sábado, 3 de maio de 2008

A síndrome da calça feminina

Primeiramente gostaria de afirmar que sou um ativo defensor da manutenção de nossos usos e costumes, de uma identidade diferente da do mundo (interna que se exterioriza). Nós, os assembleianos, somos reconhecidos até mesmo pelos ímpios no que tange a nossa diferença e destaque que temos perante a sociedade e demais evangélicos. Sou, portanto, um defensor dos nossos sadios e não heréticos costumes, claro que observados os padrões bíblicos de moderação e liberalidade no serviço cristão. Destaque-se também, como é de pleno conhecimento de todos os que estudam as Sagradas Escrituras, que os costumes não salvam ninguém, sendo todos igualmente salvos, tanto assembleianos, batistas, presbiterianos, luteranos, metodistas.

Agora, sinceramente, vejo um preconceito muito grande por parte de muitos irmãos e irmãs de nossa denominação quanto às roupas. Simplesmente julgam, julgam, julgam e julgam, principalmente as irmãs que não estão conforme o nosso padrão. Realiza-se uma análise apenas externa (realmente esta tem que existir), mas se esquecem de observar alguns fatores que podem ter implicado para que determinada irmã não estivesse vestida conforme a nossa santa e pura tradição.

Recentemente duas irmãs se converteram em nossa igreja, ambas estão hoje com um mês de evangelho; ocorre que fora realizado um batismo em águas no último dia 1 (feriado nacional) em uma cidade vizinha a Pau dos Ferros, onde na ocasião foram batizados 26 novos convertidos, inclusive essas duas irmãs. A noite houve um culto de Santa Ceia na referida cidade, e uma dessas novas convertidas fora participar do mesmo, juntamente com a minha pessoa e outros irmãos de Pau dos Ferros. Pois bem, o culto foi uma bênção, todos cearam, inclusive a nova convertida e recém batizada. Até aí tudo as mil maravilhas. Termina o culto e vem um pastor de uma cidade também vizinha a Pau dos Ferros (que tem a minha admiração, inclusive ele é bacharel em Teologia), fala comigo, com outra irmã que estava conosco e com outro irmão, nos saudando com a paz do Senhor, e por fim se dirige a nova convertida que também estava conosco e que estava vestindo uma calça (detalhando que ela vestia uma blusa bem decente, sem decote e com manga até o cotovelo, tipo um belo terno feminino, além de não fazer uso de adereços e joiás) e lhe saúda com um “Deus lhe abençoe”. Pronto, era o que faltava. Ela era (e ainda é) uma crente em Jesus, e com a fé que o novo convertido tem (que nós sabemos ser invejada por muitos velhos na fé), mas por causa de uma calça que estava vestindo foi julgada como incrédula.

Ainda temos muito, muito o que evoluir. A irmã é nova convertida, o pastor de Pau dos Ferros concordou com o batismo e deu o testemunho dela, e reconheceu a situação das novas convertidas, que ainda não tiveram tempo nem condições de trocarem suas roupas. Isso é uma questão de bom senso, além de amor e compreensão cristã. Temos que orientar sim, mas deixar que a Palavra e o Espírito Santo façam a mudança gradual que existe em todos os neófitos. Não devemos pregar os usos e costumes, mas a própria igreja tem que ser o exemplo vivo dos usos e costumes. Assim com certeza a adaptação será mais verdadeira e proveitosa.

Deixo aqui registrado o meu protesto.

“Tendo por certo isto mesmo, que aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até ao dia de Jesus Cristo” Filipenses 1:6.

Anchieta Campos

9 comentários:

Francivaldo Jacinto disse...

A paz do Senhor!
Realmente ainda temos muito que evolui.
Sabemos que o uso ou não da calça é um costume do homem (doutrina humana).
E nós assembleianos como o irmão frisou, somos conhecidos até mesmo pelos ímpios em relação a esse costume (mulheres uso da saia,homens uso da calça).
Não seguimos essa doutrina como se ela tivesse a capacidade de nos proporcionar a salvação.Mas, como um meio de nos diferenciarmos do mundo.
Sabemos que o homem só pode ser salvo pela fé em Cristo.
Não existe outro meio.Creio eu que essa irmã recebeu a fé salvifica,que é o suficiente para o homem ser salvo.Claro que é necessário a partir do recebimento dessa fé, a busca pela santidade,a obediência a palavra,negar-se a si mesmo e viver somente para Cristo.Dando lugar para o Espírito Santo de Deus executar a obra regeneradora.
Infelizmente existe em nosso meio muitos fanáticos.
Devemos orar cada vez mais uns pelos outros.
A doutrina bíblica é fundamental na vida de cada cristão.
Lembrando que também sou defensor dos costumes assembleianos.
Mas de forma alguma podemos julgar ninguém pela sua aparência.
E se Jesus chegasse de vestido na Igreja?
Como Ele seria recebido por alguns irmãos?
Precisamos aprender avaliar,e nunca julgar!
O amor vence tudo!

Anchieta Campos disse...

Nobre irmão Francivaldo, a paz do Senhor.

Seu comentário foi um excelente complemento e prova de que existem sim muitos assembleianos que tem o conhecimento bíblico.

Obrigado pela sua valiosa participação.

Abraços fraternos!

Anchieta Campos

james disse...

A Graça e a Paz esteja convosco, irmão Anchieta.

Mais uma vez o fanatismo assembleiano querendo imperar no meio cristão, mas graças a Deus, que a nossa irmã nova convertida tem o irmão para, com sua sabedoria e humildade, poder confortá-la em hora tão sublime que tanto nos alegra como o batismo e Santa Ceia.

As vestes não nos salva, mas todo santo espelha a glória de Deus em sua vida.

Deus abençoe ricamente o irmão e os seus.

A Paz do Senhor.

Fraternalmente.
James.

james disse...

Novamente, a Graça e a Paz esteja convosco, irmão Anchieta.

No momento, estou em um amplo, mas respeitoso debate com o Daladier sobre o ministério feminino, e, contemplei seus sábios comentários e a defesa evasiva do pr. Geremias, sobre o assunto tão polêmico e infinito, mas taxativo por Deus, episcopado não é lugar para mulher.

Fraternalmente,
James.

Gutierres Siqueira, 19 anos disse...

Amigo Anchieta, Graça e Paz.

Parabéns por esse post, que analisa muito bem esse assunto.
A situação que você descreveu em seu post é muito comum no nosso meio assembleiano. Na congregação da AD onde me converti, certo dia chamaram uma irmã para frente da igreja que havia cortado o seu cabelo em forma de V. Sinceramente, nunca vi algo tão ridículo como aquela cena. Uma irmã que havia cortado o seu cabelo para ficar mais bonita, algo natural na natureza feminina que Deus deu as mulheres, que ficou na frente da igreja pedindo perdão e chorando, enquanto o pastor e os cooperadores discutiam se ela merecia a disciplina. Quando lembro desse cena fico revoltado com aquela situação. Nesse dia me segurei para não pedir a palavra no microfone e falar contra aquela situação (em que a irmã era exposta ao ridículo) mas como eu era um garoto que não fazia parte da classe de obreiro, fiquei calado...
Eu, como cristão, defendo os princípios da moderação, pudor e modéstia, que são bíblicos, mas não me comprometo em defender tradições inventadas por homens, que são passageiras pela própria natureza dos costumes.
Quando o cristão obedece os princípios da moderação, pudor e modéstia, conforme exposto na Bíblia, ele sempre vai zelar por um “modus vivendi” bíblico.
Vejo com bons olhos mudança em muitos costumes que eram impostos em nosso meio com algo bíblico, mas é claro que as mudanças devem ser equilibradas e moderadas.
Por último, já começou a fazer frio aqui em São Paulo, enquanto isso muitas irmãs (e só sobra para as mulheres!!!) não podem usar uma calças, pois “ é roupa de homem”. Quando a Bíblia é mal lida causa problemas sérios.
Um grande abraço Anchieta e parabéns pelo Blog.

Gutierres Siqueira
www.teologiapentecostal.blogspot.com

Anchieta Campos disse...

Nobre irmão James, a paz do Senhor seja convosco.

Obrigado pela sua importante participação neste espaço, sou muito grato por suas palavras referentes a minha pessoa. Glória seja dada ao Senhor.

Realmente ainda não nos desvinculamos totalmente de um certo fanatismo de nossos primórdios (salientando que sempre houve homens sérios no trato bíblico na AD). É bem verdade também que já evoluímos bastante neste ponto, retirando o exagero e certas proibições descabidas de fundamento bíblico, como podemos perceber nos ortodoxos escritos da CPAD. Creio que falta apenas um acesso e disseminação maior de informações bíblicas.

Quanto ao segundo comentário, realmente estive presente no início do debate sobre o tema do ministério feminino no blog do irmão Daladier. Sinceramente me surpreendi com a defesa do culto pastor Geremias do Couto em relação do pastoril feminino. É um tema que ainda dará muito a falar, mas como bem frisou o irmão, está encerrado pela Bíblia Sagrada. Episcopado não é lugar de mulher. Foi Deus quem quis assim. Estarei olhando como anda esta postagem do Daladier.

Abraços fraternos.

Anchieta Campos

Anchieta Campos disse...

Caro irmão e amigo Gutierres, a paz do Senhor.

Sempre é motivo de alegria e honra receber seus sábios e complementares comentários.

Pelo visto todo assembleiano cativo a Palavra de Deus tem algum triste testemunho para relatar sobre o tema em questão.

O exemplo citado pelo nobre realmente é um exemplo de "senhor exagero e ignorância", demonstrando despreparo bíblico e falta de amor e compreensão.

Infelizmente, temos que engolir calados muitos "sapos" que vemos em nossos templos.

Por fim, suas palavras foram, como sempre são, moderadas e sábias, características de um bom teólogo.

Sim a manutenção de costumes sadios e bíblicos. Não ao exagero ignorante e descabido. Sim a temperança e ao bom senso.

Enquanto isso o frio vai maltratando as irmãs paulistas!

Abraços fraternos!

Anchieta Campos

Lucimauro*Assembléia de Deus disse...

A paz do Senhor,irmão anchieta,concordo plenamente com a sua postagem,temos que tirar de nosso meio esses extremismos que tanto rondam a seara do Senhor.

Anchieta Campos disse...

Caro irmão Lucimauro, a paz do Senhor.

Obrigado pelas suas sempre freqüentes participações em meu blog, as quais só vem abrilhantar o meu humilde espaço.

Abraços fraternos.

Anchieta Campos