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sábado, 28 de fevereiro de 2009

Em defesa da igreja local

“Não deixando a nossa congregação, como é costume de alguns, antes admoestando-nos uns aos outros; e tanto mais, quanto vedes que se vai aproximando aquele dia” Hb 10:25.

Percebo que a cada dia que se passa, um movimento nada saudável tem tomado mais e mais espaço no meio “protestante”. Falo do pensamento equivocado onde, através de um conceito deturpado do sentido da palavra igreja, acaba-se por criar em certas pessoas a falsa idéia de que as mesmas podem simplesmente abandonar as suas igrejas (congregações) locais, e passarem a viver uma vida sem reuniões (ou cultos) organizados/solenes, sem estarem ligadas a nenhuma denominação/instituição/organização eclesiástica. Isto, caro leitor, é um desvio considerável, pois atenta contra a composição eclesiástica básica estabelecida no Novo Testamento (At 6:2-4; Ef 4:11,12; Fl 1:1; Tt 1:5; Tg 5:14; 1 Pe 5:1), bem como arranca a figura dos líderes (1 Tm 3:1-5; 5:17; 1 Pe 5:1-3), acabando assim, por tabela, com os ensinos da submissão a liderança pastoral (Hb 13:17), da comunhão entre os membros do Corpo de Cristo, que é a igreja (1 Co 6:15,16; 10:16,17; 12:12-27), notadamente através da realização da Santa Ceia (ver meu artigo Compreendendo a Santa Ceia), dentre outros ensinos.

A palavra igreja (do grego ekklesia), significa, em seu sentido estrito e literalmente, uma reunião de um povo em determinado lugar, reunião esta dada através de um convocação (grego ekkaleo). Esta palavra, pode tanto se referir a igreja universal, a espiritual, que será arrebatada (Mt 16:18; At 20:28; 1 Co 10:32; 15:9; Ef 1:22; 5:23-25,27,29,32; Cl 1:18,24; Hb 12:23), bem como pode se referir a uma igreja local, a física, a instituição humana organizada (At 8:1; 9:31; 11:22,26; 14:23; Rm 16:1,16; 1 Co 1:2; 11:18; 14:19,23,28; 1 Tm 5:16; 3 Jo 1:9,10; Ap 2:1,7). Logo, depreendemos que a palavra igreja não se refere somente a igreja espiritual formada pelos salvos e remidos, a qual será arrebatada, mas também se refere as igrejas locais, organizadas em forma de instituições eclesiásticas denominacionais, as quais, por serem instituições humanas, acabam por ter em seu rol de membros falsos crentes (Ap 2:2,9,14,15,20-23; 3:4,9,18,19).

Oras, o único ponto “positivo” que eu vejo neste gigantesco esfacelamento do seio evangélico, é justamente não haver desculpas para que algum “crente caseiro” deixe de se congregar em alguma igreja, haja vista o bem farto “cardápio” de denominações evangélicas espalhadas pelo Brasil. Será possível que não há sequer uma denominação que seja “correta” ou “agradável” para estes irmãos caseiros/individualistas? O texto áureo deste sucinto artigo é claro em seu significado e ensino: “Não deixando a nossa congregação, como é costume de alguns, antes admoestando-nos uns aos outros; e tanto mais, quanto vedes que se vai aproximando aquele dia” Hb 10:25. Devemos sim ter uma congregação, em todos os moldes acima já elencados, ou seja, uma congregação onde se há pastor, presbíteros, diáconos, realização e celebração da Santa Ceia, como símbolo de comunhão entre os irmãos, onde se tenha pregação da palavra, doutrina, louvor, coletas de ofertas financeiras para o auxílio dos irmãos necessitados, etc, etc, etc. Como é possível se cumprir toda esta sistemática bíblica se não houver um grupo de cristãos que se reúnam de forma organizada e com periodicidade em uma igreja local? É no mínimo um tanto quanto complicado, bem como estranho, em uma clara tentativa de se remar contra uma regra sistemática estabelecida, praticada e aceita por toda a maioria do cristianismo.

É claro que a atual situação do protestantismo, em seu estado de total divisão e inúmeras denominações, não é o que Cristo planejou para o seu povo, mas existem sim igrejas que se apegam de forma majoritária aos preceitos bíblicos, assimilando-se bastante com a eclesiologia neo-testamentária.

Pessoas que insistem e teimam neste erro individualista, quase na totalidade, tem aversão a idéia de serem submissas, de terem um líder e uma organização a que devam respeito e honra; querem ser os donos dos seus próprios narizes, querem ser os presidentes, e não os presididos; pensam estar agradando a Deus e honrando a sua Palavra, mas acabam por desagradar ao Criador e infringir a sua Eterna Escritura.

Nossa submissão, em último caso, não é para com o homem, mas sim é sempre para com Deus (Gl 1:10; Ef 6:6; Cl 3:22; 1 Ts 2:4), através da sua Palavra (Jo 8:51; 12:48; 17:17; At 17:11; Tt 1:9; 2 Tm 3:16), e é a sua Palavra que nos mostra que devemos ter a nossa congregação, nos ditames e moldes acima já elencados.

Em defesa da igreja local, organizada e distinta como tal,

Anchieta Campos