentença "E, se não as escutar, dize-o à igreja; e, se também não escutar a igreja, considera-o como um gentio e publicano". Percebemos claramente a existência de uma igreja/congregação, a qual com certeza foge ao limite de um ou dois, pois o estágio "igreja" é o terceiro, vindo após o segundo estágio, que é o de "um ou dois", logo, a igreja do verso 17 com certeza é uma congregação que não se restringe a um número familiar.

Perceba ainda, caro irmão, que a conclusão do verso 20 é diretamente relacionada com o verso 16 "para que pela boca de duas ou três testemunhas toda a palavra seja confirmada"; ou seja, Jesus quis dizer que onde houver dois ou três reunidos (ou unidos, i.e., em conformidade, em harmonia entre ambos, com o pensamento cativo no poder do nome de Jesus) em torno do Seu nome, Ele estaria no meio para confirmar o pensamento harmonioso dos mesmos "tudo o que ligardes na terra será ligado no céu, e tudo o que desligardes na terra será desligado no céu" (cf. 2 Co 13:1; 1 Tm 5:19; Hb 10:28; 2 Co 5:18). Ademais, a estrutura eclsiástica neo-testamentária da igreja (já apresentada no meu artigo), vem a reforçar o pensamento de que igreja também é sinônimo de congregação, distinta e organizada como tal, tornando inaplicável esta estrutura para uma igreja familiar.

Frise-se que os maus exemplos de alguns líderes evangélicos não anulam a fidelidade dos ensinos bíblicos. O amado bem sabe, que não poupo críticas aos líderes que as merecem. Na verdade, se o amado tivesse tido a oportunidade de conhecer mais profundamente como fora o processo político do ano passado aqui em minha cidade e igreja, saberia que não poupei críticas ao meu próprio pastor, pois o mesmo fora merecedor de tais, mas sou ciente também da figura bíblica dos mesmos para a igreja cristã, bem como que devemos obedecê-los e imitá-los, claro que tal submissão e honra devem ser sempre condicionadas ao exemplo do líder. Motivos tive muitos para sair da minha igreja e procurar outra, mas creio que isso não seja o caminho mais correto; quando muito, se a relação na igreja de origem está mesmo insuportável, procure-se outra denominação para se congregar.

Como falei, a nossa submissão não é para com homens, mas sim para com a Bíblia, e a mesma, como já exposto e fundamentado em meu artigo, nos ensina e mostra qual a estrutura eclesiástica proposta no NT, bem como nos ensina o obediência e honra aos nossos pastores. É o mesmo princípio da submissão e honra que as mulheres devem para os seus maridos; não é questão de valor diferente para com Deus, mas de organização, de ordem, de responsabilidades de cada grupo. A referência de Hb 13:17, que foi usada por mim, é "Obedecei a vossos pastores, e sujeitai-vos a eles; porque velam por vossas almas, como aqueles que hão de dar conta delas; para que o façam com alegria e não gemendo, porque isso não vos seria útil". Hb 13:7, citado pelo amado, apenas confirma a existência dos pastores na igreja primitiva; ademais, como já dito, o verso denota que os mesmos sejam irrepreensíveis, dignos de imitação, sendo que quando esta condição não se satisfaz, evidentemente não devemos imitar os seus erros; mas como já dito, isto não anula os ensinos bíblicos da existência eclesiástica dos líderes, bem como do nosso respeito para com os mesmos. Ademais, os três nomes citados por vossa pessoa como exemplos a serem seguidos, Pedro, Timóteo e Tito, ambos foram presbíteros e/ou pastores, líderes de igreja.

Em relação ao problema vivido pelo irmão, realmente o compreendo, mas como já dito, este e outros desapontamentos não são justificativas para nos isolarmos de toda e qualquer igreja/congregação, pois, como já exposto, a Bíblia apóia a existência de uma igreja/congregação local nos ditames já externados. Com todo o respeito e admiração que tenho por vossa ilustre pessoa, reconhecendo que és um homem entendido e maduro, o que sei que é de seu pleno conhecimento, não acredito que se congregar em um ambiente familiar bastante restrito seja da vontade de Deus, pois não vejo como se configurar a estrutura eclesiástica do NT. Igreja denota congregação, ajuntamento, reunião, comunhão, e isso de várias pessoas de toda a sociedade; não vejo com bons olhos esforços e atitudes no sentido de se isolar e se ter um grupo pequeno, à parte de uma igreja/congregação estabelecida, organizada e distinta como tal, creio que isto se distancia do real sentido de igreja prosposto por Cristo e seus apóstolos.

Em relação a Santa Ceia, digo preliminarmente que ontem fora culto de Ceia em minha igreja, e posso dizer que pude confirmar (mais uma vez), através da experiência ontem vivida no referido culto, que a Ceia realizada em igreja/congregação, ao lado dos amigos e irmãos da mesma, é o que Cristo realmente propôs para o seu povo. Mas, como no cristianismo a experiência pessoal não é absoluta e inerrante, vamos para a Bíblia.

Além do que já fora exposto em meu artigo referente a Ceia, cabe destacar passagens como "De sorte que foram batizados os que de bom grado receberam a sua palavra; e naquele dia agregaram-se quase três mil almas, E perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações" At 2:41,42; perceba, caro irmão, o sentido prático vivido pela igreja apostólica/primitiva em relação à Ceia do Senhor (partir do pão), onde após três mil almas terem se convertido em apenas um dia, toda a igreja era unida em seu culto à Deus e na celebração da Ceia. Famílias não celebravam a Ceia pro conta própria e isoladamente, mas sim toda a igreja, junta. Veja que no verso 46 está escrito que "E, perseverando unânimes todos os dias no templo, e partindo o pão em casa, comiam juntos com alegria e singeleza de coração", note que a igreja reconhecia um local distinto para adorar à Deus (o Templo), e no que se refere a frase "partindo o pão em casa", a mesma se explica pelo fato da igreja como um todo não ter a liberdade de celebrar a Ceia no Templo, por isso que a celebravam em casas, pois não havia como se congregar milhares de crentes em uma casa só. Diferentemente de Corinto, onde por não haver o mesmo número de crentes como em Jerusalém, a Ceia era realizada na igreja, por ocasião do ajuntamento dos crentes na igreja, em determinado lugar (1 Co 11:18,20,33). Perceba que Paulo claramente afirma que a Ceia era realizada na igreja/congregação, distinguindo claramente a mesma das casas dos membros (cf. 1 Co 11:22,34). No demais, a reflexão/exame individual em nada afirma que podemos realizar a Ceia de modo isolado e apartados da igreja/congregação. Lembremos que os diáconos foram separados para servir a Ceia, e os apóstolos (quem eram também presbíteros), ficaram responsáveis pela palavra (At 6:2-4), em conformidade com 1 Tm 5:17, ficando claro a já dita estrutura eclesiástica, bem como o modo de celebração da Ceia.

Em relação ao exemplo das irmãs proibidas de participarem da Ceia, concordo com o amado. O exame é próprio, e não cabe a nenhuma pessoa dizer quem está apto ou não para participar da Ceia do Senhor. Mas como eu já disse, estes exemplos ruins, bem como as falsas doutrinas hoje imperantes em nosso meio, não anulam o ensino bíblico da figura dos pastores e líderes nas igrejas locais. O iníquo apóstolo Judas não anulou o ministério apostólico dos 11 e de Paulo, estabelecidos por Cristo, muito menos os desqualificou.

Em relação a disputa pela presidência da nossa CGADB, confesso que a mesma não me dá muito orgulho. Poderíamos, e deveríamos ser bem mais bíblicos e espirituais; quanto mais sendo a mesma a maior denominação evangélica do Brasil, exemplo e referência para todas as demais.

Quanto ao ponto do obreiro precisar ter curso de teologia para ser consagrado, confesso que aqui no Nordeste esta prática não é do meu conhecimento. Mas, creio que o referido bacharelado em teologia não deva ser requisito, mas sim uma qualificação necessária, a qual pode ser adquirida mesmo após a consagração para o episcopado. O importante é que o obreiro realmente tenha ou venha a ter uma qualificação teológica para cuidar do rebanho de Deus.

Por fim, repito que os maus exemplos não devem ser tolerados, mas também os mesmos não anulam a fidelidade bíblica sobre o tema em questão. As más exceções (mesmo que hoje sejam bem fortes e comuns), não anulam a boa regra/doutrina bíblica.

Encerro renovando os nossos laços de respeito, irmandade, amizade e fraternidade, os quais são fortemente estreitos, rogando que não me tenhas por mal, mas apenas que escrevi para defender as minhas convicções bíblicas/teológicas, o que, como bem sabe o amado irmão, é o nosso dever como conhecedores da Palavra de Deus.

Forte abraço.

Anchieta Campos

Anchieta Campos disse...

Caro amigo, Dr. Gláuber, paz seja convosco.

A Igreja espiritual, a que será arrebatada, a invisível, não depende diretamente de um pastor para ser quem ela é. Mas, é uma verdade que a igreja local, a qual está diretamente relacionada com a Igreja espiritual (pela própria confusão dos conceitos terminológicos de ambas), é, biblicamente falando, e já fora fundamentado isto em meu artigo, caracterizada pela presença de um líder (seja bispo, pastor), cf. Ef 4:11; At 20:28; Hb 13:17. Sugiro que leia o artigo lendo também as referências contidas nele.

"E, tendo anunciado o evangelho naquela cidade e feito muitos discípulos, voltaram para Listra, e Icônio e Antioquia, confirmando os ânimos dos discípulos, exortando-os a permanecer na fé, pois que por muitas tribulações nos importa entrar no reino de Deus. E, havendo-lhes, por comum consentimento, eleito anciãos em cada igreja, orando com jejuns, os encomendaram ao SENHOR em quem haviam crido" At 14:21-23. este texto de atos é claro em demonstrar o modo de proceder na igreja apostólica/primitiva.

Forte abraço.

Anchieta Campos

james disse...

Graça e paz de Deus nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo, amado irmão em Cristo, Anchieta Campos.

Jamais estaremos nos afrontando, apesar de termos alguns pontos de divergências, o que é muito normal para nós, homens, mas que, quando buscamos a estatura de varão perfeito, o Espírito Santo vai nos moldando e estes “conflitos” caem por terra.

Outrossim, ao assunto em questão, é impossível sem sucinto...

Primeiro, sou de pleno acordo a sua explanação quanto a Mateus 18.20, por sabermos que em torno do Seu nome, Jesus estará no meio para confirmar o pensamento harmonioso dos irmãos, e “tudo o que ligardes na terra será ligado no céu, e tudo o que desligardes na terra será desligado no céu”...

Como será então, a presença gloriosa do Senhor Jesus, quando nos reunirmos em nossos lares para O louvar?

Segundo, quando afirmas “Motivos tive muitos para sair da minha igreja e procurar outra, mas creio que isso não seja o caminho mais correto; quando muito, se a relação na igreja de origem está mesmo insuportável, procure-se outra denominação para se congregar”...

Apóio em seu relato, e do momento insuportável pela qual passa a igreja protestante, homens corruptos mercenários, em sua grande maioria, vislumbrando seus postos de líderes, membros visando somente a barganha dizimista por bens materiais, em sua quase totalidade...

Sem mais delongas! Uma apostasia generalizada (99,99%) dentro deste quadro protestante, permita-me não citar nomes, pois o amado é bem conhecedor do que hoje presenciamos (lembra-se da relação que postei sobre nomes de igrejas)...

Lembro-me que Lutero entrava em choque com o comportamento do clero que se interessava em demasia pelas questões econômicas, porém, nos dias de hoje, não somente o “clero” pastoral, mas também os “fiéis”, não se importam à adoração ao Senhor Jesus, mas a Mamom, não se limitam a buscar o Reino de Deus e Sua justiça e aguardarem que as demais coisas que nos são necessárias serão acrescentadas, buscam como já disse anteriormente, barganhar seus dízimos...

Assim sendo, meu amado irmão, como posso freqüentar uma congregação com este quadro, volto a afirmar, isto é quase que geral, bem sabes disto!

Ainda, como posso estar com minha esposa e filhos diante estes mercenários, que tem em suas presenças escândalos e mais escândalos? Haja vista o que presenciaram na que congregávamos!

Somente a título de bem nos colocarmos à situação de um momento impar das igrejas protestantes, não nos resguardamos em nosso lar, como que enclausurados, mas também participamos de cultos em outros lares, inclusive somos visitados por irmãos que colaboram conosco...

Terceiro, em nosso tempo presente, as igrejas, a quase totalidade, jamais testemunha a dignidade eclesiástica à qual designou o Senhor (como muito bem tens explanado), por isso, “a mesma se explica pelo fato da igreja como um todo não ter a liberdade de celebrar a Ceia no Templo”, razão pela qual, volto a reiterar, louvamos ao Senhor de todo o nosso entendimento, em nossos lares, inclusive participando da Ceia...

Quarto, não que seja nossa opção final, a de permanecermos em definitivo, cultuando a Deus em lares, mas, sou insistente, ao que está por aí, impossível é!!! E, uma razão para isto, se prende ao fato de que entraríamos com certeza em conflito doutrinário. Bem como, não tenho dúvidas de que, milhares de irmãos também têm o mesmo pensamento.

Quinto, para aguçar nossa lembrança quanto aos seminários teológicos, farei suas as minhas palavras: “Tozer, apesar de não ter freqüentado seminário teológico, se destacou por seu amplo conhecimento bíblico”...

Sou-lhe grato por suas gentis palavras para com minha pessoa, e a recíproca é a mesma, pois és um jovem, como já afirmei, que sabes com sabedoria manejar bem a Palavra de Deus, para o único e justo fim, exaltar o nome Santo do Senhor Jesus Cristo.

Fraternalmente.

Seu conservo e amigo, James.
Jesus, o maior Amor
Comunidade "Adoradores em Casas"
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Gláuber disse...

"...eleito anciãos em cada igreja..." (entende-se claramente que em cada igreja havia vários anciãos). Isso é um "conselho". Não havia uma única figura nessas igrejas, havia apenas esse "conselho". Mas vc disse:"...caracterizada pela presença de um líder (seja bispo, pastor)..." no seu último comentário.
No meu primeiro comentário falei da possibilidade da ausência do Pastor, Bispo, ou seja um único líder, e assim touxe a idéia do conselho.

O ponto é que não é necessária, obrigatoriamente a figura do pastor(Líder individual). Falo desde o meu primeiro comentário.

Edson Dorna disse...

A paz do Senhor!

A realidade que muitos não gostam de comentar que a igreja tomou um rumo totalmente diferente do que Cristo preparou para ela. Principalmente os Líderes com ambição de liderança de mandar e ditar, não deixaram passar as verdades contidas do evangelho.

Concordo com alguns que se ausentaram deste sistema... mas não concordo quando não percebo interesse destas pessoas em se unirem e congregarem com irmãos que preservaram o ensino da igreja.

Em Cristo
Edson Dorna

Anchieta Campos disse...

Caro Gláuber,

Mostrei uma referência do governo presbiteriano e você a aceitou, porque convém a você. Mas não se deu ao trabalho de reconhecer e aceitar as muitas e muitas referências que mostrei que defendem e apontam para um governo episcopal. Na verdade, a referência que citei apenas demonstra que o governo naquela oportunidade era o presbiteriano, mas não diz que não exisia a figura de um que presidia a este conselho. Você sabe muito bem que o judaísmo no tempo de Jesus e da igreja apostólica/primitiva tinha os seus anciãos, sacerdotes, mas havia a figura do sumo sacerdote, e sabe também da influência do mesmo sobre a igreja da época.

Além das referências já citadas, as quais não me destes a honra de uma explicação sob o seu ponto de vista, deixo as seguintes:

"Ou o que exorta, use esse dom em exortar; o que reparte, faça-o com liberalidade; O QUE PRESIDE, com cuidado; o que exercita misericórdia, com alegria" Rm 12:8. Veja que o contexto desta referência é em relação ao contexto de corpo (igreja).

E o que falar das expressões que o próprio Cristo usou, já na transição da igreja apostólica para a primitiva, quais sejam "ao anjo da igreja que está em Éfeso" (Ap 2:1); "ao anjo da igreja que está em Esmirna" (Ap 2:8); "Pérgamo" (Ap 2:12); "Tiatira" (Ap 2:18); "Sardes" (Ap 3:1); "Filadélfia" (Ap 3:7); "Laodicéia" (Ap 3:14)? Esses anjos não são uma figura clara dos pastores (governo episcopal)? Veja ainda que Jesus se dirige a estas igrejas por intermédio dos "anjos", confiando a eles a função de repassar as advertências e promessas de Cristo, bem como de repreender, exortar e ensinar; veja ainda que o próprio Cristo os repreende em algumas situações pela falta de cuidado com o rebanho; tudo isto só vem a confirmar que Cristo reconhecia o ministério episcopal como sendo bíblico, reconhecendo a necessidade e importância da figura dos pastores.

Destaque-se ainda, que no estudo da escatologia bíblica, o que creio que seja do seu conhecimento, aprendemos que estas sete igrejas representam a Igreja em toda a sua história nesta terra, desde seu tempo até o arrebatamento da mesma.

Forte abraço.

Anchieta Campos

Anchieta Campos disse...

Caro irmão e amigo James, a paz do Senhor.

A presença de Cristo se faz presente até mesmo em um louvor individual sincero, mas isto não caracteriza a igreja que Jesus quer que sejamos. Igreja, como bem sabe o amado irmão, é conjunto, congregação, sempre no sentido de se agregar cada vez mais pessoas, e nunca o contrário, nunca uma filosofia indivualista, restrita e separatista.

Me perdoe, mas acho exagero sua colocação de uma apostasia em nosso meio girando em torno de 99,99%. Com toda franqueza e sinceridade, as quais o amado irmão e amigo sabes que tenho, este pensamento acaba quase por criar uma conclusão de que praticamente todos estão errados, e apenas o amado irmão, com um pequeno grupo de pessoas, estão em verdadeiro serviço para com Deus, o que sei, que não é este seu pensamento e o que quis repassar; mas a má impressão foi inevitável.

Creio, piamente, e digo isto pelo o pouco que já rodei pelo RN e PB, que não poucos os líderes comprometidos com Deus e sua palavra. É claro e notório que a parte dos corruptos e mundanos é também forte, mas não podemos generalizar tanto assim. A contaminação não é tão forte ao ponto de se afetar a todas as inúmeras denominações e congregações espalhadas pelo Brasil, principalmente nas cidades maiores.

Repito que os maus exemplos não devem ser motivo para abandonarmos a nossa congregação ou deixarmos de nos congregar de vez. Sou até a favor de revertermos nossos dízimos e ofertas para outros trabalhos cristãos e/ou filantrópicos, quando os nossos líderes não fazem jus ao nome que detém; mas deixar de nos congregarmos com nossos irmãos e amigos, isto jamais, pois não é esta a vontade de Deus e o ensino bíblico.

Não censuro a sua postura de se congregar nos lares (apesar de não concordar com ela), na verdade até compreendo sua revolta, mas julgo plenamente possível um crente sincero ter sua igreja/congregação, e mesmo a tal tendo erros e maus exemplos, o dito crente pode, sem abandoná-la, exercer seu papel de cristão conhecedor da Bíblia e levantar sua voz em defesa dos ensinos e princípios morais e doutrinários da Bíblia.

Em relação a minha frase sobre Tozer, digo eu, o próprio autor, que não quis condenar o ensino teológico para os obreiros, muito menos incentivar os obreiros a apenas se contentarem com a leitura da Bíblia, sem nenhum auxílio sistemático e exegético.

Agradeço por suas palavras referentes a minha pessoa, as quais muito me honram. Sabes que a recíproca é a mais pura verdade, e que lhe admiro e respeito muito. Creio que este pequeno "atrito" apenas vem a reforçar a nossa irmandade, fraternidade e amizade.

Forte abraço.

Anchieta Campos

Anchieta Campos disse...

Caro irmão Edson Dorna, a paz do Senhor.

Concordo com seu pensamento. Não vejo que existam motivos para se abandonar totalmente a idéia de se congregar em uma igreja local. Afinal de contas, só o que existe hoje é igreja, e com certeza dentre este mar, existem sim boas ilhas para uma segura morada.

Forte abraço.

Anchieta Campos

Marcelo Oliveira disse...

Caro irmão Anchieta, a paz do Senhor!

Excelente exposição bíblica sobre o modelo organizacional das igrejas. Devemos preservar sim o modelo neotestamentário de igreja. Infelizmente, alguns imbuídos de uma visão celular têm tentado quebrar este modelo conscientemente, e outros por verem desvios em outros membros não se agradam mais deste modelo têm procurados alternativas. Mas fico também com a palavra do escritor aos hebreus quando usado pelo Espírito afirma: "Não deixando a nossa congregação, como é costume de alguns, antes admoestando-nos uns aos outros; e tanto mais, quanto vedes que se vai aproximando aquele dia."

Portanto, continuemos a olhar para o nosso sumo pastor e a Sua palavra e não deixemos de reunir mesmo que alguns lideres deem mau testemunho. Fomos chamados para ser luz e sal do mundo para brilhar em meio as trevas e não para nos escondermos em ajuntamento menores ou nós isolarmos. (Mt 5.13-16)

Em Cristo.

Anchieta Campos disse...

Prezado irmão Marcelo Oliveira, a paz do Senhor.

Muito coerente a sua intervenção! O modelo de células (notadamente o G12) fora realmente o grande precursor contemporâneo deste movimento contra-eclésia.

O modelo eclesiástico do NT se encontra limpo e cristalino em suas páginas. Negá-lo é, no mínimo, uma tentativa equivocada de se forçar um pensamento não ortodoxo/bíblico. Mudar quando se tem que mudar; quando não é o casp, e tenta-se uma mudança, errando se está, e muito.

Forte abraço.

Anchieta Campos

james disse...

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Graça e paz vos sejam multiplicadas, amado irmão e amigo Anchieta Campos e irmãos em Cristo.

Da minha pessoa, já havia dado por encerrada minha participação nestas explanações, mas impossível ficar calado diante uma generalização do assunto... G12!!!!!

Estamos nos reunindo em nossos lares, para louvar e adorar nosso Sumo Pastor! Os sacerdócios são universais; isto é: para todos os homens (1Pedro 2.5,9).

Mas, minha intervenção se prende ao fato de que, há uma generalização quanto aos que não se conformam com o que está sendo proposto para a igreja local, quanto aos que se intitulam “líderes” (oh! nomenclatura que incomoda e que traz orgulho, presunção, soberba), quanto aos que freqüentam a igreja local na busca de enriquecimento...

Sabedores somos que, ainda há um remanescente que em verdade, congregam por amor, entretanto, este número é demasiadamente muito inferior aos que barganham dízimos...

Outrossim, tenham a certeza absoluta que, os que ultimamente preferem seus lares (ou um outro local onde se reúna irmãos em Cristo) para a adoração ao Senhor Jesus Cristo, em sua grande maioria, não são do movimento contra-eclésia, muito menos seguidores do G12 (surgindo no meio evangélico neopentecostal)...

Por fim, também tenham a certeza que não somos contra a formação eclesiástica, buscamos a Cristo Jesus, não somos desobedientes ao mandamento do Senhor, mas prudentes quanto a nos resguardar da contaminação de homens amantes de si mesmo e de um povo que louva ao Senhor somente com os lábios, portanto, somos sim, com certeza e em verdade, contra o que está sendo proposto, formulado, vivido, mantido, freqüentado, propagado, usado, manipulado, “ como local onde se tenha pregação da palavra, doutrina, louvor, coletas de ofertas financeiras para o auxílio dos irmãos necessitados”, aliás, como está difícil encontrar nas igrejas locais evangélicas “ coletas de ofertas financeiras para o auxílio dos irmãos necessitados”...

Fraternalmente.

James.
Jesus, o maior Amor
Comunidade "Adoradores em Casas"
...
..
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Anchieta Campos disse...

Prezado irmão, amigo e companheiro de defesa do Evangelho, James Almeida, a paz do Senhor.

Repito que lhe compreendo, compreendo mesmo. Não tiro a sua razão e motivos, os quais julgo sinceros e honestos. Sei também que nunca deixastes os caminhos do nosso Deus, como resplandecem nas Sagradas Escrituras (seu blog é um exemplo vivo disto). Repito: não o censuro, apesar de não concordar estritamente com a vossa posição. Censuro pessoas hereges, pecadoras por consciência e convicção, que rasgam e menosprezam a inspiração divina plenária das Sagradas Escrituras. O amado irmão sabe que considero, verdadeiramente, que vossa ilustre pessoa não se tipifica em nenhum dos "crimes" acima expostos.

Reconheço assim, portanto, a sinceridade, caridade, amor, temor, e a fé de pessoas como o amado irmão, que fizeram esta escolha, a qual não censuro, apesar de discordar da mesma.

Por fim, o amado muito bem se expressou em seu último comentário, e creio que o que poderia existir de proveito para nós em tudo isto, já o fora alcançado, onde ambos defendemos nossos pontos de vista e, por fim, reafirmamos os nossos laços de comunhão, irmandade e fraternidade.

Dou por encerrado este saudável e edificante debate com a vossa ilustre pessoa, o qual sabe que muito admiro e respeito.

Forte abraço.

Anchieta Campos

Prof. Israel Lima disse...

Faça-nos uma visita!
Estamos com novas postagens.

"Pelo Corredor da escola"

http://pelocorredordaescola.blogspot.com


Prof. Israel Lima

São Paulo/ Brasil

Anchieta Campos disse...

Caro Israel Lima, a paz.

Adicionei seu blog na minha lista de seguidos, mas não abre nenhum artigo.

Abraço.

Anchieta Campos

Anônimo disse...

Justamente pelo fato de se enxergar nitidamente que não presenciamos comunhão nos moldes apresentados pela Igreja na forma eclesiástica atual e que isso se difere enormemente da comunhão estabelecida pela Igreja primitiva é que se começa a buscar legitimamente uma alternativa que seja bíblica e que nos devolva à verdadeira comunhão na reunião entre os irmãos. Cremos que o modelo apresentado tradicionalmente trata-se não de uma apresentação bíblica, mas de uma mistura de sinagoga judaica com elementos do paganismo do período de Constantino. A reforma trouxe-nos o restabelecimento da palavra ao povo comum e o enfoque correto da salvação pela fé, mas deixou-nos como herança uma versão protestante do culto católico fundamentalmente inalterado.

Entendemos que o padre, pastor, sacerdote, bispo oficializados divide os irmãos em dois grupos distintos ─ Clero e leigos. Trazendo duplicidade como conseqüência do tipo vida santa (quando se vai ao templo) e vida secular em casa.

Uma elite que detém um poder de manobra restritivo e que se interpõe entre a cabeça (Jesus) e o seu corpo (a Igreja) impedindo que o restante dos irmãos possa exercer função dentro do corpo.

Não se pretende extinguir os líderes, mas devolver o seu verdadeiro sentido que se perdeu na história. Eles possuem características de funções dentro do corpo e não de cargos.

O templo de tijolos não é a Igreja. O templo judaico não tem nada a ver com os cristãos. Jesus estabeleceu um novo relacionar-se com Deus diferente dos Judeus:

Nossos pais adoraram neste monte, e vós dizeis que é em Jerusalém o lugar onde se deve adorar. Disse-lhe Jesus: Mulher crê-me que à hora vem, em que nem neste monte nem em Jerusalém adorareis o Pai. Vós adorais o que não sabeis; nós adoramos o que sabemos por que a salvação vem dos judeus. Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura a tais que assim o adorem. Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade. (João 4: 20-24)

O que vemos nas Igrejas atuais é uma grande multidão de espectadores passivos e infrutíferos incapazes de se tornarem discípulos autênticos. Isso devido em boa parte a forma de culto apresentada nas Igrejas atuais. É impossível que um pastor tenha a capacidade de cuidar eficientemente de uma Igreja que possua muitos membros e que os irmãos tenham suas vidas compartilhadas exercendo assim a verdadeira comunhão. A Igreja nos lares pode propiciar comunhão entre 15 e 20 irmãos que se reúnem regularmente e se conhecem compartilhando suas vidas e interesses comuns. Ela é ao mesmo tempo evangelística em si mesmo quando possui a capacidade intrínseca de se reproduzir e multiplicar-se. Quando ela começa a crescer numericamente acima de 20 membros ela se divide formando um novo grupo. Conservando assim a capacidade de interação e comunhão entre os irmãos. A possibilidade de surgir muitas Igrejas nos lares e crescimento do corpo seguindo este modelo que tem muito mais a ver com o da Igreja primitiva do que as denominações atuais com os seus templos é exponencial.

Graça e paz.

Anchieta Campos disse...

Anônimo do último comentário, saudações fraternas em Cristo.

Compreendo seu pensamento, e concordo na quase totalidade com o seu comentário. Quase totalidade pois não há fundamento bíblico algum para afirmar que a igreja local se divide quando a mesma ultrapassa a marca de 20 membros.

Atos 2:41-47 denota claramente uma comunhão dos milhares de cristãos da época, comunhão esta que tem como exemplos de caracteres o entorno sobre os apóstolos e a congregação no templo.

No demais, renove-se os meus argumentos expostos no artigo e nos meus comentários do mesmo.

Abraço.

Anchieta Campos

Anônimo disse...

15 a 20 é um número sugerido levando em conta o nosso contexto atual. É bem possível que as casas de Jerusalém fossem maiores podendo abrigar um número um pouco diferente. Mesmo assim sabemos que a Igreja se reunia nas casas (At 12:12;Rm 16:5;I Co 16:19;Cl 4:15;Fl 2) e que é impossível que a Igreja como um todo pudesse se reunir apenas em uma casa. Por isso não há dúvida que ela se dividia e se multiplicava à medida que ia crescendo.
O conjunto de Igrejas nas casas formavam uma rede de Igrejas nos lares similares numa região interligadas numa rede de relacionamentos. Elas estão inseridas na comunhão das Igrejas do lugar (a “Igreja da cidade”).

Então havia dois tipos de reunião.

1º Nas casas para as Igrejas que estavam nas casas e
2º Reuniões especiais (como para tomada de decisões importantes)para o conjunto de Igrejas nos lares que por ser a reunião de todas as Igrejas da região eram feitas em lugares que possibilitavam a aglomeração de uma quantidade bem maior de pessoas. Para esse tipo de reunião o templo era às vezes usado.

Graça e paz.

Anchieta Campos disse...

Anônimo, saudações.

Os termos não importam (casa ou templo), mas fato inconteste é a estrutura eclesiástica exposta no Novo Testamento, envolvendo a estrutura organizacional interna, bem como a união da eclésia em um local dedicado ao culto a Deus.

É cristalino o sentido de inclusão e comunhão externado em todo o Novo Testamento. Imaginar que a lógica bíblica seja de um cristianismo divido em inúmeras células ou grupos caseiros de algumas poucas dezenas de pessoas é algo totalmente sem fundamento bíblico. Com as igrejas convencionais o protestantismo já está esfacelado, imagine com um pensamento de mini-igrejas caseiras/familiares.

A igreja apostólica se reunia em casas? Como você disse: nem sempre! O sistema da época era outro, a cultura era outra, a perseguição era grande, não havia liberdade de culto, etc.

Em suma: um templo é uma casa! Os termos não importam! Seja uma pequena igreja reunida em uma pequena sala, ou seja uma grande igreja reunida em um grande templo, o que importa é que haja respeito aos padrões eclesiásticos expostos neste artigo, e isso implica em uma igreja com pastor, presbítero, diácono, louvor, pregação da Palavra, línguas, interpretação, etc.; tudo nos moldes bíblicos.

Uma igreja grande não impede a comunhão entre os irmãos, muito menos a comunhão com Deus. Pensar diferente é no mínimo uma pobreza (tanto bíblica quanto humana) muito grande.

A essência do pensamento é esta. Mas respeito a sua opinião.

Abraço.

Anchieta Campos