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sábado, 29 de agosto de 2009

Dedada nasal “santa”

Fiquei sabendo de uma ontem que tinha que ser registrada neste espaço. Em uma congregação assembleiana de uma cidade que, digamos, eu conheço bem, uma irmã se levantou em “profecia” para outra irmã, e a dita “profecia” não era nada “agradável”, motivo pelo qual a irmã alvo da “profecia” se levantou e disse que não recebia tais palavras.

E o que a “profetisa” fez? Ainda tomada pelo “mistério”, ela simplesmente empurrou o dedo indicador no nariz da irmã dizendo: “Você receeeeeba!!!”.

A “profecia” a irmã não quis receber, mas uma dedada no nariz ela não teve muita escolha!

É triste.

“Faça-se tudo decentemente e com ordem” 1 Co 14:40.

Sola Gratia!
Com amor,

Anchieta Campos

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Dançar no espírito? Dança como adoração?

Estava eu certo dia (não muito distante) em um culto campal aqui em Pau dos Ferros, quando ouvi uma cantora que já se encontrava cheia (não do Espírito, mas com uma vontade bem exótica para um culto) falar ao microfone: “Oh vontade de dançar irmãos!!”. Quando escutei tal afirmação logo pensei que iria ver alguma performance de adoração extravagante através da dança, imaginando a irmã dando uns rodopios, umas batidas de pé, ou, quem sabe, com muita falta de sorte, talvez ela fizesse algumas “estrelinhas” ou “plantasse uma bananeira”. Em seguida ela soltou: “Vamos dançar no espírito!!”; imediatamente eu já olhei ao redor em procura de uma irmã para ser meu par na dança! Que situação!

Temendo que a irmã realmente viesse a por em prática a sua fala, fiz uma curta oração comigo mesmo: “Senhor, é um culto campal, tem muito incrédulo vendo; peço a sua intervenção para que não permita que essa ‘abençoada’ venha a dar uma de dançarina aqui hoje. Em nome de Jesus. Amém”. Não sei se foi por minha oração, mas o importante é que a cantora resolveu ficar sendo só cantora. Aleluia!

A dança, até onde tenho conhecimento da história da Igreja, nunca fez parte da liturgia do culto de adoração a Deus, vindo somente a ser introduzido como meio de “adoração” de um tempo recente para cá. A bem da verdade, não há nenhuma passagem no Novo Testamento que relate o uso da dança pela Igreja no culto formal ao Senhor, bem como não há nenhum indício que a dança seja um meio de adoração a Deus.

A dança é gerada e desenvolvida por um estímulo notadamente externo, qual seja, a batida e o ritmo da música, suplantando assim de cara a letra e o conteúdo da canção, bem como desvirtuando a essência da adoração a Deus, a qual deve ser em espírito e em verdade (Jo 4:23,24), i.e., interna, movida pelo espírito, pelo íntimo de cada um, e não pela batida e ritmo de uma música, os quais embalam mais a carne do que o espírito.

Os elementos bíblicos do culto a Deus são expostos em 1 Co 14:26 “Que fareis, pois, irmãos? Quando vos ajuntais, cada um de vós tem salmo, tem doutrina, tem revelação, tem língua, tem interpretação. Faça-se tudo para edificação”. Onde está a dança? Em lugar nenhum! O apóstolo Paulo, fazendo referências sobre a adoração ao Senhor, assim se expressa em Ef 5:19 “Falando entre vós em salmos, e hinos, e cânticos espirituais; cantando e salmodiando ao Senhor no vosso coração”. Mais uma vez a dança não é mencionada!

Na verdade a adoração está majoritariamente relacionada com o louvor, devendo este ser sempre externado por um coração sincero e devoto a Deus, cf. Cl 3:16 “A palavra de Cristo habite em vós abundantemente, em toda a sabedoria, ensinando-vos e admoestando-vos uns aos outros, com salmos, hinos e cânticos espirituais, cantando ao SENHOR com graça em vosso coração”. Percebe-se novamente, através deste importante versículo, que não se vê nenhuma menção a dança como forma de adoração a Deus, ou como sendo algo edificante (ensino e admoestação).

E quanto às danças de Davi e Miriã? Destaque-se de pronto que as mesmas não foram realizadas em um culto coletivo a Deus. Outro fator importante é que o próprio Davi, por oportunidade em que estabelecia a sistemática organizacional do culto a Deus, não instituiu a dança como parte integrante da liturgia do mesmo (1 Cr 6:31,32; 1 Cr 25). Por fim, essas danças foram motivadas prioritariamente por uma alegria de cunho patriota, pela vitória de Israel sobre os seus inimigos. Assim já se expressou o pastor e escritor assembleiano Ciro Sanches: “Não só a dança de Davi, mas a de Miriã, também muito citada pelos “revolucionários”, foram atos à parte, fora do culto, patrióticos, pelos quais eles extravasaram a sua alegria. O Senhor não os condenou por suas danças, mas elas também não passaram a fazer, a partir de então, parte do culto coletivo a Deus”.

A dança, historicamente, nunca esteve relacionada com a Igreja do Senhor, sendo nada mais nada menos do que uma das formas do processo de secularização pelo qual a igreja evangélica está passando nestes últimos tempos. Lembremos por fim que o nosso culto a Deus deve ser feito nos moldes de 1 Co 14, sob o fundamento da ordem e decência, de modo que não venha a ser escândalo para ninguém (1 Co 10:32).

Com amor,

Anchieta Campos